Práticas de Campo Mediadas por Roteiro Cego no Ensino de Gênese de Depósitos Minerais
Palavras-chave:
Metodologias, ativas, Ensino, Geologia, Gênese, Depósitos, MineraisResumo
O estudo aborda a aplicação, a validação e o acompanhamento longitudinal do método de ensino ativo denominado "roteiro cego" (blind field trip) no componente curricular de Gênese de Depósitos Minerais, ministrado no 7º semestre do curso de Geologia da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), em Lavras do Sul (RS). As Atividades de Campo são reconhecidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (Resolução CNE/CES nº 1/2015) como um espaço essencial de síntese, desenvolvimento de atitudes e resolução de problemas, no qual os discentes transitam entre a teoria e a observação empírica. Na disciplina analisada, a carga prática equivale a 50% das horas-aula, exigindo a articulação de conhecimentos prévios de Mineralogia, Petrologia, Geoquímica e Mapeamento Geológico para compreender os sistemas mineralizados sob uma perspectiva holística. O raciocínio geológico impõe o desafio de integrar múltiplos níveis de observação (microscópica, mesoscópica e macroscópica) ao longo do tempo geológico. Diante disso, a pesquisa objetiva avaliar o impacto da estratégia metodológica ao longo de três anos consecutivos (seis semestres letivos), identificando suas contribuições para a formação da autonomia discente e mapeando as barreiras cognitivas e epistemológicas emergentes no processo. A proposta pedagógica organiza-se em um ciclo trifásico estruturado. A primeira etapa (Pré-campo) abrange fundamentação teórico-conceitual em sala de aula sobre processos magmáticos, metamórficos, sedimentares e hidrotermais, alinhada à entrega de um guia de campo propositadamente omitido quanto às especificações litológicas, modelos depositacionais e tipologias minerais de cada ponto de parada. Essa omissão voluntária caracteriza o "roteiro cego", cujo intuito é evitar o viés de confirmação e a busca passiva por respostas previamente estabelecidas na literatura. A segunda etapa (Campo) é realizada no distrito metalogenético do município de Lavras do Sul (RS), no Escudo Sul-Rio-Grandense. A geologia local engloba o Complexo Intrusivo Lavras do Sul (CILS), com borda monzonítica e núcleo granítico, rochas hospedeiras vulcano-sedimentares e do embasamento (Complexo Cambaí e Formação Hilário), além de marcantes feições de alteração hidrotermal (potássica, filílica, propilítica e argílica) associadas a mineralizações de ouro e metais base. Nesses locais, os estudantes realizam descrições litológicas, levantamentos estruturais com bússola, amostragem de rochas e veios sulfetados e formulação autônoma de hipóteses genéticas in situ. A terceira etapa (Pós-campo) envolve o processamento em laboratório (descrição macroscópica e diagramas estruturais), integração de dados em Sistemas de Informação Geográfica (SIG), apresentação de seminários integradores antes do acesso à bibliografia regional específica e elaboração de um relatório técnico-científico final. Os resultados obtidos ao longo do acompanhamento longitudinal confirmam que a estratégia do roteiro cego é eficaz para modificar a postura pedagógica dos discentes, deslocando-os da verificação passiva para a investigação científica ativa. A ausência de um "gabarito" prévio forçou o exame minucioso dos afloramentos, refinando a identificação de feições texturais sutis e zonas de alteração hidrotermal. A testagem in situ de hipóteses concorrentes reduziu o viés de confirmação e ampliou a retenção conceitual durante os seminários de pós-campo. No entanto, o estudo mapeou três barreiras cognitivas recorrentes. A primeira refere-se à dificuldade de abstração da gênese do depósito a partir de dados empíricos pontuais, na qual os alunos, embora identificassem a mineralogia e as texturas, falhavam em sintetizar essas evidências locais em um modelo metalogenético abrangente sem a mediação docente. A segunda barreira envolveu a desassociação inicial entre dados estruturais e processos hidrotermais, tratando medições de atitudes de falhas e fraturas de forma isolada em relação aos fluidos mineralizadores. A terceira consistiu na resistência psicológica inicial à incerteza pedagógica e à falta de validação imediata. Pode-se constatar que a dinâmica prática respaldada pelo ciclo trifásico e pelo roteiro cego consolida-se como uma metodologia reprodutível, robusta e estável para o ensino de Geologia Econômica. A mediação pedagógica contínua, associada à fase de pós-campo com seminários e confecção de relatórios, proporciona o suporte necessário para superar as barreiras cognitivas de escala e integração estrutural-hidrotermal. Dessa forma, o método transforma a atividade de campo em um ambiente ativo de resolução de problemas, fortalecendo a autonomia investigativa dos estudantes.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Práticas de Campo Mediadas por Roteiro Cego no Ensino de Gênese de Depósitos Minerais. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122636. Acesso em: 28 out. 2026.