Simulação Clínica: Estratégia de Integração Teórico-prática no Ciclo Básico do Curso de Medicina

Autores

  • Rafael Oliveira
  • Vinícia Garzella Metz
  • Lidiane Dal Bosco
  • Camila Pase

Palavras-chave:

Educação, médica, Tomada, decisão, clínica, Ensino, baseado, simulação

Resumo

A simulação realística constitui uma estratégia pedagógica que possibilita a integração entre conhecimentos teóricos e situações clínicas, permitindo o desenvolvimento de competências em ambiente controlado e seguro. O uso de manequins de alta fidelidade possibilita a reprodução de respostas fisiológicas e de elementos do atendimento clínico, favorecendo o desenvolvimento do raciocínio clínico, da tomada de decisão e de habilidades não técnicas, como comunicação e trabalho em equipe. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo relatar a experiência de aplicação de uma simulação piloto de crise asmática moderada e analisar a percepção dos estudantes quanto à atividade como estratégia de ensino no curso de Medicina. A atividade foi realizada em julho de 2026, com seis estudantes do curso de Medicina, provenientes do 3º ao 6º semestre, distribuídos em dois grupos de três participantes. Foi desenvolvido um cenário clínico de crise asmática moderada para o manequim de alta fidelidade Gaumard HAL S3000, utilizando o software UNI 3, disponibilizado pelo fabricante. A construção do cenário foi baseada nas diretrizes GINA 2026 e em relatos de casos clínicos reais, considerando os conhecimentos prévios esperados para os participantes e buscando adequar a complexidade e a verossimilhança da situação clínica. Após orientações iniciais sobre a dinâmica da atividade, foram realizadas duas rodadas de simulação, com duração de 10 a 15 minutos cada. Durante a execução do cenário, os estudantes realizaram a avaliação do paciente e selecionaram condutas terapêuticas e procedimentos a partir de alternativas corretas e distratoras, buscando reproduzir a tomada de decisão em uma situação clínica de urgência. Um monitor do 8º semestre permaneceu disponível para responder às solicitações relacionadas à anamnese, uma vez que o recurso de fala do simulador não foi utilizado. Após cada rodada, realizou-se uma sessão de debriefing, com discussão das decisões tomadas, identificação dos acertos e pontos a serem aprimorados e articulação do caso com conteúdos de fisiologia e farmacologia. Ao final da atividade, os estudantes responderam a um formulário eletrônico de avaliação da experiência. Quatro estudantes (67%) classificaram a qualidade geral da atividade como satisfatória ou muito satisfatória. Entre os aspectos destacados, os participantes ressaltaram o realismo da simulação, especialmente a ausculta e as respostas fisiológicas apresentadas pelo manequim. Cinco estudantes (83%) concordaram ou concordaram totalmente que a atividade favoreceu a integração entre teoria e prática, e cinco (83%) relataram contribuição para o desenvolvimento do raciocínio clínico. O suporte docente foi avaliado como satisfatório ou muito satisfatório por quatro participantes (67%). Como aspectos a serem aprimorados, os estudantes apontaram a necessidade de adequação da complexidade do cenário ao nível de formação, de orientações prévias para preparação da atividade e de ajustes na apresentação dos sinais vitais e das opções de conduta. Também foi sugerida maior ênfase na construção do raciocínio clínico, com maior espaço para discussão e elaboração das decisões, em detrimento de uma condução centrada na seleção da conduta médica. Quanto à contribuição da atividade para a confiança diante de situações clínicas, quatro estudantes (67%) relataram percepção de contribuição, enquanto dois (33%) não identificaram esse efeito. A aplicação piloto apresentou avaliação favorável quanto à integração entre conhecimentos teóricos e prática clínica simulada e permitiu identificar aspectos relevantes para o aprimoramento do cenário. Os achados indicam a viabilidade da utilização da simulação como estratégia complementar de ensino e, sobretudo, forneceram subsídios para a adequação da complexidade do caso, das orientações preparatórias e da condução das etapas de tomada de decisão antes de sua incorporação às atividades regulares de simulação do curso de Medicina.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Simulação Clínica: Estratégia de Integração Teórico-prática no Ciclo Básico do Curso de Medicina. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122632. Acesso em: 23 out. 2026.