Participação nas Aulas de Educação Física no Ensino Médio: Escuta Estudantil e Formação Docente
Palavras-chave:
Escuta, estudantil, Mediação, pedagógica, Identidade, docenteResumo
A participação dos estudantes nas aulas de Educação Física no Ensino Médio não depende apenas do interesse individual, mas também da organização pedagógica e das experiências anteriores com as práticas corporais. Comportamentos interpretados como desinteresse podem estar relacionados a dificuldades técnicas, insegurança, vergonha, pouca identificação com as atividades ou ausência de condições adequadas para participar. Compreender esses fatores requer observação e escuta dos estudantes. Este trabalho tem como objetivo relatar e analisar uma experiência desenvolvida no componente curricular Prática como Componente Curricular V, buscando compreender os motivos relacionados à participação reduzida de estudantes nas aulas de Educação Física e refletir sobre suas implicações para a formação docente. Trata-se de um relato de experiência de abordagem qualitativa e caráter reflexivo, realizado com turmas do 1º ano do Ensino Médio da Escola Estadual de Educação Básica Elisa Ferrari Valls. A construção do relato articulou estudos acadêmicos, registros produzidos em diário de campo durante 12 aulas observadas na escola e respostas obtidas por meio de um formulário aplicado a 22 estudantes. O formulário, utilizado como diagnóstico pedagógico, abordou os motivos para a não participação, as dificuldades encontradas, as preferências sobre a organização das aulas e as percepções acerca da presença de acadêmicos na escola. As informações foram interpretadas em diálogo com temas como juventude, cultura corporal, motivação, inclusão, mediação docente e participação. Os registros e as respostas indicaram que o afastamento das atividades estava relacionado a diferentes fatores. Entre as justificativas estavam o uso de roupas ou calçados inadequados para determinadas práticas, como chinelos e calças que limitavam os movimentos; a preferência por conversar com os colegas; a falta de interesse pela modalidade proposta; e sentimentos de vergonha ou receio de errar diante da turma. Nas aulas de voleibol, os estudantes também relataram dificuldades em fundamentos como a manchete e o saque. Esses elementos permitiram compreender que permanecer no banco não corresponde necessariamente a uma recusa à Educação Física, podendo expressar barreiras materiais, pedagógicas e subjetivas. Durante as observações, percebeu-se que, em alguns momentos, a aula assumia uma organização mais livre e com pouca mediação. Nessas situações, os estudantes que já dominavam as modalidades e participavam das equipes escolares ocupavam as ações do jogo com maior facilidade, enquanto aqueles com menos experiência tendiam a se afastar. A experiência evidenciou que disponibilizar a bola ou o espaço não garante participação, pois estudantes com diferentes habilidades necessitam de orientação e formas diversificadas de envolvimento. Quando questionados sobre a organização preferida, muitos indicaram interesse por propostas que combinassem aprendizagem técnica e jogo livre. Também apareceram manifestações favoráveis às aulas livres, demonstrando a importância de considerar a autonomia e os interesses juvenis sem abandonar a intencionalidade pedagógica. A presença dos acadêmicos foi avaliada positivamente pela maioria dos respondentes, sobretudo quando associada à oferta de jogos e brincadeiras diferentes e à explicação paciente das atividades. Isso destacou que a diversificação das propostas e a qualidade da mediação podem aproximar os jovens das aulas. A articulação entre leituras, diário de campo e escuta estudantil contribuiu para superar explicações que atribuem a não participação exclusivamente à falta de interesse. A experiência mostrou que o planejamento precisa considerar as condições da turma, as diferenças de habilidade, os receios de exposição e as preferências dos estudantes. Para a formação docente, tornou-se evidente a necessidade de construir aulas organizadas, inclusivas e dinâmicas, nas quais a aprendizagem dos fundamentos não seja separada do jogo, da convivência e da participação. Isso requer a presença ativa do professor na orientação e na reorganização das propostas. Como o relato se baseia em um contexto específico, seus resultados não podem ser generalizados para todo o Ensino Médio. Ainda assim, a experiência possibilitou compreender que escutar os estudantes é uma dimensão importante do planejamento e da avaliação. Conclui-se que aproximar teoria e realidade escolar favoreceu uma leitura mais complexa sobre a participação nas aulas. O diário de campo e o formulário permitiram reconhecer barreiras e possibilidades que poderiam permanecer invisíveis em uma observação superficial. Para o acadêmico, a experiência contribuiu para a construção de uma identidade docente comprometida com a mediação, a inclusão e o desenvolvimento de práticas corporais significativas, capazes de ampliar as oportunidades de participação de toda a turma.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Participação nas Aulas de Educação Física no Ensino Médio: Escuta Estudantil e Formação Docente. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122623. Acesso em: 23 out. 2026.