De Atleta Professora: Uma Autonarrativa Sobre Futsal, Handebol e Formação Docente em Educação Física

Autores

  • Luciandre Aimon
  • Suyan Muniz Aguirre
  • Daniela Noronha Da Silva
  • Diego De Matos Noronha
  • Mauren Araujo

Palavras-chave:

Identidade, docente, trajetória, esportiva, saberes, pedagógicos

Resumo

experiências construídas no esporte podem influenciar a escolha profissional e a maneira como futuros professores compreendem o ensino das práticas corporais. Entretanto, saber praticar uma modalidade e possuir conhecimentos técnicos e táticos não significa saber ensiná-la em contextos educativos. A passagem da condição de atleta para a formação docente exige reconstruir modos de perceber o esporte, especialmente quando as experiências anteriores foram orientadas pelo treinamento, competição e busca por desempenho. Este trabalho tem como objetivo compreender, por meio de uma autonarrativa, como as experiências de uma atleta de futsal e handebol se relacionam com sua formação como professora de Educação Física e com novas concepções sobre o ensino dos esportes coletivos. Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter autonarrativo, elaborado a partir da reflexão da autora sobre suas memórias esportivas e as aprendizagens construídas durante a graduação. A autonarrativa permitiu revisitar experiências, identificar mudanças de compreensão e atribuir novos sentidos à trajetória entre a prática esportiva e a docência. A análise foi organizada pelas diferenças entre a lógica do esporte de rendimento e os objetivos educacionais do ensino dos esportes coletivos, bem como as contribuições e limites da experiência atlética para a docência. Antes do ingresso na universidade, a relação com o futsal e o handebol estava associada aos treinos, às regras, à competição e ao aperfeiçoamento do próprio desempenho. Movimentos, fundamentos e situações de jogo eram compreendidos a partir do lugar de quem os executava. Ao longo da formação, a estudante passou a perceber que a docência exige deslocar o olhar da própria atuação para os processos de aprendizagem dos outros. Elementos simples para uma atleta experiente podem representar desafios para estudantes nos primeiros contatos com a modalidade ou com diferentes habilidades e experiências corporais. Essa compreensão evidenciou que ensinar futsal e handebol não consiste apenas em demonstrar fundamentos ou organizar partidas. O trabalho pedagógico requer objetivos, mediação e adaptação das atividades, criando condições para que estudantes com diferentes níveis de experiência participem. Nesse processo, os esportes coletivos passaram a ser compreendidos como conteúdos capazes de favorecer cooperação, tomada de decisão, respeito, convivência e compreensão do jogo. A autonarrativa possibilitou reconhecer que a reprodução de métodos vivenciados no treinamento pode gerar práticas excludentes na escola, principalmente quando o desempenho técnico se torna o principal critério de participação. Como nem todos os estudantes desejam ou precisam tornar-se atletas, o ensino deve permitir que conheçam, experimentem e atribuam diferentes sentidos às modalidades. Isso não significa abandonar fundamentos, regras, táticas ou competições, mas abordá-los de forma adequada aos sujeitos e objetivos educacionais. A experiência esportiva foi reconhecida como parte da identidade docente em construção. Aprendizagens relacionadas à disciplina, à responsabilidade, ao trabalho em equipe, à persistência e ao enfrentamento de erros e frustrações podem contribuir para a atuação da futura professora. A vivência como atleta favoreceu a compreensão de situações de pressão, insegurança e dificuldade durante a aprendizagem. Contudo, essas experiências não podem constituir a única referência para o planejamento, pois a trajetória da professora não corresponde às trajetórias de seus futuros estudantes. A formação universitária mostrou-se fundamental para problematizar conhecimentos naturalizados, apresentar diferentes formas de ensinar e transformar saberes produzidos na quadra em possibilidades pedagógicas. A análise evidenciou três deslocamentos: do desempenho individual para a aprendizagem dos estudantes; da reprodução do treinamento para a mediação pedagógica; e da identidade exclusivamente atlética para uma identidade docente em construção. Enquanto a atleta se concentra na própria atuação e no desempenho da equipe, a professora precisa observar a aprendizagem, identificar barreiras, respeitar ritmos e criar oportunidades para experimentar, errar e desenvolver autonomia. Conclui-se que a trajetória no futsal e no handebol contribuiu para a formação docente ao fornecer experiências e conhecimentos ressignificados ao longo da graduação. A transformação das vivências esportivas em conhecimentos pedagógicos depende do estudo, da reflexão e das experiências proporcionadas pela graduação. A autonarrativa permitiu compreender que a trajetória entre a quadra e a docência não representa o abandono da identidade de atleta, mas sua ressignificação. Dessa maneira, a formação em Educação Física pode integrar saberes esportivos e pedagógicos, construindo uma atuação que valorize o esporte sem se limitar à lógica do rendimento e reconheça a participação, a aprendizagem e a diversidade como dimensões centrais do ensino.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

De Atleta Professora: Uma Autonarrativa Sobre Futsal, Handebol e Formação Docente em Educação Física. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122622. Acesso em: 2 nov. 2026.