O Futsal Como Ferramenta de Inclusão: Experiência do Pibid na Escola Caic
Palavras-chave:
Mediação, pedagógica, Participação, estudantil, Formação, docenteResumo
O futsal possui ampla presença na cultura escolar e pode ser abordado nas aulas de Educação Física para além da reprodução do jogo formal ou da busca por desempenho. Quando desenvolvido com intencionalidade pedagógica, permite articular a aprendizagem dos fundamentos e da compreensão tática a experiências de cooperação, comunicação, respeito às regras e participação de estudantes com diferentes habilidades. O esporte, contudo, não produz inclusão automaticamente, pois seus efeitos dependem da organização das atividades e da mediação docente. Este trabalho tem como objetivo relatar e refletir sobre uma oficina de futsal desenvolvida no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), destacando suas contribuições percebidas para a aprendizagem técnico-tática, a cooperação, a inclusão e a formação docente. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência, realizado com estudantes do 7º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal de Ensino Fundamental do Complexo Escolar Elvira Ceratti (CAIC), em Uruguaiana, Rio Grande do Sul. A oficina ocorreu na quadra coberta, em encontros semanais de 90 minutos. As sessões foram organizadas em três momentos: 15 minutos de aquecimento e mobilidade, 60 minutos de desenvolvimento técnico-tático e 15 minutos de retorno à calma e avaliação coletiva. No momento inicial, foram realizadas corridas leves, mobilidade articular e a atividade Toca e Desloca, voltada à recepção, ao passe e à movimentação. A parte principal contemplou exercícios progressivos de passe e tomada de decisão. Em seguida, foi desenvolvido o Quadrado de Passe, no qual quatro cones delimitavam as posições e cada participante deveria deslocar-se para o lugar do colega que recebia a bola, favorecendo a percepção espacial e a movimentação sem posse. Também foi realizada a Ronda, situação de jogo em espaço reduzido orientada à manutenção da posse e limitada a dois toques por participante. Essa regra buscou reduzir a concentração das ações individuais e incentivar a movimentação, a comunicação e a tomada de decisão coletiva. No encerramento, foram realizados alongamentos e uma roda de conversa, na qual os estudantes expressavam suas percepções, dificuldades e atitudes colaborativas. A avaliação ocorreu de maneira contínua e formativa, por meio da observação direta do comportamento tático, das formas de participação e das relações estabelecidas, complementada pelos relatos da conversa final. Ao longo da experiência, percebeu-se maior controle na realização dos passes e melhor ocupação dos espaços da quadra. No jogo reduzido, a limitação do número de toques levou os estudantes a procurar os colegas com maior frequência e tomar decisões mais rapidamente, favorecendo a circulação da bola. Como não foram utilizados instrumentos específicos para medir o desempenho, essas mudanças correspondem às percepções construídas durante o acompanhamento e não representam resultados quantitativos ou generalizáveis. Também foram observadas mudanças nas relações entre os participantes, com redução percebida de conflitos verbais e atitudes de exclusão, além de maior comunicação e respeito às diferenças de habilidade. A estrutura cooperativa das tarefas possibilitou que estudantes com níveis distintos de experiência participassem das ações e fossem reconhecidos como integrantes do grupo. Esses resultados indicam que a inclusão não decorreu apenas da presença na quadra, mas da criação de regras e situações que exigiam cooperação e distribuíam as oportunidades de participação. A roda de conversa foi relevante para que as aprendizagens não permanecessem restritas à execução motora, permitindo problematizar atitudes, dificuldades e responsabilidades coletivas. Para o licenciando, a oficina aproximou os conhecimentos desenvolvidos na universidade das situações concretas da escola pública. O planejamento das sessões, a observação das respostas dos estudantes e a reorganização das propostas contribuíram para aprendizagens relacionadas à flexibilidade metodológica, à avaliação formativa e à mediação das relações. A experiência evidenciou que o domínio técnico da modalidade é importante, mas insuficiente quando separado da compreensão do contexto e dos objetivos educacionais. Conclui-se que a oficina articulou a aprendizagem de fundamentos e elementos táticos do futsal à cooperação, à comunicação e à participação. As atividades progressivas, o jogo reduzido e a avaliação coletiva favoreceram o envolvimento de estudantes com diferentes habilidades e ampliaram o sentido pedagógico da modalidade. No PIBID, a experiência contribuiu para a formação inicial ao inserir o licenciando em situações de planejamento, intervenção e reflexão, fortalecendo a compreensão da Educação Física como espaço de aprendizagem, convivência e inclusão.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
O Futsal Como Ferramenta de Inclusão: Experiência do Pibid na Escola Caic. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122620. Acesso em: 31 out. 2026.