Avaliação Neurofuncional de Criança com Síndrome do Cromossomo 14 em Anel: Experiência de Ensino Fisioterapêutico
Palavras-chave:
Raciocínio, clínico, Aprendizagem, baseada, casos, Ensino, FisioterapiaResumo
A formação em Fisioterapia requer a articulação entre conhecimentos teóricos e experiências práticas que possibilitem ao estudante desenvolver competências para avaliação, interpretação de achados clínico-funcionais e elaboração de objetivos terapêuticos individualizados. A utilização de casos clínicos reais durante as atividades práticas favorece o desenvolvimento do raciocínio clínico e a aproximação entre os conteúdos abordados em sala de aula e as demandas funcionais encontradas na prática profissional. Nesse contexto, este trabalho teve como objetivo apresentar uma experiência de aprendizagem desenvolvida a partir da avaliação fisioterapêutica neurofuncional de uma criança com Síndrome do Cromossomo 14 em Anel, destacando suas contribuições para o processo de ensino-aprendizagem na graduação em Fisioterapia. Trata-se de um relato descritivo de atividade acadêmica desenvolvida durante aula prática do componente curricular Fisioterapia em Neurologia I, na qual os estudantes realizaram avaliação neurofuncional infantil supervisionada. A atividade envolveu levantamento da história gestacional, neonatal e clínica, exame físico e funcional, identificação de alterações de tônus, controle postural, desenvolvimento motor, amplitude de movimento e condições osteomioarticulares, bem como aplicação e interpretação de instrumentos padronizados. Foi avaliada uma criança do sexo feminino, com 3 anos de idade, diagnosticada com Síndrome do Cromossomo 14 em Anel, com histórico de prematuridade, baixo peso ao nascimento, convulsões e necessidade de gastrostomia, além de limitações relacionadas à comunicação e à alimentação. Na avaliação neurofuncional, observou-se hipotonia moderada, com escore de 26 pontos (68,42%) na escala de avaliação de hipotonia, controle instável de cabeça e tronco e sedestação independente, porém instável. A criança não realizava rolar, pivotear, arrastar-se, engatinhar, permanecer em ortostatismo, deambular, subir ou descer escadas e rampas ou correr. Foram identificados encurtamento do tríceps sural, posicionamento do pé direito em plantiflexão e inversão e aumento da amplitude de movimento do quadril. Na Escala Clínica de Avaliação do Equilíbrio (ECAB), obteve 14 de 36 pontos, evidenciando comprometimento do equilíbrio. Na Medida da Função Motora Grossa (GMFM), apresentou 39,21% na dimensão A, referente a deitar e rolar, e 35% na dimensão B, referente a sentar, resultando em escore médio de 37,1% entre as duas dimensões avaliadas. A análise dos achados possibilitou aos estudantes reconhecer um quadro de atraso do desenvolvimento neuropsicomotor associado à instabilidade do controle postural, déficit de equilíbrio, comprometimento da função motora grossa e alterações musculoesqueléticas, relacionando esses achados às repercussões sobre atividade e participação. A experiência também possibilitou exercitar a seleção, aplicação e interpretação de instrumentos de avaliação, a integração entre dados quantitativos e observação clínica e a elaboração de objetivos fisioterapêuticos coerentes com o nível funcional apresentado. A partir da avaliação, foram estabelecidos objetivos relacionados ao aprimoramento do controle postural de cabeça e tronco, estímulo às habilidades motoras grossas compatíveis com o nível funcional, favorecimento do equilíbrio e da mobilidade, prevenção de complicações musculoesqueléticas e ampliação da participação funcional. A demanda familiar, representada pelo desejo materno de que a criança desenvolvesse maior capacidade de manipular brinquedos, também foi incorporada à discussão, permitindo aos estudantes compreender a importância de relacionar os objetivos fisioterapêuticos a atividades significativas para a criança e sua família. A atividade favoreceu, portanto, a integração entre conhecimentos teóricos e práticos, o desenvolvimento do raciocínio clínico, a interpretação funcional dos achados e a compreensão de uma abordagem centrada na criança e na família. Conclui-se que a utilização de um caso clínico real e de instrumentos padronizados durante a aula prática constituiu estratégia pedagógica relevante para a consolidação de competências relacionadas à avaliação neurofuncional infantil. A experiência possibilitou aos estudantes vivenciar etapas fundamentais da atuação fisioterapêutica, desde a identificação e quantificação das alterações até a interpretação de suas repercussões funcionais e definição de objetivos individualizados, contribuindo para a aproximação entre teoria e prática e para a qualificação do processo de ensino-aprendizagem na graduação em Fisioterapia.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Avaliação Neurofuncional de Criança com Síndrome do Cromossomo 14 em Anel: Experiência de Ensino Fisioterapêutico. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122619. Acesso em: 28 out. 2026.