Construindo a Árvore da Vida

Autores

  • Emerson Corrêa
  • Antonio Carlos da Silva

Palavras-chave:

Sistemática, Filogenética, Metodologias, Ativas, Formação, professores

Resumo

O ensino de conceitos relacionados à evolução biológica, especialmente à sistemática filogenética, destaca-se pela complexidade na formação de licenciandos. Isto se verifica na dificuldade de abstração exigida na interpretação de sinapomorfias e na construção de cladogramas a partir de dados morfológicos ou genéticos. Diante dessa dificuldade, o uso de metodologias ativas com material concreto é essencial. Ao trabalhar com esse material, o discente se aproxima do raciocínio científico na prática, superando o modelo tradicional e puramente expositivo. Neste contexto, na monitoria da componente Diversidade dos Seres Vivos do curso de Licenciatura em Ciências Naturais, foi desenvolvida a atividade intitulada Construindo a Árvore da Vida. A atividade consistiu em um jogo de cartas focado na família de felinos, permitindo que os alunos compreendessem as relações evolutivas entre organismos e apreendessem a construção de cladogramas. A atividade foi conduzida com o acompanhamento supervisionado do monitor da componente. Ele foi responsável por orientar as discentes durante toda a execução da proposta. Cada participante recebeu um conjunto de cartões ilustrativos representando diferentes espécies de felinos na face da frente, acompanhados de uma tabela de características morfológicas no verso das cartas. Cada discente foi orientado a seguir as regras em quatro etapas: agrupar os organismos segundo critérios próprios, listar as características compartilhadas entre os grupos formados, identificar possíveis ancestrais comuns e, por fim, construir um cladograma acompanhado de justificativa escrita, apoiando-se em perguntas norteadoras sobre qual grupo seria evolutivamente mais próximo e qual característica teria surgido primeiro na linhagem observada. A atividade foi realizada por duas discentes, cujo desempenho foi avaliado por meio do cladograma produzido e da justificativa apresentada. O resultado mostrou um nível satisfatório de apropriação dos conceitos de sinapomorfia, parentesco evolutivo e sistemática filogenética logo após a realização da proposta. Para avaliar o impacto da proposta, foi aplicado um questionário antes e após a atividade com as discentes participantes. Isto permitiu identificar perfis prévios distintos em relação ao tema: uma delas já havia estudado evolução biológica anteriormente e já sabia como estabelecer o parentesco entre espécies, enquanto a outra não possuía estudo prévio formal sobre evolução nem sabia previamente como determinar esse parentesco. Ambas, no entanto, já haviam ouvido falar de Charles Darwin. Apesar dessas diferenças de conhecimento prévio, as discentes afirmaram que a realização do jogo de cartas de felinos ajudou a entender a atividade proposta, tornando mais fácil compreender como uma árvore filogenética é construída. Isso sugere que a atividade contribuiu para nivelar a compreensão do conteúdo independentemente do repertório conceitual inicial de cada participante. Apesar da amostragem pequena (turma pequena), o conjunto dos resultados, aliando o bom desempenho avaliativo ao relato unânime de maior facilidade de compreensão, sinaliza que a mediação por meio do jogo de cartas favoreceu a compreensão de um conteúdo classicamente considerado abstrato pelas discentes em formação inicial docente. A escolha dos felinos como grupo taxonômico central da atividade mostrou-se pedagogicamente vantajosa, por tratar-se de organismos familiares às discentes e com diferenças morfológicas visualmente identificáveis, o que facilitou a etapa de comparação de características e a consequente construção do raciocínio filogenético de forma autônoma. A supervisão do monitor revelou-se importante, ao possibilitar a mediação pontual de dúvidas sem comprometer o protagonismo das discentes na construção do próprio conhecimento. Essa mediação reforçou o caráter formativo da monitoria como espaço de qualificação do processo de ensino-aprendizagem. Conclui-se que a atividade de montagem de cladogramas com cartas de felinos mostrou-se uma estratégia pedagógica inovadora e de baixo custo. Com bom potencial de aplicação em diferentes contextos de ensino de Biologia e Ciências Naturais, este recurso contribui para a qualidade do ensino de conteúdos evolutivos na formação inicial de professores. Ainda que os resultados venham de uma turma reduzida, o desempenho das alunas e a facilidade relatada por elas na aprendizagem reforçam a relevância de expandir a aplicação da atividade a turmas maiores. Assim, será possível reunir evidências mais robustas validando o jogo como ferramenta interdisciplinar na formação docente.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Construindo a Árvore da Vida. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122617. Acesso em: 29 out. 2026.