Campo Agrostológico Como Ferramenta de Ensino na Medicina Veterinária

Autores

  • Laura Machado
  • Ana Laura Romeiro de Aquino
  • Davi Soares Fontella
  • Luís Paulo Gomes Vivian
  • Maurício Benites Caldas
  • Rodrigo Holz Krolow

Palavras-chave:

Difusão, tecnológica, Pastagens, Produção, animal

Resumo

A extensão universitária constitui um dos principais instrumentos de aproximação entre a universidade e a sociedade, promovendo a socialização do conhecimento científico, a difusão de tecnologias e a formação de profissionais comprometidos com as demandas do setor produtivo. Na Medicina Veterinária, essa integração torna-se especialmente relevante em disciplinas relacionadas à produção animal, nas quais a vivência prática representa elemento indispensável para a consolidação do conhecimento. Nesse contexto, o campo agrostológico da Universidade Federal do Pampa foi implantado como estratégia extensionista visando integrar ensino, pesquisa e extensão, permitindo que estudantes participassem diretamente da implantação, manejo, multiplicação e difusão de espécies forrageiras utilizadas na alimentação de ruminantes. Além de apoiar atividades de ensino, a iniciativa buscou fortalecer a interação com produtores rurais da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, contribuindo para a transferência de tecnologias relacionadas ao planejamento forrageiro e à utilização de espécies adaptadas às condições edafoclimáticas da região. Assim, objetivou-se avaliar a contribuição do campo agrostológico como ferramenta de extensão universitária para a difusão de tecnologias e para o fortalecimento da formação acadêmica em Medicina Veterinária. As ações extensionistas foram desenvolvidas por meio da implantação e manutenção de um campo agrostológico contendo diferentes espécies forrageiras de interesse para a bovinocultura de leite e de corte. Os estudantes participaram das atividades de preparo do solo, implantação, identificação botânica, manejo, propagação vegetativa e distribuição de materiais propagativos aos produtores rurais, além da utilização do campo durante aulas práticas das disciplinas de Forragicultura, Nutrição Animal I, Nutrição Animal II, Bovinocultura de Leite, Bovinocultura de Corte e Ovinocultura. Paralelamente às atividades acadêmicas, foram distribuídas mudas de espécies forrageiras adaptadas às condições regionais, contribuindo para ampliar o acesso dos produtores a materiais vegetativos de elevado potencial produtivo e nutricional. Ao longo das ações extensionistas, foram atendidos diretamente 21 produtores rurais, contemplados com mudas de quatro espécies forrageiras perenes de reconhecida importância para os sistemas de produção animal da região. O Tifton 85 foi a espécie de maior demanda, sendo distribuído para 12 produtores, seguido da Hemarthria, destinada a quatro propriedades, do capim-elefante Kurumi, distribuído para três produtores, e do Jiggs, entregue a dois produtores. Essa distribuição demonstra a diversidade de alternativas disponibilizadas aos sistemas produtivos locais, considerando diferentes condições de solo, manejo e objetivos de utilização das pastagens. Paralelamente, aproximadamente 238 estudantes participaram das atividades desenvolvidas no campo agrostológico, vivenciando situações práticas relacionadas à implantação, manejo, identificação das espécies e planejamento forrageiro. A utilização contínua dessa estrutura em seis componentes curriculares favoreceu a integração entre conteúdos de produção vegetal e nutrição animal, permitindo que os acadêmicos relacionassem conceitos teóricos com situações reais encontradas nas propriedades rurais. Além da formação prática, o campo consolidou-se como espaço permanente para realização de atividades extensionistas, aproximando docentes, estudantes e produtores rurais, fortalecendo a troca de conhecimentos e estimulando a adoção de tecnologias voltadas ao aumento da eficiência dos sistemas de produção de ruminantes. Conclui-se que o campo agrostológico constitui uma importante ferramenta de extensão universitária, promovendo simultaneamente a transferência de tecnologias para produtores rurais e a qualificação da formação acadêmica em Medicina Veterinária. A integração entre universidade e comunidade proporcionada por essa iniciativa fortalece o processo de ensino-aprendizagem, amplia o acesso a tecnologias adaptadas à realidade regional e evidencia o potencial da extensão universitária como instrumento de desenvolvimento técnico, científico e social.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Campo Agrostológico Como Ferramenta de Ensino na Medicina Veterinária. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122598. Acesso em: 23 out. 2026.