Morfologia das Folhas e Investigação no Ensino Fundamental: Reconhecer para Preservar

Autores

  • Vinicius Bibiano Sauceda
  • Geovana da Silva Lima Lopes
  • Miguel Ribeiro Pessano
  • Chrystyan Ariovaldo Cortes dos Santos
  • Carla Beatriz Spohr
  • Ketelin Monique Cavalheiro Kieling

Palavras-chave:

Educação, científica, Botânica, escolar, Sequência, didática

Resumo

O ensino de Ciências pode ser favorecido por propostas que aproximem os estudantes de elementos presentes em seu cotidiano, articulando conhecimentos científicos, observação, registro e investigação. Nesse contexto, o presente texto visa descrever uma sequência de atividades sobre a morfologia das folhas com estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. A referida sequência foi desenvolvida no âmbito do Clube de Ciências, uma atividade extracurricular realizada em uma escola de educação básica com o apoio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid). O objetivo das atividades propostas foi ampliar a capacidade de reconhecer e comparar características morfológicas das folhas a partir da observação de exemplares presentes no ambiente escolar. Inicialmente, foi realizada uma apresentação em slides sobre a morfologia das folhas e aplicado um questionário diagnóstico com questões sobre a identificação do pecíolo, a definição de margem, os critérios utilizados para identificar uma folha e as características empregadas para comparar diferentes exemplares. Em seguida, os estudantes receberam uma ficha de registro para desenhar uma folha e identificar suas características morfológicas. A turma foi dividida em dois grupos, acompanhados por dois Bolsistas de Iniciação à Docência (BIDs) cada, e realizou uma atividade no entorno da quadra da escola. Cada estudante escolheu uma folha que considerasse interessante, realizou seu desenho e registrou as características observadas, relacionando os conceitos apresentados à observação direta do ambiente. No encontro seguinte, foi desenvolvida a atividade investigativa Folha Foragida. Os BIDs selecionaram cinco folhas e elaboraram pistas organizadas em três rodadas, com cinco pistas em cada rodada, apresentadas progressivamente. As pistas descreviam características morfológicas de forma lúdica e investigativa, levando os estudantes a formular hipóteses e identificar qual era a folha procurada. Entre as características trabalhadas estavam aspectos relacionados à composição foliar, incluindo a identificação de uma folha composta, formada por folíolos. Após a dinâmica, foi reaplicado o questionário, acrescentando uma questão destinada a verificar a percepção dos estudantes sobre sua própria aprendizagem. Os resultados indicaram evolução principalmente na identificação da margem da folha. A questão referente à parte que liga a folha ao caule, cuja resposta correta era pecíolo, apresentou 93,8% de acertos no pré-teste e 100% no pós-teste. A questão sobre a margem da folha, cuja resposta correta era a borda da folha, passou de 56,3% para 94,1%, representando aumento de 37,8 pontos percentuais. Já a questão sobre observar apenas a cor para identificar uma folha apresentou 100% de acertos tanto no pré quanto no pós-teste, indicando a manutenção de um conhecimento já presente antes da intervenção. Na questão aberta sobre características utilizadas para comparar folhas, as respostas do pós-teste apresentaram maior variedade de elementos relacionados à morfologia vegetal, incluindo margem, nervuras, limbo, pecíolo, tamanho, formato e classificação em folhas simples e compostas. Na questão de percepção aplicada somente após a atividade, 58,8% dos estudantes afirmaram que passaram a observar melhor as diferenças entre as folhas e 41,2% responderam mais ou menos, não havendo respostas negativas. Os resultados sugerem que a articulação entre exposição conceitual, observação de campo, registro e investigação contribuiu para ampliar a atenção dos estudantes às características morfológicas das folhas, especialmente em relação à margem, além de diversificar os critérios utilizados para comparação. Conclui-se que o uso do ambiente escolar externo aliado a estratégias investigativas pode tornar o ensino da morfologia vegetal mais participativo e significativo, favorecendo a observação, a comparação, o levantamento de hipóteses e a aplicação de conhecimentos científicos em situações concretas.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2026-10-02

Como Citar

Morfologia das Folhas e Investigação no Ensino Fundamental: Reconhecer para Preservar. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122592. Acesso em: 25 out. 2026.