Entre Trabalho, Universidade e Pibid: Desafios da Formação no Ensino Superior Noturno
Palavras-chave:
Estudante-trabalhadora, Formação, docente, Permanência, universitáriaResumo
O ensino superior noturno constitui uma importante possibilidade de acesso à formação acadêmica para pessoas que precisam conciliar a graduação com o trabalho diurno. Essa organização, entretanto, não elimina as dificuldades relacionadas à permanência, pois a combinação entre responsabilidades profissionais, acadêmicas e pessoais exige constante reorganização da rotina. Para estudantes que também participam de projetos universitários, como o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), as demandas se ampliam e podem reduzir o tempo disponível para descanso, lazer, estudo e convivência social. Reconhecer essas condições permite compreender que os estudantes não chegam à universidade com as mesmas possibilidades de dedicação. Este trabalho tem como objetivo narrar e refletir sobre a experiência de conciliar o trabalho diurno, a graduação noturna e a participação no PIBID, analisando os desafios, as adaptações e as aprendizagens dessa rotina e suas repercussões percebidas sobre o descanso, o lazer e a formação docente. O estudo apresenta abordagem qualitativa e caracteriza-se como relato auto-narrativo, construído a partir da reflexão da autora sobre sua trajetória como estudante-trabalhadora e bolsista do PIBID. A experiência analisada compreende a rotina de trabalho durante o dia, a participação em atividades de iniciação à docência em escolas públicas duas vezes por semana e a frequência às aulas da graduação no período noturno. Não foram utilizados instrumentos para mensurar o desempenho acadêmico ou a qualidade de vida; os resultados correspondem às percepções da autora sobre as situações vivenciadas. A reflexão foi organizada em três eixos: cansaço e organização do tempo; redução do descanso e do lazer; e contribuições e desafios do PIBID. No primeiro eixo, destaca-se o cansaço físico e mental percebido após a jornada de trabalho e as atividades nas escolas. Ao chegar à universidade, tornava-se necessário manter a atenção, participar das aulas e acompanhar os conteúdos, apesar do desgaste acumulado. Essa condição também repercutia na realização de leituras, pesquisas e trabalhos fora do horário das aulas, favorecendo o adiamento de tarefas. A experiência evidenciou que a dificuldade de organização não estava relacionada somente à administração individual do tempo, mas à quantidade de responsabilidades atendidas diariamente. Planejar a semana, estabelecer prioridades e utilizar intervalos para realizar tarefas tornaram-se estratégias necessárias, embora nem sempre suficientes para evitar a sobrecarga percebida. No segundo eixo, observou-se que as atividades acadêmicas frequentemente ocupavam períodos destinados ao descanso, ao lazer e à convivência social. Momentos sem atividades passaram a ser acompanhados pela preocupação com tarefas pendentes e pela cobrança de que deveriam ser aproveitados para estudar. A experiência produziu a compreensão de que o descanso também constitui uma necessidade para a continuidade da formação. Essas percepções estão vinculadas a uma trajetória individual e não permitem afirmar que todas as estudantes-trabalhadoras vivenciem as mesmas condições, mas evidenciam tensões presentes no ensino noturno. No terceiro eixo, a participação no PIBID acrescentou compromissos à rotina, mas também atribuiu sentido à formação ao proporcionar contato com escolas, estudantes e situações concretas da docência. As inserções exigiram preparação, deslocamento e disponibilidade, ao mesmo tempo em que possibilitaram relacionar os conhecimentos da graduação à Educação Básica. A experiência contribuiu para reconhecer que a formação docente não acontece apenas nas disciplinas do curso, mas também nas relações e decisões do cotidiano escolar. Assim, o PIBID não foi percebido somente como mais uma demanda, mas como experiência formativa que fortaleceu a aproximação com a profissão. A autonarrativa também levou à reflexão sobre a responsabilidade institucional na permanência dos estudantes. Embora a organização individual seja importante, as dificuldades não podem ser atribuídas exclusivamente à estudante. Prazos, horários, formas de avaliação e distribuição das atividades precisam considerar que parte dos estudantes trabalha e possui disponibilidade limitada fora das aulas. Isso não significa reduzir as exigências da formação, mas construir práticas sensíveis às diferentes condições de vida. Conclui-se que conciliar trabalho diurno, graduação noturna e participação no PIBID constitui uma experiência marcada por cansaço, reorganização dos horários e redução do tempo de descanso e lazer. Ao mesmo tempo, as vivências nas escolas contribuíram para a construção da identidade docente e para a compreensão do sentido social da formação. O relato reforça que a permanência universitária depende tanto do esforço individual quanto de condições institucionais capazes de reconhecer as diferentes trajetórias dos estudantes e favorecer seu processo formativo.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Entre Trabalho, Universidade e Pibid: Desafios da Formação no Ensino Superior Noturno. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122583. Acesso em: 22 out. 2026.