Da Universidade Ao Chao da Escola

Autores

  • Layza Goncalves
  • Everton Fêrrêr de Oliveira

Palavras-chave:

PIBID, Atendimento, Educacional, Especializado, (AEE), Educação, Infantil, Inclusiva, Formação, Docente

Resumo

A inserção de estudantes universitárias no cotidiano da escola pública, por meio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), constitui uma importante oportunidade de aproximação entre os conhecimentos construídos na universidade e os desafios concretos da prática pedagógica. Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo analisar as contribuições da participação de mulheres pibidianas no Atendimento Educacional Especializado (AEE) da EMEI Leonel para a formação inicial docente e para o desenvolvimento de práticas pedagógicas inclusivas na Educação Infantil. A experiência parte da compreensão de que o AEE possui caráter complementar ou suplementar à escolarização e busca organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que favoreçam o acesso, a permanência, a participação, a autonomia e a aprendizagem das crianças público da educação especial. Trata-se de um relato de experiência de abordagem qualitativa, construído a partir das vivências das bolsistas no cotidiano do AEE. O percurso metodológico envolveu observação participante, acompanhamento e execução de atividades, planejamento coletivo, elaboração e aplicação de recursos pedagógicos acessíveis, registros sistemáticos das ações e reflexão sobre as situações vivenciadas. Também foi realizada articulação entre revisão bibliográfica e prática profissional, possibilitando analisar a experiência a partir do diálogo entre os conhecimentos acadêmicos e os saberes produzidos no cotidiano escolar. A inserção das bolsistas permitiu acompanhar a organização da escola, observar diferentes formas de participação das crianças e compreender que o trabalho docente exige planejamento, observação, diálogo, flexibilidade, trabalho coletivo e reflexão permanente. No AEE, foi possível perceber que a educação inclusiva não se restringe à presença da criança no espaço escolar, mas depende da criação de condições para sua participação efetiva nas propostas pedagógicas. A utilização de recursos visuais, táteis, jogos adaptados, materiais concretos e atividades lúdicas mostrou-se relevante como possibilidade de mediação da aprendizagem, especialmente quando os recursos e as estratégias são planejados considerando as singularidades, necessidades e potencialidades de cada criança. A experiência também evidenciou a importância da atuação colaborativa entre bolsistas, professora do AEE, docentes da escola e demais profissionais, uma vez que a troca de conhecimentos contribui para a construção de estratégias mais adequadas e para o enfrentamento das barreiras que dificultam a participação. Entre os principais resultados, destacam-se o fortalecimento da compreensão sobre educação inclusiva, a aproximação entre teoria e prática e o desenvolvimento de conhecimentos relacionados ao planejamento, à elaboração de materiais acessíveis, à observação e à avaliação das propostas pedagógicas. A participação no cotidiano escolar possibilitou ainda ampliar a percepção das pibidianas sobre as responsabilidades da profissão docente e favorecer o desenvolvimento de autonomia, sensibilidade, postura ética e capacidade de reconhecer e respeitar as diferenças. O AEE passou a ser compreendido não apenas como um espaço destinado ao atendimento de necessidades específicas, mas como um ambiente educativo marcado por interações, afetos, descobertas e aprendizagens, no qual podem ser construídas estratégias que favoreçam o desenvolvimento integral das crianças. Outro resultado significativo foi o fortalecimento da relação entre universidade e escola, permitindo que as estudantes deixassem de perceber a instituição escolar somente como local de aplicação de conhecimentos e passassem a compreendê-la também como espaço de produção de saberes. O contato com situações reais, com as crianças e com os profissionais da educação contribuiu para uma formação mais crítica, reflexiva e comprometida com a inclusão. Conclui-se que a inserção das mulheres pibidianas no AEE da EMEI Leonel constitui uma experiência formativa significativa, pois possibilita vivenciar a complexidade da docência, compreender a importância de práticas acessíveis e reconhecer a necessidade de considerar cada criança em sua singularidade. A experiência contribui para a construção da identidade profissional das futuras professoras, fortalecendo princípios como escuta, respeito às diferenças, colaboração, planejamento e compromisso com uma educação inclusiva e de qualidade. Além disso, evidencia a relevância do PIBID como espaço de articulação entre universidade e escola pública, favorecendo uma formação docente conectada às demandas reais da Educação Infantil e contribuindo para que as futuras professoras desenvolvam práticas mais conscientes, sensíveis e comprometidas com a participação e a aprendizagem de cada crianca.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2026-10-02

Como Citar

Da Universidade Ao Chao da Escola. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122580. Acesso em: 27 out. 2026.