Para Além da Formação Técnica: Experiência de Uma Estudante de Zootecnia em Um Projeto de Inovação Pedagógica
Palavras-chave:
Inovação, Pedagógica, Desenho, Universal, para, Aprendizagem, Formação, AcadêmicaResumo
A graduação em Zootecnia é tradicionalmente associada ao desenvolvimento de conhecimentos técnicos e científicos voltados à atuação profissional. Entretanto, a formação universitária também envolve o desenvolvimento de habilidades relacionadas à comunicação, à criatividade, ao trabalho coletivo, à capacidade de adaptação e à reflexão sobre os próprios processos de aprendizagem. Nesse contexto, experiências desenvolvidas em projetos de inovação pedagógica podem ampliar as possibilidades formativas dos estudantes, permitindo sua participação em atividades que ultrapassam os espaços tradicionais de ensino. Embora essas experiências façam parte da trajetória acadêmica, suas contribuições para a formação dos estudantes nem sempre são evidenciadas. Assim, torna-se relevante refletir sobre como a participação em iniciativas de inovação pedagógica pode contribuir para a construção de diferentes aprendizagens durante a graduação. Dessa forma, surge o interesse em relatar a experiência de uma estudante de Zootecnia em um projeto de inovação pedagógica, buscando refletir sobre as aprendizagens construídas a partir dessa vivência e sobre suas contribuições para uma formação que ultrapassa a dimensão exclusivamente técnica. A experiência aqui relatada é vivida por uma discente do curso de Zootecnia do Campus Dom Pedrito da Universidade Federal do Pampa, bolsista do projeto de inovação pedagógica "Inclusão e Acessibilidade Pedagógica na Graduação: uma abordagem multidisciplinar baseada no Desenho Universal para Aprendizagem (DUA)", que articula os seis cursos de graduação do campus em torno de práticas pedagógicas inclusivas. Ingressar em um projeto voltado à inclusão e à acessibilidade pedagógica, vindo de uma área das ciências agrárias, foi, desde o início, um convite a olhar para a universidade por um ângulo pouco familiar: não mais o das técnicas de manejo ou dos processos produtivos, mas o das pessoas, de suas diferentes formas de aprender e das barreiras que muitas vezes passam despercebidas em uma sala de aula. Essa aproximação entre um campo de formação eminentemente técnico e as discussões sobre diversidade, aprendizagem e direitos educacionais tornou-se um dos aspectos mais marcantes da vivência. No dia a dia como bolsista, as atividades incluíram o levantamento de estudantes com Necessidades Educacionais Específicas matriculados nos seis cursos do campus, a realização de entrevistas de mapeamento de barreiras pedagógicas, a participação em capacitação sobre os princípios do Desenho Universal para Aprendizagem e sobre tecnologias assistivas, a produção e adaptação de materiais didáticos acessíveis como organizadores gráficos, roteiros visuais, mapas conceituais e glossários, o apoio à organização de oficinas de sensibilização docente, e a elaboração de registros e relatórios periódicos de acompanhamento das atividades. Ouvir relatos de colegas sobre as dificuldades que enfrentam para acompanhar as aulas, e perceber o quanto pequenos ajustes em um material ou em uma explicação podem fazer diferença na permanência de alguém no curso, tem sido, talvez, o aprendizado mais transformador dessa experiência ainda em curso. A fase inicial de diagnóstico, concluída no primeiro mês de execução do projeto, permitiu um contato direto com a realidade dos estudantes com NEE do campus, revelando barreiras pedagógicas concretas e favorecendo o desenvolvimento de um olhar mais sensível às diferentes formas de aprender. A capacitação inicial em DUA ampliou o repertório conceitual sobre acessibilidade pedagógica, permitindo relacionar princípios até então distantes da formação de origem com práticas de ensino cotidianas. O envolvimento na produção dos primeiros materiais acessíveis, ainda em fase de testagem, exigiu o exercício de criatividade e de uma escrita voltada à clareza e à multiplicidade de formas de representação do conteúdo competências pouco exploradas na formação técnica tradicional em Zootecnia, mas que se revelaram tão necessárias quanto as habilidades técnicas já dominadas. Considera-se, a partir dessa vivência ainda em curso, que a experiência como bolsista em um projeto de inovação pedagógica multidisciplinar contribui para uma formação acadêmica que ultrapassa a dimensão exclusivamente técnica, favorecendo o desenvolvimento de competências comunicacionais, colaborativas e reflexivas, além de uma sensibilidade renovada para a diversidade presente na universidade. A experiência evidencia, ainda, o potencial formativo de projetos que aproximam estudantes de áreas distintas de discussões sobre inclusão e diversidade, indicando que a formação universitária se enriquece quando extrapola os limites disciplinares de origem.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Para Além da Formação Técnica: Experiência de Uma Estudante de Zootecnia em Um Projeto de Inovação Pedagógica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122578. Acesso em: 22 out. 2026.