Diagnóstico Socioantropológico: Subsídios para o Planejamento Pedagógicos no Pibid

Autores

  • Yanka Lima
  • Eduardo Oliveira Bendik
  • Mateus Wazmuth
  • Laura Freire Mello
  • Rafael Lucyk Maurer

Palavras-chave:

Dossiê, Escola, PIBID

Resumo

O aperfeiçoamento das práticas pedagógicas na educação básica requer investigações preliminares que assegurem a relevância e a aplicabilidade das ações no ambiente escolar. Sob essa perspectiva, a estruturação de um dossiê socioantropológico atua como um diagnóstico essencial, interligando o planejamento didático à realidade concreta vivida pela comunidade local. Este diagnóstico socioantropológico foi realizado na Escola Estadual de Ensino Fundamental Heloísa Louzada, em Dom Pedrito/RS, por bolsistas do subprojeto Ciências da Natureza do PIBID, vinculados à licenciatura em Ciências da Natureza da Universidade Federal do Pampa, campus Dom Pedrito. O estudo mapeou as percepções de professores, servidores, estudantes e pais e/ou responsáveis. A pesquisa assume caráter exploratório-descritivo de cunho diagnóstico, adotando uma abordagem quali-quantitativa. Na etapa inicial, realizou-se o levantamento documental da instituição por meio da análise detalhada de seu Projeto Político Pedagógico (PPP), abrangendo dados sobre a evolução histórica, infraestrutura física, normas oficiais e diretrizes pedagógicas. Posteriormente, estruturaram-se questionários direcionados a quatro públicos da comunidade escolar: professores (9 perguntas), funcionários (5 perguntas), estudantes (7 perguntas) e pais e/ou responsáveis (6 perguntas). Os instrumentos continham questões abertas e fechadas abordando os métodos didáticos dos docentes; a inserção e atuação dos funcionários no cotidiano escolar; o nível de conhecimento histórico dos alunos sobre a escola, bem como suas preferências de lazer e demandas em Ciências; e, por fim, o perfil de escolaridade e a visão dos pais e/ou responsáveis sobre o estabelecimento de ensino. Após a coleta, as respostas foram tabuladas no software Microsoft Excel e submetidas à análise descritiva. A Escola Estadual de Ensino Fundamental Heloísa Louzada iniciou suas atividades em 16 de junho de 1975, mediante convênio entre a Secretaria da Educação e o Programa de Expansão e Melhoria do Ensino (PREMEN). A instituição oferece turmas de Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do 6º ao 9º ano nos turnos da manhã, tarde e noite, contando com um corpo social formado por 20 professores, 07 funcionários e 208 estudantes no total. A investigação de campo ocorreu de março a julho de 2026, com uma amostra total de 88 entrevistados, englobando 10 professores, 6 funcionários, 104 alunos e 20 pais e/ou responsáveis. Os docentes pesquisados apresentam uma média de 6,8 anos de atuação na escola, identificando-se profissionais com 24 anos de serviço e outros com menos de 1 ano. No tocante aos recursos didáticos, verificou-se que os professores possuem familiaridade teórica com metodologias ativas e estratégias inovadoras, porém nota-se um distanciamento entre esse conhecimento e a aplicação em sala de aula, possivelmente devido a restrições de infraestrutura e tecnologia da escola. Entre as abordagens citadas, somente 2 professores mencionaram conhecer a experimentação como ferramenta pedagógica, mas nenhum deles a utiliza na rotina escolar. A análise das respostas dos estudantes evidenciou que eles reconhecem a escola como um ambiente de aprendizagem, mas também dão grande importância às atividades esportivas, culturais e aos momentos de socialização, ao mesmo tempo em que manifestaram interesse pela expansão de práticas pedagógicas dinâmicas, sobretudo nas aulas de Ciências. Especificamente sobre o ensino de Ciências, os alunos expressaram o desejo de frequentar mais o laboratório, participar de feiras de ciências e realizar experimentos práticos. Tal cenário reforça a relevância de ações pedagógicas que conectem os conteúdos científicos ao cotidiano dos estudantes, tornando o aprendizado participativo e contextualizado. No segmento dos funcionários, constatou-se que a maioria trabalha há mais de cinco anos no local, evidenciando estabilidade funcional e um sólido conhecimento sobre o ambiente escolar. Metade dos entrevistados indicou não ter planos de implementar projetos específicos, reflexo provável de suas atribuições diárias acumuladas. Verificou-se a predominância de pais e mães como respondentes, concentrados na faixa etária entre 20 e 50 anos, com um perfil de escolaridade que transita do ensino fundamental incompleto ao nível superior, destacando-se aqueles ensino médio concluído. A preferência pela escola justifica-se sobretudo pela localização acessível e pelo histórico de familiares egressos. O dossiê socioantropológico revelou-se um instrumento de pesquisa eficaz para o direcionamento das atividades do PIBID na instituição, fomentando soluções para as demandas da comunidade e viabilizando metodologias condizentes com a realidade local. A atuação do subprojeto buscou preencher as lacunas identificadas nas práticas educacionais, aprimorando o processo de ensino-aprendizagem tanto dos alunos quanto dos próprios licenciandos bolsistas do programa.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Diagnóstico Socioantropológico: Subsídios para o Planejamento Pedagógicos no Pibid. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122577. Acesso em: 30 out. 2026.