Letramento Digital, Engajamento e Autoeficácia na Alternância Pedagógica: Reformulação de um Projeto de Pesquisa
Palavras-chave:
Educação, Campo, Alternância, pedagógica, Letramento, digital, Engajamento, acadêmico, Autoeficácia, acadêmicaResumo
A alternância pedagógica, princípio organizador da Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), articula Tempo Universidade (TU) e Tempo Comunidade (TC), aproximando a formação acadêmica das realidades socioterritoriais dos estudantes. Entre esses tempos, condições de deslocamento, trabalho, responsabilidades familiares, conectividade e equipamentos podem interferir na organização dos estudos e na participação acadêmica. Nesse contexto, compreender o acesso digital apenas como disponibilidade de internet mostra-se insuficiente, pois também envolve qualidade da conexão, adequação dos dispositivos, repertórios de uso e mediações pedagógicas e institucionais. Este trabalho objetiva analisar como práticas de letramento digital, a aproximação com condições territoriais de acesso e oficinas realizadas no TU modificaram quatro dimensões de um projeto de pesquisa: problema de pesquisa, compreensão do acesso digital, planejamento das oficinas e delineamento metodológico. Trata-se de relato de experiência qualitativo, descritivo-analítico e reflexivo. A sistematização considerou registros de orientação, observações do componente de Letramento Digital e da aproximação a Tenente Portela, em 18 e 19 de maio de 2026, além de planejamentos e registros das oficinas. A aproximação territorial, tomada como elemento formativo e não generalizável, evidenciou limitações de conectividade, uso predominante do celular e necessidade de recorrer a computadores de escolas locais para atividades acadêmicas. Essas condições ampliaram a compreensão de acesso digital, que passou a considerar não apenas a presença de internet, mas também sua estabilidade, os dispositivos disponíveis e os repertórios de uso. As dificuldades observadas deixaram, assim, de ser compreendidas exclusivamente como limitações individuais e passaram a ser relacionadas também às condições materiais e territoriais de acesso. Como desdobramento, as oficinas do TU de inverno, realizadas em 16, 23 e 30 de julho de 2026, com estudantes distribuídos em duas turmas, priorizaram práticas executáveis pelo celular e vinculadas às demandas acadêmicas, envolvendo e-mail institucional, GURI, Google Drive, organização de arquivos e produção acadêmica. Dificuldades de navegação, interpretação de documentos, localização de informações e diferenças entre dispositivos contribuíram para a revisão do planejamento, sem constituírem medidas dos efeitos das oficinas sobre os participantes. Como resultados preliminares, o projeto deixou de priorizar uma solução tecnológica e passou a investigar como os estudantes percebem engajamento e autoeficácia na alternância; ampliou a compreensão do acesso digital; reorganizou a ação formativa segundo condições concretas de uso; e redefiniu o delineamento metodológico. Engajamento e autoeficácia tornaram-se conceitos centrais da pesquisa futura, enquanto a tecnologia passou de solução antecipada a mediação pedagógica, institucional e territorial. Em vez de pressupor que determinada ferramenta produza maior autonomia ou participação, a pesquisa passa a considerar como os estudantes percebem suas capacidades para enfrentar demandas acadêmicas e sua participação nos diferentes tempos da alternância. O percurso resultou na delimitação de um estudo de caso qualitativo, com questionário de caracterização, entrevistas semiestruturadas e análise de conteúdo, destinados a contextualizar condições de acesso e uso das tecnologias e aprofundar experiências relacionadas ao engajamento, à autoeficácia e à organização dos estudos. Conclui-se que a experiência reformulou a pergunta de pesquisa, a compreensão do acesso digital, o planejamento das oficinas e o método, sem permitir inferências, nesta etapa, sobre efeitos das oficinas no desempenho, na autonomia, no engajamento ou na autoeficácia dos participantes. O principal resultado está na transformação do olhar investigativo, tornando a pesquisa mais articulada às condições concretas dos estudantes e às especificidades da alternância pedagógica.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Letramento Digital, Engajamento e Autoeficácia na Alternância Pedagógica: Reformulação de um Projeto de Pesquisa. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122570. Acesso em: 23 out. 2026.