Axé para quem é de Axé: Orixás, ancestralidade e ecojoias na educação das relações étnico-raciais
Palavras-chave:
Ancestralidade, Educação, antirracista, Saberes, afro-brasileiros, Religiosidade, EcojoiasResumo
A presente prática pedagógica foi desenvolvida com estudantes do 9º ano do Instituto Estadual de Educação Professor Isaías, localizado no município de Santiago-RS, a partir da articulação entre as disciplinas de Arte, Língua Portuguesa e Protagonismo. A proposta teve como ponto de partida a criação de ecojoias como estratégia pedagógica para trabalhar, de forma integrada, os princípios da economia circular, a valorização da diversidade cultural e a Educação das Relações Étnico-Raciais. O trabalho foi planejado com o objetivo de possibilitar aos estudantes uma experiência de aprendizagem que ultrapassasse a produção artística, utilizando a criação de objetos como instrumento para pesquisar, conhecer, valorizar e socializar saberes relacionados às culturas africanas e afro-brasileiras. Fundamentada nos princípios das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, a prática buscou contribuir para o reconhecimento da presença, da contribuição e da permanência dos saberes de matriz africana na sociedade, bem como para a desconstrução de estereótipos e processos de desinformação relacionados às religiosidades de matriz africana. No desenvolvimento da proposta, os estudantes foram desafiados a pesquisar os Orixás, seus significados, símbolos, características, narrativas, elementos culturais e relações com a ancestralidade. Como resultado dessa investigação, elaboraram um calendário dos Orixás e desenvolveram, para cada Orixá estudado, uma coleção específica de ecojoias. As peças foram concebidas como produções artísticas carregadas de significado, buscando comunicar aspectos relacionados à religiosidade, à ancestralidade, à memória, à identidade e à transmissão de conhecimentos. O processo pedagógico envolveu pesquisa, leitura e interpretação de informações, produção textual, discussão coletiva, elaboração de conceitos, planejamento visual, experimentação de materiais, criação artística e socialização dos conhecimentos construídos. A perspectiva da economia circular esteve presente na utilização de materiais reaproveitados como matéria-prima para as produções, permitindo aos estudantes compreenderem que materiais descartados podem ser ressignificados e reinseridos em novos processos de criação. Entretanto, o reaproveitamento não foi tratado apenas sob uma perspectiva ambiental, mas como parte de uma proposta educativa que relacionou sustentabilidade, cultura e responsabilidade social. Nesse percurso, também foi trabalhada a compreensão das mulheres como territórios de saberes, reconhecendo seu papel na preservação, transmissão e continuidade de conhecimentos ancestrais e culturais. A prática possibilitou que os estudantes assumissem uma postura investigativa e protagonista diante dos conteúdos, participando da construção das produções e estabelecendo relações entre os conhecimentos escolares e diferentes formas de saber. Como resultados, observou-se a ampliação do repertório cultural dos estudantes, o desenvolvimento de habilidades de pesquisa, comunicação, expressão artística e trabalho coletivo, além da construção de conhecimentos sobre os Orixás e sobre as religiosidades de matriz africana a partir de uma perspectiva de respeito e valorização. A elaboração do calendário e das coleções de ecojoias constituiu-se como uma forma de materializar os conhecimentos pesquisados e possibilitar seu retorno à comunidade escolar, contribuindo para a circulação de informações e para a valorização de saberes historicamente invisibilizados ou abordados de forma estereotipada. A experiência demonstrou que a prática artística pode constituir-se como uma potente estratégia pedagógica para o desenvolvimento da Educação das Relações Étnico-Raciais, especialmente quando articulada à pesquisa, à produção de conhecimento e ao protagonismo estudantil. Conclui-se que a criação das ecojoias possibilitou transformar a sala de aula em um espaço de investigação, criação e diálogo, no qual os estudantes puderam reconhecer a ancestralidade africana e afro-brasileira como fonte de conhecimento, cultura e identidade. A proposta reafirma a importância de práticas pedagógicas que valorizem a diversidade, promovam o respeito às diferentes manifestações culturais e religiosas e contribuam para uma educação pública comprometida com a formação integral, com o enfrentamento ao racismo e com a construção de relações étnico-raciais mais respeitosas e socialmente justas.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Axé para quem é de Axé: Orixás, ancestralidade e ecojoias na educação das relações étnico-raciais. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122568. Acesso em: 22 out. 2026.