Desafios e Aprendizagens na Formação Docente a Partir do Clubinho de Ciências

Autores

  • Ana Luiza Borges Ceccon Lanes
  • Laura Gomes de Vasconcellos Avila
  • Carla Beatriz Spohr
  • Tatiana Horst de Oliveira Fioravanti

Palavras-chave:

Formação, professores, Prática, pedagógica, Anos, iniciais, Planejamento, docente, Ensino, Ciências

Resumo

Uma das experiências mais significativas que desenvolvemos através do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) tem sido a participação no Clubinho de Ciências. O Clube de Ciências nos possibilitou um contato mais direto com crianças dos anos iniciais, envolvendo turmas do 2º, 3º, 4º e 5º ano. Desde os primeiros encontros, vimos que cada turma possui características próprias, tanto em relação à idade quanto à forma de interagir, participar e compreender as propostas. Por isso, adaptamos algumas atividades, nossa maneira de explicar e organizar os encontros. Inicialmente, os encontros do Clube de Ciências foram planejados para ocorrer com duas turmas simultaneamente, durante uma hora e meia. Diante da análise do número de estudantes, identificamos que essa organização não seria adequada. Em diálogo com a professora supervisora, reorganizamos os encontros, passando a atender duas turmas por período, com aproximadamente 40 minutos para cada turma. A partir dessa reorganização, tentamos planejar as atividades adaptando-as ao tempo disponível e considerando as etapas de problematização, organização do conhecimento e aplicação do mesmo. Porém, percebemos que, com apenas 40 minutos por turma, nem sempre era possível desenvolver todas as etapas de maneira completa. Essa necessidade de adaptação ficou mais evidente durante uma das primeiras atividades do Clubinho, na qual planejamos construir coletivamente um cartaz com algumas regras simples do clubinho. A proposta inicial era conversar com as crianças sobre as regras do Clube e, em seguida, entregar folhas para que os estudantes do 2° e do 3° anos pudessem representá-las por meio de desenhos. A ideia era reunir os desenhos das crianças e construir um cartaz que representasse as regras do Clube e tivesse a participação dos próprios alunos. No entanto, durante a realização da atividade, percebemos que grande parte das crianças acabou desenhando as mesmas regras. Diante disso, foi preciso pensar em outra maneira de continuar a atividade sem deixar de aproveitar aquilo que os alunos já haviam produzido. Em vez de considerar que a proposta não havia funcionado, decidimos utilizar partes dos desenhos realizados pelos estudantes do 2º e do 3º ano para montar as representações das regras do Clube. Nas semanas seguintes, ampliamos a participação das turmas do 4º e do 5º ano e ressignificamos a atividade a partir das contribuições de cada grupo. Os estudantes do 4º ano participaram da colagem das imagens, enquanto o 5º ano contribuiu com a decoração e a caracterização do cartaz, realizando desenhos ao seu redor. Assim, mesmo que a atividade tenha tomado um caminho diferente daquele que havíamos planejado inicialmente, conseguimos reunir a participação das quatro turmas em uma única produção, despertando o interesse dos estudantes, que demonstraram vontade de contribuir com o cartaz e participar de sua construção. Essa experiência nos mostrou, de maneira concreta, que o planejamento é um ponto de partida para uma aula e precisa estar aberto para mudanças de acordo com a realidade em sala de aula. Compreendemos que cada turma e cada estudante pode interpretar uma mesma orientação de diversas maneiras e que, diante de momentos inesperados, é necessário observar os alunos, valorizar o que foi construído e buscar outras possibilidades para dar continuidade ao trabalho. Fazer parte do PIBID tem sido uma experiência desafiadora e significativa para nossa formação, pois tivemos a oportunidade de conhecer diferentes realidades dentro da escola e compreender que a formação de uma professora não acontece apenas dentro da universidade. Estarmos inseridas no ambiente escolar nos permite planejar, observar, experimentar e lidar com situações que nem sempre conseguimos prever. Ao trabalhar com estudantes dos anos iniciais, houve a necessidade de adaptar atividades, modificar a maneira de explicar e encontrar diferentes formas de chegar aos alunos. Essas experiências contribuíram para aumentar nossa compreensão sobre a docência e sobre a importância de conhecer a turma, observar suas respostas e estar disposta a modificar o planejamento quando necessário. Também passamos a reconhecer melhor nossas próprias características enquanto futuras professoras, entendendo que nossas dificuldades podem ser desenvolvidas ao longo da formação e que nossas diferentes facilidades podem se complementar durante o trabalho em conjunto. Dessa forma, o Clubinho de Ciências proporcionou aprendizados que ultrapassaram os conteúdos de Ciências, especialmente relacionados à adaptação, à observação, ao planejamento, ao trabalho em equipe e ao reconhecimento de nossas próprias características enquanto futuras professoras. Essas experiências contribuíram para a construção de nossa identidade docente e reforçaram a importância do PIBID na aproximação entre a formação acadêmica e a realidade escolar.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Desafios e Aprendizagens na Formação Docente a Partir do Clubinho de Ciências. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122565. Acesso em: 23 out. 2026.