Mulheres na Licenciatura em Física: Representatividade, Permanência e Formação Docente
Palavras-chave:
Gênero, Equidade, PertencimentoResumo
A participação das mulheres na educação superior brasileira tem avançado, mas essa presença ainda ocorre de maneira desigual entre as áreas do conhecimento, especialmente nas Ciências Exatas. Na Física, a representatividade feminina permanece inferior à masculina, configurando um desafio que envolve não apenas o ingresso na graduação, mas também a permanência, o sentimento de pertencimento, a participação acadêmica e a construção da identidade profissional. Este trabalho tem como objetivo analisar a realidade das mulheres na formação em Física, com atenção aos desafios de representatividade, permanência acadêmica e formação docente, considerando particularmente o contexto da Licenciatura em Física da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Bagé. A relevância da temática também se relaciona ao eixo Territórios de Saberes: Mulheres, Ciência e Ancestralidade, proposto para o 18º Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão (SIEPE), ao valorizar o protagonismo feminino na produção do conhecimento científico e acadêmico. O estudo caracteriza-se como uma investigação qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, fundamentada em levantamento bibliográfico, consulta a informações institucionais e análise de discussões produzidas por instituições científicas brasileiras sobre a participação feminina na educação superior e na Física. Como aproximação da realidade local, considera-se a participação de mulheres na Licenciatura em Física da UNIPAMPA, observando aspectos relacionados à presença discente, experiências acadêmicas, percepção de pertencimento, dificuldades encontradas e perspectivas profissionais. Caso sejam utilizados questionários ou entrevistas, sua realização deverá observar os procedimentos éticos aplicáveis às pesquisas envolvendo seres humanos. A análise desenvolvida indica que a ampliação do acesso ao ensino superior não assegura, isoladamente, condições de igualdade na formação em Física. Entre os aspectos que demandam atenção estão a baixa representatividade feminina em determinados espaços da área, os estereótipos associados à capacidade das mulheres para as Ciências Exatas, a necessidade de ampliar referências femininas na ciência e os desafios relacionados à permanência e à conclusão da graduação. Também se destacam fatores acadêmicos e relacionais, como confiança, sentimento de pertencimento, participação em atividades experimentais e de pesquisa, relações interpessoais e expectativas profissionais, que podem influenciar a trajetória universitária. O levantamento apresentado no trabalho registra, ainda, que dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com base em levantamento da Sociedade Brasileira de Física, indicavam que, em 2018, as mulheres correspondiam a 32% dos associados da entidade. Esse dado reforça a necessidade de ampliar a discussão sobre a presença feminina na Física e de compreender os fatores que podem favorecer sua participação e permanência. Na formação de professoras, a representatividade assume dimensão educacional adicional, pois mulheres atuando como professoras, pesquisadoras e profissionais da Física podem ampliar as referências disponíveis às estudantes da educação básica e contribuir para questionar a associação histórica entre Ciências Exatas e masculinidade. Nesse sentido, a Licenciatura em Física constitui espaço relevante para promover reflexões sobre diversidade, inclusão e reconhecimento das trajetórias femininas na ciência. Como possibilidades de contribuição, destacam-se a valorização de pesquisadoras e professoras de Física, a divulgação de trajetórias femininas, a realização de atividades acadêmicas sobre mulheres na ciência e a criação de espaços de diálogo sobre as experiências das estudantes. Conclui-se que discutir mulheres na Licenciatura em Física exige ultrapassar uma perspectiva centrada exclusivamente no número de ingressantes ou matriculadas, considerando também as condições de permanência, participação, reconhecimento e desenvolvimento acadêmico. A ampliação da representatividade feminina pode contribuir para a desconstrução de estereótipos, fortalecer o sentimento de pertencimento e favorecer uma formação docente mais consciente das questões sociais presentes no ensino de Física. No contexto da UNIPAMPA, essa discussão aproxima a formação acadêmica de desafios contemporâneos e reforça a importância de construir ambientes formativos nos quais as mulheres possam ingressar, permanecer, desenvolver suas potencialidades e reconhecer-se como protagonistas da ciência e da educação.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Mulheres na Licenciatura em Física: Representatividade, Permanência e Formação Docente. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122563. Acesso em: 22 out. 2026.