Corporeidade e Saúde Mental: Compreendendo o Estresse e Autorregulação nos Anos Finais do Ensino Fundamental
Palavras-chave:
Corporeidade, Saúde, física, mental, AutorregulaçãoResumo
Este texto apresenta resultados parciais de uma pesquisa que aborda a corporeidade de estudantes dos anos finais do ensino fundamental em uma escola pública. O cenário atual desvela jovens exaustos e apáticos, o que dialoga com o conceito de "Sociedade do Cansaço", de Byung-Chul Han, onde o imperativo do desempenho gera o esgotamento. Essa realidade agride o paralelismo psicofísico de Baruch Espinosa, que defende que a mente e o corpo sofrem e agem juntos: se o corpo é paralizado e afetado negativamente, a mente adoece e perde sua potência de agir. Ademais, a escola silencia esses corpos, ignorando que o ato pedagógico deixa marcas profundas, conforme postula Fátima Freire Dowbor no livro Quem educa marca o corpo do outro. O objetivo desta pesquisa consiste em relatar as vivências iniciais na identificação das queixas corporais e emocionais dos discentes, propondo ações integradas entre a atividade física e a psicologia escolar para resgatar a potência vital dos estudantes. Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa, atualmente em fase inicial de desenvolvimento. As ações ocorrem por meio de observações, questionários e relatos dos participantes durante as aulas, explorando o sentir e vivenciar cada experiência nos diferentes momentos e espaços de convivência escolar, mapeando as marcas corporais do cotidiano. Também são realizadas rodas de conversa temáticas mediadas pela psicologia escolar, focadas na expressão dos afetos. Os registros são feitos em diários de campo para posterior análise de conteúdo. Com a segunda etapa desta pesquisa, que consiste na coleta de dados, espera-se mapear as maiores queixas dos estudantes, como ansiedade e o cansaço extremo provocado pela autocobrança. Os resultados parciais da pesquisa, fundamentados na análise de Byung-Chul Han apontam para o fato de que a principais causas do esgotamento físico e mental são promovidos pela autoexploração voluntária sob a ilusão de ter total liberdade e a busca por auto realização desta sociedade de desempenho, o excesso de positividade, falta de contemplação e a constância em ser seu auto carrasco. Busca-se demonstrar que a atividade física e o suporte psicológico reconectam o aluno com sua corporeidade. Espera-se criar um espaço seguro para que as marcas deixadas pela educação sejam de afeto positivo, cooperação e acolhimento, ajudando os estudantes a sentirem no corpo estes afetos, comparando-os e percebendo quais manejos de auto regulação podem ser usados para recuperarem sua alegria e energia de viver. Sendo uma abordagem necessária não só para o momento atual, mas para garantir sua autonomia e longevidade. Conclui-se que o olhar integrado sobre o corpo é urgente na educação básica pública. O modelo educacional tradicional frequentemente privilegia o desenvolvimento cognitivo em detrimento do corpo, tratando a experiência corporal apenas como um "suporte" para a mente. Ao integrar o corpo ao processo pedagógico, rompe-se com a fragmentação do indivíduo, alinhando-se à perspectiva de Espinosa, onde mente e corpo operam de maneira indissociável na construção do conhecimento e no bem-estar. A articulação entre psicologia escolar e movimento físico atua como resistência aos adoecimentos modernos Bournout, Dores Crônicas, TDAH, entre ouras. Unindo a filosofia de Espinosa, a crítica de Han e a pedagogia do afeto de Fátima Freire, reafirma-se a necessidade de uma escola que promova encontros saudáveis, cuidando do corpo para potencializar a mente e a humanização de quem aprende.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Corporeidade e Saúde Mental: Compreendendo o Estresse e Autorregulação nos Anos Finais do Ensino Fundamental. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122562. Acesso em: 27 out. 2026.