A Roda, o Brinquedo e o Afeto

Autores

  • Andressa Machado
  • Darielle Furtado Haubmann
  • Everton Fêrrêr de Oliveira

Palavras-chave:

PIBID, Atendimento, Educacional, Especializado, Educação, Infantil, Afetividade, Ludicidade

Resumo

O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) constitui uma importante política pública voltada à formação inicial de professores, promovendo a aproximação entre universidade e escola pública e possibilitando aos licenciandos vivenciar situações concretas do cotidiano escolar. Nesse contexto, o presente trabalho apresenta um relato de experiência desenvolvido no Atendimento Educacional Especializado (AEE) da Escola Municipal de Educação Infantil Governador Leonel de Moura Brizola, localizada no município de Arroio Grande/RS, envolvendo crianças de 0 a 5 anos. A experiência possibilitou compreender a importância das relações estabelecidas no ambiente educativo e, especialmente, do brincar, das interações e da afetividade no atendimento às crianças público da Educação Especial. Diante das experiências vivenciadas, o trabalho partiu da seguinte questão: como a roda, o brinquedo e o afeto contribuem para a construção de vínculos entre as pibidianas e as crianças atendidas no AEE? Assim, o objetivo foi analisar as contribuições desses elementos para a construção e o fortalecimento dos vínculos afetivos, para a participação e a aprendizagem das crianças e para a formação acadêmica e docente das participantes do PIBID. O estudo caracteriza-se como uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza aplicada, desenvolvida a partir de um relato de experiência de caráter descritivo. As ações foram organizadas em diferentes momentos, iniciando pela observação participante do cotidiano do AEE e das interações estabelecidas com as crianças. Esse período possibilitou conhecer suas particularidades, interesses, formas de comunicação, necessidades e maneiras de participar das propostas. Posteriormente, foram planejadas e realizadas intervenções pedagógicas lúdicas, considerando as observações realizadas e respeitando o ritmo de cada criança. Entre as propostas desenvolvidas estiveram brincadeiras, jogos pedagógicos, jogos de memória com letras e números, atividades envolvendo vogais, números, coordenação motora fina, atenção, concentração e comunicação. Também foram utilizados brinquedos pedagógicos e materiais recicláveis, como tampinhas, garrafas PET e caixas, buscando oferecer experiências concretas, lúdicas e significativas. O processo contou ainda com momentos de diálogo, acompanhamento e reflexão com a supervisora e com o coordenador de área do PIBID, contribuindo para a avaliação e reorganização das práticas desenvolvidas. Como instrumentos de acompanhamento e registro das experiências, foram utilizados o diário de campo e o diário de bordo, nos quais foram registradas as atividades realizadas, as respostas das crianças, as interações, as dificuldades encontradas, os avanços percebidos e outras situações consideradas significativas. Os registros foram analisados de maneira descritivo-reflexiva e contribuíram para compreender que o planejamento não deve ser considerado algo rígido, pois uma atividade pode necessitar de adaptações durante sua realização, conforme as respostas e necessidades apresentadas pelas crianças. Nos primeiros contatos, observou-se que algumas crianças apresentavam resistência em participar dos atendimentos ou necessitavam de maior acolhimento e aproximação com as pibidianas. Com a continuidade dos encontros, das brincadeiras, das rodas, do diálogo e das interações, percebeu-se gradativamente a construção de vínculos afetivos. As crianças passaram a demonstrar maior aproximação, confiança, participação e interesse pelas propostas desenvolvidas. Também foi possível observar que os materiais concretos, os jogos e as atividades lúdicas favoreciam o envolvimento das crianças e possibilitavam trabalhar diferentes habilidades de maneira mais significativa. Nesse processo, tornou-se evidente que cada criança apresenta seu próprio ritmo, suas potencialidades, seus interesses e suas formas de aprender e se comunicar, sendo necessário desenvolver um olhar atento e sensível para reconhecer essas particularidades. As experiências dialogam com Ostetto (2017), ao destacar a observação e os registros como instrumentos fundamentais para compreender as experiências infantis e refletir sobre a prática pedagógica; com Vygotsky (2007), ao compreender as interações sociais e a mediação como elementos importantes para o desenvolvimento e a aprendizagem; e com Mantoan (2003), ao defender uma perspectiva inclusiva que reconheça e valorize as diferenças existentes no espaço escolar. A experiência também apresentou contribuições significativas para a formação inicial das pibidianas, proporcionando maior aproximação com a realidade da Educação Infantil e da Educação Inclusiva.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2026-10-02

Como Citar

A Roda, o Brinquedo e o Afeto. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122559. Acesso em: 6 nov. 2026.