A Diversificação Pedagógica Como Estratégia para a Inclusão de Estudantes com Deficiência Intelectual

Autores

  • Celso Ferreira
  • Rosangela Borges Farias
  • Michaella Lima de Lima
  • Claudete Ribeiro Leal
  • Maria Lucia Giozza Hernandes

Palavras-chave:

Inclusivo, Educação, Prática

Resumo

A mediação pedagógica em turmas inclusivas exige romper com o modelo de ensino homogêneo. Conforme postula Mantoan (2015), a inclusão radical implica transformar a estrutura escolar para que a diversidade seja a norma, e não a exceção. Paralelamente, o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), fundamentado por Meyer, Rose e Gordon (2014), oferece uma matriz teórica que propõe planejar desde a origem atividades flexíveis, ajustáveis a variados estilos e níveis de aprendizagem. Durante o desenvolvimento da prática focada na temática de Ecossistemas e Cadeias Alimentares , as atividades tradicionais pautadas unicamente na leitura e cópia de textos foram substituídas por uma abordagem multissensorial e colaborativa. No início das sessões, os conteúdos teóricos foram expostos com o suporte de recursos visuais (infográficos simplificados, esquemas coloridos e cartões táticos com relevo). A mediação verbal baseou-se em instruções diretas e fracionadas em etapas, permitindo que o estudante com DI assimilasse os conceitos fundamentais de "produtores", "consumidores" e "decompositores".Para além da linguagem verbal, os alunos foram organizados em pequenos grupos heterogêneos de aprendizagem cooperativa. Essa interação entre pares, alinhada à perspectiva sócio construtivista de Vygotsky (1998), demonstrou que a Zona de Desenvolvimento Proximal é expandida de maneira significativa pelas trocas interpessoais. O estudante com DI atuou na montagem de uma maquete tridimensional do ecossistema, manipulando miniaturas de animais e plantas para demonstrar o fluxo de energia na cadeia alimentar, superando a barreira da escrita formal que anteriormente limitava sua demonstração de conhecimento. A experiência também evidencia que a inclusão escolar não se limita à presença do estudante com deficiência na sala de aula, mas envolve a criação de condições efetivas para sua participação e aprendizagem. Nesse sentido, o professor assume o papel de mediador, observando as necessidades individuais e reorganizando as estratégias pedagógicas sempre que necessário. A utilização de diferentes formas de apresentação dos conteúdos possibilitou que os estudantes tivessem mais de uma maneira de acessar e compreender o conhecimento. Os recursos visuais, táteis e concretos favoreceram, permitindo que conceitos que poderiam ser abstratos fossem representados de maneira mais acessível e significativa. Outro aspecto importante foi a aprendizagem entre pares, onde a organização dos alunos em grupos heterogêneos possibilitou a troca de conhecimentos, a cooperação e o desenvolvimento de atitudes de respeito às diferenças. O estudante com DI não foi colocado em uma posição de dependência, mas participou ativamente das tarefas, contribuindo para a construção coletiva da aprendizagem. A atividade com maquete do ecossistema mostrou-se uma estratégia significativa, pois permitiu trabalhar simultaneamente diferentes habilidades, como a observação, a coordenação motora, a comunicação, a organização, a interação social e a compreensão dos conteúdos científicos. Ao manipular os elementos da maquete e representar a cadeia alimentar, o aluno encontrou uma forma concreta de demonstrar aquilo que havia aprendido. Dessa maneira, a prática demonstra que avaliar a aprendizagem também significa reconhecer diferentes formas de expressão do conhecimento. Nem todos os estudantes precisam demonstrar o que sabem exclusivamente por meio da escrita, A participação oral, a manipulação de materiais, os desenhos, as representações e as atividades práticas também podem construir importantes evidências de aprendizagem. Portanto, a mediação pedagógica inclusiva exige do professor flexibilidade, sensibilidade e capacidade de observar cada estudante em sua singularidade. A experiência apresentada reforça que, quando as barreiras são reduzidas e são oferecidas estratégias diversificadas, o estudante com deficiência pode participar de maneira ativa e desenvolver suas potencialidades, fortalecendo uma educação verdadeiramente inclusiva.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

A Diversificação Pedagógica Como Estratégia para a Inclusão de Estudantes com Deficiência Intelectual. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122548. Acesso em: 22 out. 2026.