Práticas Emancipatorias de Letramento em Educação de Jovens, Adultos e Idosos
Palavras-chave:
Alfabetização, educação, popular, inclusãoResumo
O projeto Práticas Emancipatórias em Alfabetização e Letramentos na Educação de Jovens, Adultos e Idosos (PELEJAI) é desenvolvido no Campus Jaguarão da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), a partir da atuação do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI Mocinha), em articulação com a comunidade escolar e a Secretaria Municipal de Educação. A iniciativa surgiu diante dos desafios relacionados à oferta, ao acesso e à permanência de estudantes na Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI), especialmente em um contexto marcado por baixos índices de escolarização e pela necessidade de ampliar as oportunidades de alfabetização. O projeto busca contribuir para a construção de práticas educativas inclusivas, dialógicas e emancipatórias, reconhecendo os participantes como sujeitos de saberes e valorizando suas experiências de vida, seus conhecimentos e suas diferentes trajetórias. A proposta parte da compreensão de que a alfabetização não se limita ao domínio da leitura e da escrita, mas envolve também a possibilidade de compreender a realidade, participar da sociedade e ampliar as condições de exercício da cidadania. O desenvolvimento das ações ocorre por meio da aproximação entre universidade, escola e comunidade, com atividades de escuta, diálogo, rodas de conversa, oficinas e planejamento coletivo de práticas de alfabetização e letramento. A metodologia parte da observação da realidade educacional e da construção conjunta das ações, considerando as necessidades identificadas no cotidiano dos estudantes e dos profissionais envolvidos. As atividades são planejadas de maneira participativa, buscando estabelecer relações entre os conteúdos trabalhados e as experiências dos sujeitos, de modo que os conhecimentos escolares possam dialogar com os saberes construídos ao longo de suas trajetórias pessoais, profissionais e comunitárias. As ações também possibilitam a discussão de temas relacionados às relações étnico-raciais, à cidadania, à saúde, à segurança alimentar e aos conhecimentos produzidos nas experiências comunitárias, aproximando os saberes populares dos conhecimentos acadêmicos. Os resultados observados até o momento indicam que a proposta tem contribuído para fortalecer o diálogo entre os diferentes participantes e para ampliar a compreensão sobre os desafios enfrentados pela EJAI. A experiência evidencia a importância da escuta e da valorização das histórias de vida dos estudantes, que chegam aos espaços educativos trazendo conhecimentos construídos em diferentes contextos sociais e culturais. O reconhecimento desses saberes favorece uma prática pedagógica mais próxima da realidade dos participantes e contribui para superar uma visão limitada da alfabetização como simples transmissão de conteúdos. A participação de docentes, discentes, profissionais da educação e integrantes da comunidade favorece ainda a construção coletiva de estratégias pedagógicas e possibilita novas formas de pensar a alfabetização e o letramento de pessoas jovens, adultas e idosas. Outro resultado importante é a aproximação entre a universidade e a educação básica, criando possibilidades de atuação conjunta diante de demandas que, muitas vezes, permanecem invisibilizadas. Nesse processo, o PELEJAI também se constitui como espaço de formação e reflexão sobre a prática educativa, permitindo aos participantes compreender a educação como uma construção coletiva, relacionada às condições sociais, culturais e históricas dos sujeitos. A experiência demonstra ainda que as dificuldades enfrentadas pela EJAI exigem ações articuladas e permanentes, capazes de considerar fatores que interferem na participação e na permanência dos estudantes, como trabalho, responsabilidades familiares, deslocamento e experiências anteriores com a escola. Conclui-se que a experiência do PELEJAI demonstra a importância da articulação entre universidade, escola e comunidade para o fortalecimento da Educação de Jovens, Adultos e Idosos. A iniciativa amplia as possibilidades de alfabetização e letramento e contribui para a construção de práticas educativas fundamentadas no diálogo, na valorização dos saberes e no respeito às diferentes trajetórias. Ao reconhecer os participantes da EJAI como sujeitos ativos no processo educativo, o projeto fortalece perspectivas de inclusão, participação e emancipação social. Dessa forma, o PELEJAI reafirma a importância de ações educativas comprometidas com a realidade da comunidade e com a construção de espaços de aprendizagem mais acolhedores, democráticos e socialmente referenciados.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Práticas Emancipatorias de Letramento em Educação de Jovens, Adultos e Idosos. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122546. Acesso em: 2 nov. 2026.