Os Sentidos de Fronteira em Schlee: Práticas de Letramento Literário na Educação Básica
Palavras-chave:
Schlee, Letramento, Literário, PIBIDResumo
A proposta desenvolvida através do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID - Letras) objetivou aproximar os estudantes da trajetória e produção literária de Aldyr Garcia Schlee, escritor, jornalista, professor e desenhista nascido em Jaguarão, no Rio Grande do Sul, RS. Ele também ficou conhecido por criar o desenho do uniforme verde e amarelo da Seleção Brasileira de Futebol: Camisa Canarinho. O projeto, em andamento, ocorre no 8º ano da E.M.E.F. General Antônio de Sampaio. A escola atende o ensino fundamental, está localizada em uma região periférica e contempla alunos oriundos de situações de vulnerabilidade socioeconômica. A escolha do autor possibilitou estabelecer relações entre literatura, futebol, cultura, memória e identidade, utilizando um elemento conhecido como ponto de partida para aproximá-los da leitura: o futebol. A proposta buscou apresentar Schlee não apenas como o criador da camisa, mas também como escritor e representante da cultura regional fronteiriça. Leenhardt (2022) define a fronteira não apenas como uma linha de separação entre territórios, mas como um espaço de passagem, articulação e trocas culturais, marcado pela circulação e pela vivência entre comunidades. O trabalho procurou mostrar aos alunos que a literatura pode dialogar com diferentes aspectos do cotidiano, como futebol, memória, experiências pessoais e cultura, assim como viabilizar que o alunado possa fruir/ experienciar o texto literário fronteiriço estabelecendo sentidos. Para tal, nos ancoramos na proposta de Cosson (2025) que considera o letramento literário como um processo de apropriação da literatura enquanto linguagem e, para isto, é necessário criar condições para que os estudantes possam estabelecer significados a partir do/no texto literário. Distanciando-se de práticas meramente gramaticais ou de leituras com respostas prontas. Metodologicamente, para dar início às atividades, conversamos com os alunos sobre a vida e a obra de Schlee, falando da sua trajetória e importância. Para atrair a atenção dos estudantes, assistimos um vídeo biográfico sobre o escritor, dando destaque à criação da Camisa Canarinho. Depois, trabalhamos a leitura e interpretação do conto Aquela Tarde Impossível. O texto aborda conceitos relacionados ao cotidiano dos alunos, como futebol, infância, sentimentos e a vida na fronteira. Por fim, realizamos uma caça-palavras com 40 palavras relacionadas ao conto Aquela Tarde Impossível. Esta atividade foi uma maneira descontraída de retomar o conto. Os alunos participaram, conversaram entre si e foram ajudando uns aos outros para encontrar as palavras. Através do caça-palavras, os alunos também puderam relembrar alguns nomes que estavam no conto. A realização das atividades mostrou que aproximar a literatura do futebol deixou a participação deles mais natural. Começar pela história de Schlee, principalmente pela relação dele com a criação da Camisa Canarinho, foi uma forma de partir de um assunto que os estudantes já conhecem e, a partir daí, apresentar sua produção literária. Dessa maneira, o futebol foi trabalhado não só como esporte, mas também como parte da cultura, ligado às memórias e às experiências do autor. Ao final, percebemos que usar diferentes métodos para trabalhar o texto, como o vídeo, a leitura e o caça- palavras, tornou a aula interessante. Assim, é possível apresentar um escritor regional e mostrar que a literatura não está distante desta realidade, pois ela também pode falar sobre coisas que fazem parte da nossa cultura e do cotidiano. Conforme aponta Candido (2004, pág.17), [...] a literatura é uma das formas de humanização mais eficazes, porque nos torna mais sensíveis ao sofrimento alheio, mais atentos à diversidade humana e mais capazes de compreender o mundo. Assim, possibilitamos que os estudantes possam perceber o contexto ao seu redor e sua cultura. Concluímos que o trabalho foi uma experiência significativa, tanto para os alunos quanto para os bolsistas. A proposta ajudou a aproximar os estudantes de um escritor regional e mostrou que a literatura pode estar ligada a assuntos que refletem o contexto fronteiriço. Durante a leitura, os alunos perceberam que o tema futebol não é só sobre esporte, mas pode despertar lembranças da infância, memórias, sentimentos e situações que fazem parte da vida de cada um. Por fim, compreendemos que ensinar literatura também é encontrar maneiras de aproximar o texto dos sentimentos dos estudantes, daquilo que gostam e vivem no dia a dia.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Os Sentidos de Fronteira em Schlee: Práticas de Letramento Literário na Educação Básica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122545. Acesso em: 22 out. 2026.