Escrita e Formação Leitora: o Pibid Letras na Educação Básica

Autores

  • Jiovana Barragana Blanco
  • Tauana Raquel Gonçalves Buzó
  • Nathalia Madeira Araujo
  • Luis Fernando Rosa Marozo

Palavras-chave:

PIBID, Escrita, Formação, leitores

Resumo

Este trabalho apresenta a experiência pedagógica desenvolvida através do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID - Letras e línguas adicionais), vinculada ao curso de Licenciatura em Letras da Universidade Federal do Pampa, UNIPAMPA, campus Jaguarão/RS. As práticas foram desenvolvidas através de oficinas realizadas na EMEF General Antônio de Sampaio, localizada no município de Jaguarão/RS, que tiveram início em 2025, com uma turma de 8º ano composta por 11 estudantes. As oficinas priorizaram aulas dialógicas e participativas, nas quais os alunos eram constantemente incentivados a ler, interpretar e construir sentidos a partir dos textos. A proposta surgiu a partir da constatação das dificuldades dos alunos em relação à leitura e à interpretação de textos. Neste sentido, buscou-se desenvolver competências linguísticas e literárias, além de estimular a criatividade e a reflexão. Metodologicamente, como etapa inicial, foi aplicado um questionário sociolinguístico com o objetivo de conhecer os interesses e conhecimentos prévios. A partir das respostas, verificou-se o gosto por música e pelas mídias, porém os estudantes tinham pouca referência de poetas canônicos e não costumavam ler poesia. Diante deste diagnóstico, planejou-se atividades para ampliar o repertório cultural dos alunos e possibilitar que estabelecessem relações entre poesia, música e artes visuais. As práticas foram desenvolvidas em consonância com as orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017), especialmente no campo artístico-literário. Foram apresentados aos discentes poemas de Cecília Meireles, Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade, além disso, músicas de diferentes gêneros, como Racionais MCs, Luan Santana e Tribo da Periferia. A articulação entre essas diferentes linguagens possibilitou trabalhar aspectos da construção poética, como ritmo, rima e intertextualidade, de maneira mais significativa. As oficinas contemplaram atividades de leitura individual, coletiva e compartilhada, interpretação de poemas e canções, criação de versos, produção de poemas livres e elaboração de textos autobiográficos. Em 2026, deu-se continuidade às ações desenvolvidas no ano anterior, agora atuando na turma de 9º ano, composta por 8 estudantes. Nesta nova etapa, as ações buscaram ampliar o contato dos estudantes com outros gêneros textuais, como poemas, textos em prosa, contos e artigos de opinião, no intuito de aproximar os conteúdos do cotidiano e dos conhecimentos dos estudantes e, além disso, desenvolver práticas de leitura, interpretação e produção textual. Em relação ao artigo de opinião, foram desenvolvidas atividades voltadas à leitura, à identificação de posicionamentos e argumentos e à produção textual, possibilitando que eles expressassem suas opiniões sobre temas relacionados à realidade social. As atividades realizadas em relação à poesia resultaram na produção de jogos e na identificação de elementos constitutivos do poema, como rima, verso e estrofe. As práticas tiveram uma participação progressiva dos estudantes e uma menor resistência com a leitura e com escrita, apesar de que ainda permanecem algumas dificuldades em relação à interpretação e a produção textual. Assim, as estratégias interativas e contextualizadas despertaram o interesse pela leitura e favoreceram o exercício de interpretação, da escrita e da argumentação, mas não supriu as dificuldades de organizar as ideias e de estabelecer relações entre diferentes textos. Por isso fica evidente a necessidade da continuidade do projeto para desenvolver estas habilidades. Ao utilizar diferentes linguagens e valorizar a participação dos alunos, observou-se que o trabalho com o texto pode propiciar o espaço de criação, expressão e reflexão. Dessa forma, a experiência desenvolvida pelo PIBID contribui tanto para a formação literária dos estudantes quanto para a formação docente dos acadêmicos. Como perspectiva de continuidade, destaca-se a possibilidade de reunir as produções desenvolvidas pelos discentes em uma produção literária coletiva, valorizando sua autoria e proporcionando um espaço para que sentimentos, memórias e experiências sejam transformados em linguagem. Compreende-se, assim, que o estudo com diferentes textos possibilita uma prática capaz de promover não apenas o desenvolvimento das habilidades linguísticas, mas também a formação de sujeitos mais críticos, sensíveis e conscientes de seu lugar no mundo.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Escrita e Formação Leitora: o Pibid Letras na Educação Básica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122543. Acesso em: 22 out. 2026.