Flauta Doce na Educação Musical do Ensino Fundamental I: Práticas de musicalização com a Matemática.
Palavras-chave:
Educação, Musical, Linguagem, musical, InterdisciplinaridadeResumo
A Educação Musical no Ensino Fundamental I pode ampliar as possibilidades de aprendizagem quando articula a prática instrumental, a percepção sonora, a leitura e a escrita musical e a exploração de diferentes repertórios. Nesse contexto, a flauta doce apresenta-se como instrumento musicalizador de caráter acessível e como recurso pedagógico capaz de aproximar os estudantes da linguagem musical por meio da experiência prática. O presente trabalho tem como objetivo apresentar e discutir uma experiência de ensino com a utilização da flauta doce em turmas do 3º e 4º anos do Ensino Fundamental I, destacando suas contribuições para a aprendizagem musical e para a interdisciplinaridade, especialmente nas relações estabelecidas com conhecimentos matemáticos. A experiência foi desenvolvida em duas instituições de ensino, sendo uma escola privada, a Escola Santa Mônica, e uma escola pública, a EMEF Afonso Vizeu, ambas na Cidade de Pelotas-RS, envolvendo três turmas do 3º ano e seis turmas do 4º ano, totalizando nove turmas, das quais três do 4º ano pertencem à instituição privada e três à instituição pública. As práticas foram organizadas a partir do ensino coletivo da flauta doce, contemplando procedimentos de familiarização com o instrumento, postura, respiração, emissão sonora, dedilhado, leitura de partituras e execução individual e coletiva. Paralelamente à prática instrumental, foram trabalhados fundamentos básicos da linguagem musical, como altura, duração, intensidade, timbre, pulsação, ritmo, notas musicais, figuras e valores rítmicos, possibilitando aos estudantes compreender conceitos musicais a partir da experiência concreta de produzir e organizar sons. A leitura musical também favoreceu relações com a Matemática, especialmente por meio da contagem dos tempos, organização das figuras rítmicas, divisão e agrupamento de valores, reconhecimento de sequências e compreensão da estrutura temporal presente nas partituras. O repertório utilizado foi diversificado, contemplando obras e temas de diferentes contextos históricos e culturais, entre eles referências a Ludwig van Beethoven, Johann Pachelbel, repertório folclórico norte-americano como Maria tem um carneiro, Asa Branca, O Côco/Cuco como referência ao folclore, Canção dos Três Dedos, Anunciação e Samba de uma Nota Só, entre outras peças adequadas ao nível de desenvolvimento dos estudantes. A seleção de repertório buscou superar uma abordagem restrita ao exercício técnico do instrumento, possibilitando contato com música de concerto, manifestações folclóricas e diferentes expressões da música popular brasileira. No desenvolvimento das atividades, observou-se que a prática instrumental favoreceu a participação dos estudantes, a atenção à escuta, a coordenação dos movimentos necessários à execução, a leitura musical e a compreensão de elementos estruturantes da música. O trabalho coletivo também possibilitou experiências de execução em conjunto, exigindo dos estudantes atenção à pulsação, ao andamento, às entradas e à escuta dos colegas, respiração, contribuindo para a construção de uma prática musical compartilhada. A articulação entre teoria e prática mostrou-se particularmente relevante, uma vez que conceitos apresentados inicialmente de forma abstrata puderam ser experimentados por meio da execução instrumental e da leitura de partituras. A experiência também evidenciou possibilidades de interdisciplinaridade, especialmente ao relacionar Música e Matemática sem descaracterizar os objetivos próprios da Educação Musical. Dessa forma, a flauta doce não foi utilizada apenas como instrumento para aprender repertórios, mas como ferramenta pedagógica para desenvolver conhecimentos musicais, estimular a percepção, favorecer a participação coletiva e estabelecer relações entre diferentes áreas do conhecimento. Conclui-se que a inserção sistemática da flauta doce nas aulas de Educação Musical do Ensino Fundamental I constitui uma possibilidade pedagógica relevante para ampliar as experiências musicais dos estudantes, articulando fazer musical, leitura, percepção, repertório e conhecimentos interdisciplinares. A experiência desenvolvida nas instituições pública e privada também demonstrou a possibilidade de utilização do instrumento em diferentes contextos escolares, reforçando seu potencial como recurso de ensino e aprendizagem e contribuindo para práticas de Educação Musical mais diversificadas, significativas e integradas.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Flauta Doce na Educação Musical do Ensino Fundamental I: Práticas de musicalização com a Matemática. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122529. Acesso em: 29 out. 2026.