Monitoria no Desenho Técnico: Abordagem para a Visualização Espacial
Palavras-chave:
Visualização, espacial, Metodologia, prático-visual, Aprendizagem, ativaResumo
O Desenho Técnico é fundamental para a Engenharia e a Arquitetura, exigindo dos discentes domínio das normas técnicas, interpretação gráfica e visualização espacial. Nesse contexto, a presente investigação foi conduzida no âmbito da monitoria da disciplina de Desenho Técnico 1 da UNIPAMPA/Campus Bagé, durante o primeiro semestre de 2026, e objetivou analisar a eficácia de uma metodologia prática e visual para auxiliar alunos com diferentes perfis de dificuldade na representação gráfica, considerando a necessidade de abordagens personalizadas para o desenvolvimento da abstração espacial. A metodologia foi organizada em três etapas sequenciais: no primeiro momento por visualização guiada, com manipulação de sólidos geométricos impressos em 3D para desenvolvimento da percepção espacial; em um segundo momento, representação colaborativa, realizada no quadro branco a partir dos objetos manipulados e a terceira etapa consistiu na execução individual do exercício em folhas de desenho, sobre papel sulfite, sem a interferência do monitor, visando transferir o conhecimento da memória de curto prazo para a ação prática consolidada. Para avaliar a eficácia dessa abordagem, realizou-se uma análise qualitativa com três alunos selecionados por sua participação ativa nas ações promovidas pela monitoria e por apresentarem dificuldades distintas, cujos resultados revelaram diferenças importantes no processo de aprendizagem. A primeira aluna, cuja principal barreira era a falta de prática, após percorrer todas as etapas metodológicas apresentadas acima, beneficiou-se da técnica, porém foi necessário estimular seu aprendizado com exercícios simples, mas direcionados ao uso mais constante dos instrumentos de desenho, o que resultou em uma melhora significativa da capacidade de percepção e representação dos objetos, demonstrando que a repetição orientada é capaz de superar as dificuldades iniciais. No caso da segunda aluna, notou-se que ela apresentava lacunas na percepção visual durante o processo metodológico, especialmente na representação de arestas invisíveis; por esse motivo, foi necessário fazer uso de um modelo físico para destacar a aresta faltante, permitindo que ela percebesse intuitivamente o que havia esquecido de representar, e essa intervenção pontual mostrou-se suficiente para que ela superasse o obstáculo e passasse a enxergar as projeções ocultas com mais clareza. A terceira aluna, por sua vez, ao percorrer o processo metodológico, demonstrou dificuldades significativamente maiores que as demais e manifestou extrema insegurança e aflição ao representar objetos, aliadas a uma baixa capacidade de visualização espacial; para esta aluna, a metodologia foi intensificada com a repetição dos passos de visualização, representação no quadro e execução na folha, além da solicitação de exercícios extras para serem realizados fora do horário de monitoria, o que exigiu um acompanhamento mais próximo e uma progressão ainda mais gradual, mas que ao final do semestre possibilitou avanços significativos em sua confiança e precisão gráfica. Os resultados evidenciaram que as dificuldades dos alunos não se manifestaram de forma igual ao longo das ações, exigindo adaptações individualizadas e contínuas, de modo que cada intervenção precisou ser calibrada conforme a natureza da barreira apresentada, seja ela prática, de percepção ou de cunho emocional. Conclui-se que a tríade metodológica (visualização tátil, representação colaborativa e prática autônoma) é uma estratégia capaz de ser implementada também no contexto da componente curricular, desde que o professor ou monitor esteja atento às reações e ao desempenho de cada estudante, ajustando o ritmo e a complexidade das tarefas conforme a necessidade observada, pois a abordagem personalizada, que considera o ritmo e a natureza das dificuldades de cada aluno, é imprescindível para o sucesso do processo de ensino-aprendizagem, promovendo não apenas a habilidade técnica, mas também a confiança e a autonomia do discente, elementos que transcendem o domínio do desenho e se refletem em sua formação profissional integral.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Monitoria no Desenho Técnico: Abordagem para a Visualização Espacial. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122527. Acesso em: 29 out. 2026.