Monitoria Como Estratégia de Apoio Aprendizagem em Desenho Técnico I no Campus Bagé
Palavras-chave:
Ensino-aprendizagem, Engenharias, Ferramentas, pedagógicasResumo
A monitoria acadêmica está prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) e possibilita aos discentes da educação superior o exercício de funções de ensino de acordo com seu rendimento acadêmico, contribuindo para a ampliação do vínculo entre professor, monitor e aluno, bem como para a qualidade do processo ensino-aprendizagem. Na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Campus Bagé, a disciplina de Desenho Técnico I é ofertada aos cursos de Engenharia e tem como objetivo auxiliar os discentes na fixação de conteúdos práticos como perspectivas, cotagem e leitura de desenhos técnicos. Apesar dos reconhecidos benefícios da monitoria para a redução da evasão e da retenção discente e de ser uma disciplina que costuma gerar dificuldades, observou-se que a procura foi baixa ao longo do semestre 2026/1. Diante disso, este trabalho teve como objetivo investigar as causas da baixa procura pela monitoria de Desenho Técnico I no Campus Bagé, identificar os tópicos de maior dificuldade dos discentes e verificar o formato de atendimento considerado mais adequado. Para isso, foi aplicado um formulário eletrônico aos alunos matriculados na disciplina no semestre 2026/1, contendo quatorze perguntas objetivas e abertas, organizadas em blocos temáticos referentes ao perfil, ao conhecimento e uso da monitoria, aos motivos de não utilização do serviço, às dificuldades de conteúdo e ao formato de atendimento considerado ideal, obtendo um total de dezenove respostas. Os resultados mostraram que 89,5% dos alunos conheciam a existência do serviço de monitoria, porém nenhum dos respondentes o havia utilizado até o momento da coleta, o que indica que o problema da baixa procura não está relacionado ao desconhecimento do programa. Quanto aos motivos para a não utilização, o mais citado foi a ausência de necessidade percebida até então, apontado por 57,9% dos alunos, seguido por incompatibilidade de horário, desconhecimento sobre como agendar o atendimento e preferência por estudar de forma autônoma, cada um citado por 10,5%, e pela disponibilidade de explicações na internet, citada por 5,3%. Em relação às dificuldades de conteúdo, os tópicos mais apontados foram as perspectivas tridimensionais, com a perspectiva isométrica citada por 52,6% e a perspectiva cavaleira por 42,1% dos alunos, sendo que 68,4% dos respondentes relataram dificuldade em pelo menos um desses dois tópicos. No que se refere ao formato de atendimento considerado mais adequado, houve certo equilíbrio entre a preferência por horário agendado fora da aula, indicada por 42,1% dos alunos, e o atendimento durante o horário normal em sala de aula, indicada por 36,8%, enquanto 15,8% preferiram materiais de apoio sem atendimento direto. Ainda assim, os alunos atribuíram à monitoria uma importância média de 4,4 em uma escala de 1 a 5, o que reforça que a baixa procura não decorre da falta de reconhecimento do valor da monitoria. Um aspecto adicional refere-se às experiências prévias dos discentes com a área: 84,2% dos respondentes não possuíam contato prévio com desenho técnico antes da faculdade, indicando que, para a maioria, a disciplina representa o primeiro contato com a linguagem gráfica da Engenharia, o que pode explicar a concentração das dificuldades em conteúdos que exigem maior capacidade de visualização espacial. Além disso, 42,1% dos alunos já haviam cursado a disciplina anteriormente, evidenciando que as dificuldades não estão restritas a quem tem o primeiro contato com a área, podendo persistir mesmo após uma experiência anterior. Conclui-se que há um contraste entre a necessidade real de apoio pedagógico dos discentes de Desenho Técnico I e a efetiva utilização da monitoria, sendo essa necessidade percebida de forma pontual, geralmente associada à entrega de exercícios ou avaliações, e não de maneira contínua ao longo do semestre. Como as principais dificuldades se concentram nas perspectivas isométrica e cavaleira, percebe-se a necessidade de estratégias de apoio direcionadas a esses conteúdos, além da importância de diversificar as formas de atendimento, combinando sala de aula e horários agendados, e de desenvolver materiais de apoio complementares para os alunos que preferem estudar de forma autônoma, contribuindo assim para um maior aproveitamento da monitoria pelos discentes.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Monitoria Como Estratégia de Apoio Aprendizagem em Desenho Técnico I no Campus Bagé. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122526. Acesso em: 22 out. 2026.