Análise semiótica dos elementos persuasivos na publicidade de apostas: caso "Betano: quem se garante, confia"

Autores

  • Riquelme Spadacini
  • Marcelo Rocha

Palavras-chave:

Comunicação, Persuasiva, Linguagem, Cinematográfica, Leitor-Modelo, Regulamentação, Publicitária, Jogos, Azar, Digitais

Resumo

A publicidade das casas de apostas digitais, popularmente conhecidas como bets, cresceu muito no Brasil e vem utilizando de campanhas publicitárias cada vez mais bem elaboradas para chamar a atenção do público. Para conseguir atrair novos usuários sem desrespeitar as novas regras e leis criadas para esse tipo de propaganda, essas empresas utilizam de estratégias visuais e narrativas para persuadir os espectadores. Elas combinam cenários bonitos, frases marcantes e uma sensação constante de que apostar é algo fácil, seguro e que traz recompensas rápidas. O objetivo deste trabalho foi analisar como esses elementos visuais e de filmagem são organizados para passar uma ideia de confiança e diminuir a percepção de perigo do espectador diante dos riscos do jogo. Para isso, foi analisada a campanha "Betano: Quem se garante, confia", lançada em 2024. A pesquisa buscou entender como a propaganda usa símbolos e técnicas de vídeo para conversar com um público específico, que muitas vezes busca um ganho rápido ou um sentimento de aprovação social. A pesquisa foi feita de forma qualitativa, analisando em detalhes o comercial da marca. A propaganda, dividida em 16 cenas, foi mapeada observando os tipos de enquadramentos de câmera, a escolha dos cenários e os signos da cultura brasileira, como o futebol e a praia do Rio de Janeiro. Em seguida, foi analisado como a combinação desses detalhes técnicos ajuda a construir os sentidos da mensagem e como isso se conecta com os desejos e o cotidiano das pessoas que assistem. Para dar base a essa análise, o trabalho utiliza conceitos da Semiótica de Ferdinand de Saussure, mostrando como as imagens, os sons e as falas da campanha funcionam como signos que constroem a ideia de segurança e facilidade. Além disso, a pesquisa usa o conceito de "Leitor-modelo", de Umberto Eco, para explicar como a propaganda é pensada para um público específico, principalmente jovens e pessoas de classe baixa, usando símbolos da cultura brasileira para criar uma identificação rápida e fazer a aposta parecer um caminho simples para o sucesso. Os resultados mostraram que tudo na propaganda é muito bem pensado para esconder os perigos financeiros, psicológicos e sociais do jogo. As cenas mais abertas mostram locais de lazer e praia, criando um desejo de bem estar e de aproveitar a vida. Quando a câmera se aproxima e foca bem de perto na tela do celular, o ato de apostar, que envolve análise, dinheiro e riscos altos de perda, parece ser apenas um clique simples e inofensivo. Além disso, as imagens que mostram a personagem principal em ângulos de destaque e com postura firme passam a ideia de uma pessoa confiante e bem sucedida, fazendo com que quem assiste associe a aposta ao sucesso pessoal. As reações de admiração das pessoas ao redor também ajudam a criar uma proximidade emocional com o público. O estudo conclui que a propaganda vai além de apresentar o aplicativo, ela busca transformar um hábito arriscado em algo visto como moderno e legal. Mesmo sem violar diretamente as leis que proíbem dizer que apostar é livre de riscos, a marca consegue suavizar o perigo usando apenas recursos visuais e implícitos. Isso mostra que a publicidade não é neutra e levanta um alerta sobre a necessidade de regras mais claras e rigorosas para proteger os consumidores. Esse tipo de publicidade levanta questionamentos sobre a atuação do CONAR diante das regulamentações voltadas às casas de apostas. Afinal, embora existam restrições que proíbam negar os riscos do jogo, essas campanhas continuam fazendo isso de forma implícita e não literal, utilizando a linguagem visual para suavizar a realidade. Refletir sobre isso é fundamental para entender que a publicidade não é neutra e precisa de limites e leis mais rígidas e claras.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2026-10-02

Como Citar

Análise semiótica dos elementos persuasivos na publicidade de apostas: caso "Betano: quem se garante, confia". Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122509. Acesso em: 23 out. 2026.