PLANO PARA UMA AULA DE HISTÓRIA DINÂMICA: O USO DA MICRO-HISTÓRIA MAIS O JOGO PEDAGÓGICO.

Autores

  • João Victor Hasfeld Machado Oliveira
  • Amanda Helena Oliveira Rodrigues
  • Guinter Tlaija Leipnitz

Palavras-chave:

Primeira, Guerra, Micro-História, Jogo, Didático

Resumo

O presente relato descreve uma abordagem lúdico-narrativa desenvolvida no PIBID de História entre maio e julho de 2026, com uma turma de 9º ano da EMEF Marechal Castelo Branco, em Jaguarão/RS. A oficina integra um conjunto de sete atividades orientadas pelo Prof. Dr. Guinter Tlaija Leipnitz e supervisão do Prof. Dr. Dário Milech Neto. Essas oficinas tiveram sua narrativa dividida em duas partes: a primeira, e mais longa, caracterizava-se em apresentar os conteúdos de uma maneira alternativa a uma sequência de datas e fatos históricos, utilizando o conceito de micro-histórias para criação de narrativas que diluem as informações em uma história contada em slides ilustrados com montagens. O recurso à micro-história pautou-se no "jogo de escalas" (REVEL, 1998), reduzindo a observação dos eventos globais à dimensão microanalítica de personagens que enfrentavam o seu período, uma guerra, neste caso. Como aponta Levi (1992), a redução escalar não simplifica a realidade, mas revela a complexidade social, as estratégias de sobrevivência e as margens de escolha de sujeitos cotidianos, gerando maior apego emocional dos alunos e tornando a aprendizagem mais significativa. Ao final da história a metodologia segue para a segunda parte, a turma participa de um jogo que exige dos alunos um diálogo dos conteúdos apresentados na narrativa para o sucesso na jogabilidade dos participantes. Para ilustrar o processo, vamos utilizar a quinta oficina realizada nesse modelo de plano, que foi ministrada no dia 6 de junho e teve como tema a Primeira Guerra Mundial. Ao indicar o tema, o supervisor, recomendou a abordagem da participação feminina durante a Primeira Guerra, de forma que pela primeira vez até então, as personagens da narrativa seriam figuras femininas, duas protagonistas de origens diferentes, Brasil e Rússia. Portanto acolhemos a recomendação do professor, optamos por dialogar com a crítica da pensadora Michelle Perrot (1995) sobre o prolongado silêncio historiográfico em torno das mulheres, frequentemente relegadas às sombras da dominação masculina ou ao esquecimento dos grandes relatos, onde suas aparições nos arquivos dizia-se serem espaçados, a mulher apareceria apenas no momento do extraordinário, assim seu lugar comum era o da subserviência, sendo de extrema importância para nossa aula colocar estas protagonistas femininas no centro da narrativa, sendo este um esforço consciente de ruptura com a invisibilização desse sujeito histórico. Ainda no começo da história os estudantes puderam perceber que mesmo em estados completamente distintos, o papel das mulheres nessas sociedades não era tão diferente, pois ambas as personagens viviam sob a sombra de uma figura masculina que respondia em seus nomes. Elas começam a ganhar rumos diferentes com a chegada da guerra que precisa de todas as mãos possíveis e através da personagem russa pudemos abordar temas como a exploração do trabalho feminino nas fábricas auxiliando na produção de munições e armamentos que seriam utilizados em linha de batalha, o encorajamento ao alistamento militar feminino e o resgate da memória de pelotões compostos por mulheres como o Batalhão Feminino da Morte. Pela perspectiva da personagem do Brasil, abordamos o trabalho das voluntárias na Cruz Vermelha e a repercussão da atitude dessas mulheres por parte da sociedade brasileira. Ao final da história as personagens juntam-se a outras milhares de mulheres que buscam o mesmo objetivo, garantir seus direitos, aderindo principalmente a luta pelo sufrágio feminino que ganhou força com o fim do argumento de que mulheres não seriam capacitadas para certas funções que foram desempenhadas na guerra. Ao final da história, iniciamos a segunda parte da aula, o jogo. Para cada oficina um jogo diferente é escolhido e a ideia muitas vezes vem da resposta para pergunta qual a pergunta que deve ficar para quando pensarem nesse assunto? Essa busca traduz a dimensão prática da consciência histórica e da orientação temporal teorizadas por Rüsen (2012), em que o conhecimento do passado serve como matriz para a leitura crítica do presente. Acompanhando o cenário atual de questionamento sobre o direito ao voto feminino conquistado pela luta sufragista representada no final da narrativa, chegamos à conclusão de que é importante manter esse debate vivo, então criamos um jogo de escolhas onde cada aluno recebeu uma própria personagem viva durante aquele contexto e precisava tomar decisões que alteraram três atributos da personagem: vida, voz e dinheiro. Ao final, enquanto os meninos priorizaram o atributo "dinheiro", as meninas focaram em ampliar sua "voz". A despeito da amostragem reduzida de nove estudantes, a dinâmica revelou a forte identificação das alunas com a pauta da representatividade e da conquista de direitos políticos, enquanto para os meninos não conseguiram se conectar de forma tão significativa a esta pauta do jogo.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

PLANO PARA UMA AULA DE HISTÓRIA DINÂMICA: O USO DA MICRO-HISTÓRIA MAIS O JOGO PEDAGÓGICO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122499. Acesso em: 6 nov. 2026.