Socialização do Conhecimento, Autodefensoria e Direitos Humanos na Formação de Um Pesquisador em Ensino
Palavras-chave:
formação, pesquisadores, divulgação, científica, internacionalizaçãoResumo
O presente trabalho tem como objetivo analisar as contribuições do componente curricular Práticas de Socialização do Conhecimento em Educação, do Programa de Pós-Graduação em Ensino da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), para a formação de pesquisadores comprometidos com os princípios da inclusão, da participação e dos direitos humanos. A análise toma como referência as atividades desenvolvidas ao longo do primeiro semestre de 2026, especialmente a organização da II Jornada Internacional de Pesquisa sobre Ensino e Aprendizagens (JIPEA) e a realização da oficina Legislação Brasileira aplicada às Pessoas com Deficiência: Educação e Autodefensoria. O estudo possui abordagem qualitativa e caráter reflexivo, fundamentando-se na análise das ações desenvolvidas no componente curricular e de suas contribuições para a formação acadêmica. O referencial teórico dialoga com a pedagogia crítica de Freire (1996), que compreende a educação como prática emancipatória e dialógica; com a Teoria da Ação Comunicativa de Habermas (1987), que destaca a construção intersubjetiva do conhecimento por meio do diálogo; e com as contribuições de Sassaki (1997; 2021) para o campo da inclusão, especialmente no que se refere à eliminação de barreiras, à autonomia e à participação social. As atividades analisadas envolveram a produção de um vídeo de divulgação da pesquisa de mestrado para as redes sociais do Programa, a elaboração e execução de uma oficina extensionista na Universidade da Região da Campanha (URCAMP), a organização de atividades da II JIPEA e a apresentação de comunicação científica relacionada à educação especial na perspectiva inclusiva. Os resultados indicam ampliação da compreensão acerca dos processos de comunicação científica e de sua relevância para a democratização do conhecimento. Observou-se uma mudança na compreensão inicial da divulgação científica, frequentemente associada apenas à apresentação de resultados de pesquisa, para uma perspectiva mais ampla, entendida como processo permanente de interlocução entre universidade e sociedade. A produção do vídeo exigiu a tradução de conceitos acadêmicos para uma linguagem acessível, favorecendo o desenvolvimento de competências relacionadas à comunicação do conhecimento científico para diferentes públicos. A realização da oficina reuniu aproximadamente trinta acadêmicos dos cursos de Pedagogia e Ciências Biológicas da URCAMP e permitiu discutir direitos das pessoas com deficiência, inclusão educacional e autodefensoria por meio da análise de casos inspirados em situações concretas do cotidiano escolar. As discussões realizadas evidenciaram uma ampliação da compreensão dos participantes sobre inclusão, deslocando-a de uma perspectiva centrada na presença física para uma compreensão que incorpora participação, autonomia e acesso aos processos decisórios. Também foram identificados resultados relacionados à internacionalização da formação em pesquisa. A participação na organização da sala temática Políticas Educacionais, Produção Curricular, Demandas Sociais e Processos de Inclusão, durante a II JIPEA, possibilitou o contato com pesquisadores do Brasil, Uruguai, Argentina e Espanha, ampliando as possibilidades de diálogo acadêmico e a compreensão de que muitos dos desafios relacionados à inclusão e às políticas educacionais são compartilhados em diferentes contextos nacionais. Da mesma forma, a apresentação de trabalho sobre os Decretos nº 12.686 e nº 12.773, ambos de 2025, permitiu qualificar reflexões relacionadas à educação especial inclusiva e incorporar contribuições oriundas do debate com pesquisadores de diferentes instituições. Conclui-se que o componente curricular contribuiu para o desenvolvimento de competências vinculadas à comunicação científica, à organização de eventos acadêmicos, ao trabalho colaborativo e à articulação entre pesquisa, ensino e extensão. Além disso, reforçou a compreensão de que a produção e a socialização do conhecimento podem constituir estratégias relevantes para a promoção da inclusão e dos direitos humanos, especialmente quando orientadas pelo diálogo, pela acessibilidade e pela participação dos sujeitos nos processos educativos e científicos, em consonância com o princípio Nada sobre nós sem nós.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Socialização do Conhecimento, Autodefensoria e Direitos Humanos na Formação de Um Pesquisador em Ensino. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122484. Acesso em: 4 nov. 2026.