Alfabetização Científica no Ensino de Ciências: Estratégias Pedagógicas Desenvolvidas no Pibid
Palavras-chave:
Educação, Ciências, Metodologias, ativas, Formação, inicial, professoresResumo
A alfabetização científica constitui uma perspectiva importante para o ensino de Ciências, ao possibilitar que os estudantes não apenas tenham contato com conceitos científicos, mas também desenvolvam conhecimentos e habilidades para compreender, interpretar e discutir situações relacionadas à Ciência e ao cotidiano, contribuindo para a formação de sujeitos capazes de analisar problemas, estabelecer relações entre conhecimentos científicos e situações vivenciadas e posicionar-se de maneira crítica diante de diferentes questões. Nessa perspectiva, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) possibilita a aproximação entre a formação acadêmica e a realidade escolar, favorecendo a elaboração e a vivência de diferentes estratégias de ensino, sendo este trabalho desenvolvido com o objetivo de analisar de que maneira a alfabetização científica é trabalhada em intervenções pedagógicas realizadas no âmbito do PIBID, refletindo sobre como diferentes estratégias podem favorecer sua construção no contexto escolar. Trata-se de um relato de experiência desenvolvido em uma escola-campo do programa, com estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, envolvendo aproximadamente 90 estudantes, para os quais foram planejadas e conduzidas cinco intervenções pedagógicas articuladas aos conteúdos trabalhados nas turmas, tendo a alfabetização científica como eixo orientador das propostas. As intervenções abordaram os temas Bioma Pampa, micro-organismos e doenças, genética, consumo de energia elétrica e evolução biológica, utilizando, conforme as especificidades de cada proposta, atividades de contextualização, prática, rotação por estações, estudos de caso, problematização, Três Momentos Pedagógicos, atividades de aplicação e investigação, planejadas e mediadas em dupla com outra bolsista e acompanhadas pelo professor supervisor, buscando criar situações em que os estudantes pudessem mobilizar conhecimentos prévios, questionar, analisar informações, discutir ideias, formular hipóteses, argumentar e relacionar os conhecimentos científicos a situações do cotidiano. Os resultados evidenciaram que as diferentes estratégias possibilitaram trabalhar aspectos da alfabetização científica de maneiras distintas: na intervenção sobre o Bioma Pampa, os estudantes apresentaram dúvidas e concepções equivocadas sobre espécies do bioma, especialmente ao analisar e questionar quais espécies poderiam ser relacionadas à região, o que contribuiu para a contextualização do conteúdo e a revisão de concepções; na abordagem sobre micro-organismos e doenças, os questionamentos e conhecimentos prévios possibilitaram problematizar a ideia de que todos os micro-organismos são prejudiciais, relacionando transmissão e prevenção ao cotidiano dos estudantes; na intervenção de genética, as dificuldades iniciais para relacionar imagens e informações foram superadas gradualmente durante os estudos de caso em duplas, favorecendo a discussão e a análise das situações apresentadas; no consumo de energia elétrica, mesmo sem consolidação total dos conceitos de potência e consumo, os estudantes participaram ativamente, realizando cálculos e relacionando-os aos aparelhos de suas residências e às contas de luz; e na intervenção sobre evolução biológica, a dificuldade inicial para formular hipóteses foi ampliada por meio da mediação por questionamentos e das discussões em grupo, possibilitando relacionar variabilidade, ambiente e hereditariedade. De modo geral, observou-se que as intervenções favoreceram a participação, a curiosidade e a formulação de questionamentos, além de possibilitarem momentos de análise, discussão, reformulação de ideias e aplicação dos conhecimentos científicos, indicando que a utilização de estratégias diversificadas, articuladas aos conteúdos trabalhados, pode favorecer o desenvolvimento de aspectos da alfabetização científica ao aproximar os estudantes dos conhecimentos científicos e de sua utilização para compreender situações do cotidiano. Conclui-se, portanto, que a alfabetização científica pode ser trabalhada no ensino de Ciências por meio de diferentes estratégias pedagógicas, considerando as especificidades dos conteúdos e das turmas, tendo as intervenções possibilitado situações de questionamento, análise, discussão, formulação de hipóteses e aplicação dos conhecimentos científicos em contextos próximos à realidade dos estudantes, de modo que as práticas desenvolvidas no PIBID favoreceram tanto a participação dos estudantes e a construção de relações entre os conteúdos científicos e situações do cotidiano quanto a possibilidade, para as bolsistas, de vivenciar, analisar e refletir sobre diferentes formas de ensinar Ciências, contribuindo para a construção da prática docente.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Alfabetização Científica no Ensino de Ciências: Estratégias Pedagógicas Desenvolvidas no Pibid. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122471. Acesso em: 28 out. 2026.