Estereótipos de Gênero na Escola: Uma Proposta de Divulgação Científica Sobre Rótulos e Respeito.
Palavras-chave:
Preconceito, Ensino, Ciências, Convivência, EscolarResumo
Expressões como menino não chora e menina não sabe jogar futebol atravessam o cotidiano escolar de forma tão naturalizada que raramente são questionadas quanto a sua origem histórica e social, embora tenha efeitos concretos sobre a autoestima, o comportamento e as relações de convivência entre os estudantes. A própria escola, por meio do ensino de ciências, historicamente contribuiu para legitimar diferenciações entre os sexos, cabendo a ela também a responsabilidade de problematizar essa reprodução e de se tornar um espaço de transformação das relações sociais desiguais quanto ao gênero (Moro 1995). A Partir dessa compreensão, o presente trabalho teve como objetivo elaborar e aplicar uma proposta de divulgação científica que discutisse, de maneira acessível, os conceitos de gênero, sexualidade e objetificação, bem como a influência de discursos digitais que reforçam desigualdades entre meninos e meninas no ambiente escolar. A intervenção foi realizada no Instituto Estadual de Educação Menna Barreto, escola campo do PIBID, localizada no município de São Gabriel - RS, com uma turma de 9° ano no turno da manhã. Metodologicamente, a proposta construída a partir de levantamentos bibliográficos em relatórios da UNESCO, UNICEF, ONU Mulheres e IBGE, além de referências das ciências sociais e da neurociência, buscando diferenciar conceitos frequentemente confundidos entre si e desmistificar afirmações que atribuem comportamentos como agressividade ou passividade unicamente a fatores biológicos, evidenciando, ao contrário, o papel da neuroplasticidade e dos estímulos culturais na construção dessas diferenças. A intervenção foi conduzida em formato dialogado e apresentação de slides, a diferenciação entre os conceitos de gênero e sexualidade, discussão sobre objetificação e seus impactos na valorização das pessoas por suas habilidades e sentimentos, e um resgate histórico sobre educação escolar segregada por sexo em décadas anteriores, comparando-a com a realidade atual, na qual mulheres ocupam espaços profissionais antes exclusivamente masculinos. Foram utilizados também vídeos curtos como recurso de sensibilização, além de dados sobre a chamada geografia de gênero, fenômeno que evidencia diferenças na forma como meninos e meninas ocupam os espaços físicos da escola, e estatísticas oficiais sobre a desigual divisão do trabalho doméstico no Brasil, nas quais mulheres dedicam, em média, quase o dobro de horas semanais a afazeres domésticos em comparação aos homens. Discutiu-se ainda a influência de discursos oriundos de movimentos digitais conhecidos como manosfera, que reforçam a ideia de superioridade masculina sem respaldo científico e tem alcançado adolescentes por meio das redes sociais. Como recurso da interatividade, foi proposto um painel coletivo no qual os estudantes registraram em blocos de anotações de cores distintas, rótulos que já ouviram e que os incomodam. Os resultados evidenciaram forte identificação dos estudantes com as situações apresentadas, sobretudo em relação às frases estereotipadas do cotidiano escolar, e o momento do painel coletivo favoreceu a expressão de vivências pessoais, gerando empatia entre os colegas e estimulando reflexões sobre atitudes de exclusão praticadas ou testemunhadas por eles. A discussão sobre discursos digitais que reforçam desigualdades de gênero despertou particular interesse da turma, que reconheceu a presença desse tipo de conteúdo nas redes sociais que consome diariamente. A atividade demonstrou que a associação entre embasamento científico e histórico e uma linguagem acessível favorece a compreensão de temas complexos por adolescentes, contribuindo para a desconstrução de estereótipos. Conclui-se que iniciativas de divulgação científica voltadas à comunidade escolar constituem estratégias relevantes para o enfrentamento de discursos que naturalizam desigualdades de gênero, favorecendo a formação de estudantes mais críticos e conscientes das transformações sociais e de seu papel na construção de relações mais igualitárias e respeitosas.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Estereótipos de Gênero na Escola: Uma Proposta de Divulgação Científica Sobre Rótulos e Respeito. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122468. Acesso em: 21 out. 2026.