Instrumento de Avaliação para Evidenciar a Aprendizagem no Ensino de Química no Pibid

Autores

  • Roger Cristopher Ferreira Farias
  • Claudia Caroline Jesus dos Santos
  • Renata Deli da Rosa Ribeiro
  • André Luís Silva da Silva

Palavras-chave:

Avaliação, aprendizagem, Indicadores, Desenvolvimento, Cognitivo, Ensino, Química

Resumo

A pesquisa relatada e analisada neste resumo foi desenvolvida no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), subprojeto Q-F-M-CN do campus Caçapava do Sul. No cenário educacional atual do Brasil, não é incomum a avaliação intuitiva e subjetiva da aprendizagem. Diante disso, o subgrupo de Química, direcionado pela Atividade Experimental Problematizada (AEP), realizou uma intervenção no componente de Química, na turma 1001 da Escola Técnica Estadual Rúbens da Rosa Guedes, uma escola rural localizada na cidade de Caçapava do Sul/RS, por discentes da UNIPAMPA. A AEP (Silva; Moura, 2018) apresenta uma organização teórico-metodológica que contempla 3 Eixos: Teórico, Metodológico e Avaliativo. No Eixo Avaliativo, são consideradas as dimensões Prática, Analítica e Criativa, relacionadas às condições da Inteligência Triárquica de Sternberg. A partir dessa articulação, são propostos 12 Indicadores de Desenvolvimento Cognitivo (IDC), sendo quatro deles de natureza Prática, quatro Analíticos e quatro Criativos, que possibilitam observar manifestações cognitivas e metacognitivas dos estudantes e, assim, evidenciar aprendizagens desenvolvidas durante as atividades (Silva; Moura; Souza, 2024). Nesse contexto, a intervenção utilizou os IDC como instrumento para avaliar e evidenciar manifestações da aprendizagem durante a atividade realizada, buscando identificar indicadores cognitivos a partir das ações, estratégias e decisões apresentadas pelos estudantes. A atividade realizada pelo subgrupo de Química foi apresentada de forma lúdica, por meio de um jogo em forma de trilha, criado e confeccionado pelos próprios bolsistas do subgrupo. Avaliou-se os alunos de forma qualitativa, conforme seu engajamento e participação na atividade. Contudo, inseriram-se os IDC (Silva; Moura; Souza, 2024), que funcionam como uma forma de evidenciar a aprendizagem por meio da observação de processos cognitivos e metacognitivos, tornando visíveis as ações, estratégias e decisões dos alunos durante a atividade. Os IDC observados durante a atividade foram P4 (aplicar aprendizagens e desdobramentos em outras situações e realidades), A2 (sistematizar informações prévias e subsequentes ao experimento) e A4 (avaliar as soluções e comparar os resultados obtidos com os previstos). Ao surgir a questão A ligação química entre Cálcio e Flúor é: a) CaF; b) CaF2; c) Ca2F, houve uma pausa enquanto os alunos pensavam a respeito. Ao um dos grupos responder, houve divergência em meio à conclusão de dois alunos, afirmando um deles que era a letra a e outro a letra b. Notou-se, neste momento, grande oportunidade para evidenciar o aprendizado, solicitando que eles fizessem a demonstração no quadro. Após solicitado, o aluno que chegou na conclusão b fez a demonstração no quadro, representando a ligação química, que chegara na resposta letra b. O indicador Prática-P4 foi selecionado em razão de que, dada a situação em que o aluno necessitou da aplicação de sua aprendizagem, ele aplicou e desdobrou esse conhecimento em outra situação, ao representar a ligação química no quadro, utilizando os conhecimentos adquiridos durante as aulas anteriores. o indicador Analítica-A2 fundamenta-se, em um primeiro momento, em que a Trilha Atômica caracteriza-se como uma atividade lúdica que, no contexto do Ensino de Química, pode ser compreendida como uma atividade de caráter experimental, considerando a mobilização de conhecimentos, tomada de decisões e elaboração de respostas pelos estudantes. Por fim, o indicador Analítica-A4 foi selecionado pois, neste caso, os alunos que entraram em divergência avaliaram as soluções do problema. Em sequência, em decorrência de uma comparação entre as possibilidades apresentadas e a representação da ligação química realizada no quadro, o aluno que realizou a demonstração chegou ao resultado previsto. Conclui-se que, na Educação Química, ainda há muito espaço para discussões em relação à avaliação. Desse modo, a avaliação pode tender a um processo baseado em evidências, menos intuitiva e menos subjetiva, atentando-se a aspectos importantes analisados diante dos comportamentos do aprendiz. A análise permitiu identificar processos cognitivos que não seriam necessariamente evidenciados apenas pela resposta objetiva, como a mobilização de conhecimentos prévios, a análise das possibilidades e a aplicação dos conhecimentos para representar a ligação química. Nesse sentido, os IDC mostraram potencial para tornar mais observáveis os processos envolvidos na aprendizagem, contribuindo para uma avaliação menos restrita ao acerto ou erro da resposta. Os IDC permitem não somente avaliar de forma pertinente, mas também valorizar o processo mental percorrido até a construção da resposta. Como limitações do estudo, destaca-se a realização da intervenção em apenas uma turma, o caráter qualitativo da análise, restrita a observação dos comportamentos apresentados pelos estudantes.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Instrumento de Avaliação para Evidenciar a Aprendizagem no Ensino de Química no Pibid. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122467. Acesso em: 22 out. 2026.