Saberes da Alfabetização e Letramento: Práticas Pedagógicas Contextualizadas na Formação Inicial Docente
Palavras-chave:
Práxis, Educativa, Narrativas, Autobiográficas, Leitura, MundoResumo
Alfabetização e letramento são processos fundamentais para a emancipação social, para a construção da cidadania e a democratização do conhecimento no âmbito da Educação Básica. No contexto da formação inicial de professores de Letras e Pedagogia é necessário superar visões meramente mecanicistas e reducionistas da aquisição do sistema de escrita alfabética, promovendo abordagens pautadas nos princípios da didática crítica e na indissociabilidade entre leitura de palavras e leitura de mundo proposta por Paulo Freire. Sendo assim, este estudo surgiu da necessidade de problematizar e compreender como vivências interdisciplinares desenvolvidas em um componente curricular optativo no período letivo especial de inverno, intitulado Alfabetização e Letramento, oferecido aos discentes do curso de Licenciatura em Letras Português e Literatura de Língua Portuguesa da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), campus Bagé/RS, contribuem para a construção de uma práxis pedagógica contextualizada, participativa, sensível e inclusiva. O objetivo foi o de analisar o impacto das atividades integradas à formação docente que articulam densidade teórica, resgate de memórias autobiográficas, estudos de campo empírico, recursos de artes integradas e escrita de cartas pedagógicas no desenvolvimento profissional e crítico das alunas. Este é um relato de experiência de natureza qualitativa, na condição de docência colaborativa neste componente curricular, fundamentado no estágio de docência do Programa de Pós-Graduação em Ensino (PPGE), desenvolvido em cooperação interdisciplinar com a participação de duas mestrandas, duas doutorandas e uma licenciada, todas com experiência como docentes da Educação Básica e ligadas ao Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas, Avaliação e Gestão da Educação (GEPPAGE). A metodologia consistiu em um percurso formativo, estruturado em etapas ao longo do período: primeiro as discentes produziram narrativas autobiográficas no formato de cartas pedagógicas, sobre suas memórias do processo de alfabetização, fazendo um resgate histórico e confrontando o produto de suas trajetórias escolares com os referenciais teóricos contemporâneos. Na sequência, foi realizado um estudo de campo investigativo que se constituiu em um mapeamento das hipóteses dos níveis de evolução da escrita, o qual poderia ser realizado com crianças, adolescentes ou adultos não alfabetizados, correlacionando a prática às formulações teóricas da psicogênese da língua escrita e aos testes sequenciais de consciência fonológica. O cronograma programático do componente curricular contemplou oficinas pedagógicas teórico-práticas incluindo: musicalização na alfabetização, com exploração de instrumentos de percussão e da percepção de pulso, ritmo, timbre e leitura de diagrama para a digitação da flauta doce soprano barroca; contação de histórias com uso de teatro de fantoches como mediador da oralidade e do afeto na Educação Infantil e na EJA; e a análise de política de formação continuada com o Programa Leitura e Escrita na Educação Infantil (ProLEEI); Inspiradas na perspectiva freiriana e na matriz conceitual do tetragrama da transformação permanente, foram produzidas cartas pedagógicas nas quais articulou-se de maneira sensível os eixos da ação, reflexão, emoção e registro. Proporcionou-se um debate sobre a histórica experiência de alfabetização em Angicos e, por fim, a realização de um seminário em formato de sarau para confraternizar e socializar as atividades práticas e realizar a leitura das cartas pedagógicas. Como resultado evidencia-se que o resgate das narrativas autobiográficas permitiu às discentes desnaturalizar métodos mecanicistas, reconhecendo a complexidade, a historicidade e a dimensão cultural do ensino da língua escrita. O estudo de campo proporcionou uma prática de identificação dos níveis de evolução da escrita, fortalecendo a capacidade diagnóstica e mediadora das licenciandas. As linguagens musicais e dramáticas demonstraram como a ludicidade e a sensibilidade estética potencializam os eixos curriculares da oralidade, da leitura e da produção textual. Já a vivência com o gênero da escrita das cartas pedagógicas constituiu-se como um instrumento emancipatório de autoformação docente, capaz de articular teoria, subjetividade e compromisso ético-político. Como considerações finais, reitera-se que a articulação intencional e orgânica entre ensino, pesquisa e extensão na formação inicial de professores qualifica a intenção pedagógica, encoraja o protagonismo autoral e consolida a concepção da alfabetização enquanto ato de amor, coragem, diálogo e transformação social.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Saberes da Alfabetização e Letramento: Práticas Pedagógicas Contextualizadas na Formação Inicial Docente. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122465. Acesso em: 2 nov. 2026.