A Formação Docente no Pibid e a Construção de Práticas Dialógicas e Emancipadoras
Palavras-chave:
Palavras, chave, Letramento, Educação, Jovens, Adultos, Inclusão, SocialResumo
A Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI) constitui um espaço de garantia do direito à educação para sujeitos que, por diferentes motivos, tiveram sua trajetória escolar interrompida ou sequer iniciada. Nesse contexto, a alfabetização ultrapassa a aprendizagem do código escrito, articulando-se ao letramento como condição para a participação social e o exercício da cidadania. Este trabalho apresenta um relato de experiência desenvolvido no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), na turma da sala 107 da EJAI da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Jaguarão. O objetivo é refletir sobre as práticas pedagógicas voltadas à alfabetização de estudantes jovens, adultos e idosos, evidenciando os desafios encontrados, as estratégias adotadas e as contribuições da experiência para a formação inicial docente. O estudo caracteriza-se como um relato de experiência de abordagem qualitativa, fundamentado na observação participante realizada durante as atividades desenvolvidas por uma bolsista do PIBID Pedagogia. A atuação concentrou-se no processo de alfabetização, em articulação com as ações de letramento desenvolvidas por outros bolsistas do projeto. O planejamento das atividades teve, inicialmente, como referência os estudos de Magda Soares sobre alfabetização e letramento. Entretanto, ao longo da prática, as propostas foram sendo reorganizadas a partir das necessidades observadas na turma e das experiências compartilhadas pelos estudantes, adotando uma perspectiva dialógica inspirada nos pressupostos de Paulo Freire. A turma atendida apresenta significativa diversidade, sendo composta por estudantes com diferentes faixas etárias, desde adolescentes de 16 anos até pessoas com mais de 50 anos, além da presença de estudantes diagnosticados com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). As trajetórias de vida revelam múltiplas formas de exclusão educacional, relacionadas a dificuldades econômicas, responsabilidades familiares, limitações de acesso à escola, interrupções dos estudos durante a pandemia da COVID-19 e ausência de incentivo à escolarização. Durante a inserção no cotidiano da EJAI, tornou-se evidente que muitos estudantes ingressaram sem domínio das habilidades básicas de leitura e escrita, alguns sem conseguirem registrar o próprio nome. Além das dificuldades relacionadas à alfabetização, os estudantes relataram sentimentos de exclusão e dependência decorrentes da impossibilidade de utilizar a leitura e a escrita em situações cotidianas. Diante dessa realidade, as atividades pedagógicas passaram a privilegiar práticas contextualizadas, respeitando as vivências e os conhecimentos construídos pelos estudantes ao longo da vida. Foram desenvolvidas propostas envolvendo leitura e interpretação de textos do cotidiano, reconhecimento das horas, utilização de aplicativos de mensagens, preenchimento de informações pessoais, resolução de situações matemáticas básicas e uso funcional da leitura e da escrita. Essas práticas buscaram fortalecer a autonomia, a autoestima e a participação social dos estudantes, evitando qualquer forma de infantilização do processo educativo. Os resultados observados demonstram avanços significativos no envolvimento dos estudantes, evidenciados pela participação ativa, maior interesse pelas atividades e fortalecimento da autoconfiança. A valorização das histórias de vida e dos conhecimentos prévios favoreceu a construção de um ambiente de aprendizagem mais acolhedor e significativo. A experiência também contribuiu de forma expressiva para a formação inicial da bolsista do PIBID, permitindo compreender que a prática docente exige constante reflexão, escuta sensível e flexibilidade para adaptar o planejamento às necessidades reais dos estudantes. Nesse sentido, verificou-se que alfabetizar na EJAI implica reconhecer que o processo educativo deve estar articulado às práticas sociais de leitura e escrita, promovendo aprendizagens com significado para a vida cotidiana. As reflexões dialogam com Paulo Freire, ao compreender a educação como prática de liberdade, e com Magda Soares, ao defender que alfabetização e letramento são processos indissociáveis. Essas reflexões partiram também do curso EAD Pactoeja, que contribuiu para ver com outros olhos o modo de planejamento das aulas em prol da superação do analfabetismo e qualificação da EJA. Conclui-se que a alfabetização, quando articulada ao letramento e às experiências concretas dos educandos, constitui um importante instrumento de transformação social, ampliando o exercício da cidadania, a autonomia e a inclusão social.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A Formação Docente no Pibid e a Construção de Práticas Dialógicas e Emancipadoras. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122458. Acesso em: 24 out. 2026.