O Erro Como Etapa do Aprender: Estratégias Pedagógicas do Pibid na Eja
Palavras-chave:
Autonomia, Estudante, Valorização, Formação, DocenteResumo
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) representa e faz parte de um campo educativo único e singular, tendo como algumas de suas características principais a diversidade de trajetórias de vida, faixas etárias e experiências socioculturais dos seus educandos. Esses educandos por sua vez chegam nas salas de aulas marcados pela exclusão escolar, falta de continuidade nos estudos e vivências no ambiente escolar muitas vezes punitivas, aqueles que decidem retornar à escola na idade adulta frequentemente carregam consigo um forte sentimento de insegurança e a vergonha do fracasso acadêmico. Nesse contexto, o erro passa a ser percebido não como uma etapa característica e construtiva do processo de aprendizagem, e sim como um fator de constrangimento, vergonha e validação de que aquele espaço não lhe pertence devido a uma suposta incapacidade intelectual. Diante dessa problemática, o presente trabalho relata uma experiência pedagógica desenvolvida através do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), junto à turma de alfabetização da EJA, através do projeto PELEJAI, articulando assim o trabalho docente da bolsista, supervisores e alunos. O objetivo central desta intervenção consistiu em desmistificar a visão punitiva do erro e o medo que havia entre os estudantes da EJA, transformando-o como uma etapa didática valiosa para a mediação pedagógica, a autoavaliação e o desenvolvimento da autonomia intelectual. A fundamentação teórica baseou-se na ideia da pedagogia crítica e no panorama do erro construtivo, buscando evidenciar que o processo de alfabetização, letramento e apropriação do conhecimento em adultos exige a construção de um ambiente seguro, no qual o questionamento, a dúvida e a tentativa sejam frequentemente valorizadas e incentivadas. A metodologia adotada caracterizou-se por uma abordagem qualitativa, de cunho intervencionista e reflexivo. As ações foram organizadas em duas aulas semanais ministradas pela bolsista, nas quais foram propostas atividades de deliberação de problemas individuais encontrados pelos alunos em seu cotidiano, leitura e escrita dialógicas, com o apoio mútuo entre os alunos e professores. Durante as dinâmicas, os desvios do padrão, as dificuldades ou até mesmo os erros apresentados pelos alunos não eram corrigidos de forma sintética, concisa ou expositiva. Em vez disso, foi adotada a estratégia da mediação compartilhada: as respostas e produções dos alunos eram vistas e representavam um ponto de partida para reflexões coletivas, levando assim a turma a refletir sobre os caminhos da aprendizagem, identificando caminhos a serem explorados e propondo alternativas para reformulação. O PELEJAI atuou como um elemento principal no processo de aprendizagem dos alunos, sendo um ambiente seguro, possibilitando a eles uma oportunidade de aprender de forma segura, sem punição e onde suas dúvidas eram realmente ouvidas e não punidas, assim trazendo liberdade para que eles testassem suas hipóteses em um ambiente de aprendizagem flexível, seguro e encorajador. Os resultados obtidos deixaram ainda mais evidentes as transformações significativas no ambiente da sala de aula e na postura dos educandos frente aos desafios que a educação na fase adulta pode representar. Pode ser observada uma redução sucessiva e expressiva daquele bloqueio inicial e do medo de se expor para a turma, demonstrada pelo aumento do número de alunos voluntários para realizar atividades no quadro ou expressar suas dúvidas em frente aos colegas. A ressignificação do erro possibilitou o fortalecimento da autoconfiança, a união da turma, um ambiente respeitoso e a percepção de que a dúvida e o erro são elementos que fazem parte do processo e da produção do saber. Concluindo assim que o acolhimento do erro como um fator estruturante da prática em sala de aula na EJA é um dos pilares que fundamentam e garantem a permanência, a autoestima e a emancipação dos alunos. Na formação inicial docente que o PIBID promove, essa experiência proporcionou uma reflexão profunda sobre a necessidade de humanizar a avaliação e desconstruir práticas de ensino engessadas, reafirmando o compromisso com uma educação democrática, inclusiva e pautada no respeito às singularidades dos sujeitos da EJA.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
O Erro Como Etapa do Aprender: Estratégias Pedagógicas do Pibid na Eja. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122457. Acesso em: 30 out. 2026.