A Diversidade Que Educa: Trajetórias Singulares, Práxis Inclusiva e a Aprendizagem da Docência no Pibid
Palavras-chave:
PIBID, Atendimento, Educacional, Especializado, Diversidade, Educação, Inclusiva, Formação, DocenteResumo
Discutir diversidade e inclusão no espaço educacional exige ultrapassar a mera garantia formal de acesso às instituições de ensino. Trata-se de reconhecer que os sujeitos que habitam a escola e a universidade trazem trajetórias, marcas sociais, culturais e arranjos familiares singulares. A educação inclusiva, enquanto direito humano, demanda a desconstrução de padrões homogêneos de ensino e a superação de barreiras físicas, atitudinais e pedagógicas. Nesse contexto, o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) atua conectando a formação inicial universitária com a rotina e os desafios da escola pública. O trabalho problematiza de que maneira a vivência direta na sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE), articulada à heterogeneidade do próprio grupo de licenciandos em formação, contribui para a construção de uma práxis pedagógica inclusiva e empática. O objetivo principal é analisar como o reconhecimento da diversidade tanto dos estudantes acompanhados no AEE quanto das trajetórias dos bolsistas potencializa o aprendizado da docência e favorece o rompimento de barreiras no ambiente escolar. Por se tratar de um processo formativo e reflexivo da iniciação à docência, adotou-se uma abordagem qualitativa de caráter descritivo-exploratório, estruturada na forma de relato de experiência. A trajetória metodológica organizou-se em três eixos. O primeiro consistiu na observação participante com registro em diários de campo, focando as rotinas, as mediações pedagógicas e as interações na sala de AEE. O segundo eixo envolveu reuniões de planejamento e estudos colaborativos para articular a prática escolar com referenciais teóricos sobre inclusão, alfabetização e neurociência. O terceiro pautou-se na análise narrativa de experiências, permitindo confrontar as vivências dos licenciandos considerando suas distintas realidades pessoais com as necessidades identificadas nos alunos atendidos. As ações foram desenvolvidas por bolsistas do Subprojeto PIBID Pedagogia em uma escola municipal de ensino fundamental. Ao longo das atividades, compreendeu-se a diversidade no espaço escolar como dimensão constitutiva da realidade humana. Em consonância com Paulo Freire (1996), a prática educativa requer o respeito aos saberes e às experiências que os educandos trazem do seu meio social. Mantoan (2003) reforça que incluir implica transformar a estrutura da escola regular e do AEE, rompendo com práticas segregadoras que classificam os sujeitos a partir de padrões rígidos de normalidade. A aprendizagem docente no PIBID demonstra que a formação ocorre pela práxis refletida no chão da escola, onde o professor atua como mediador intencional do processo de aprendizagem (FONSECA, 2011). Como aponta Rodrigues (2006), a inclusão pressupõe acolher a todos em suas especificidades, desvinculando o atendimento da dependência exclusiva de laudos clínicos e assegurando o direito de aprender. Um aspecto central dessa experiência residiu na própria composição do grupo de licenciandos do PIBID. O coletivo de bolsistas revelou-se profundamente heterogêneo, reunindo acadêmicos indígenas, estudantes da terceira idade, pessoas com deficiência e alunos que vivenciam a parentalidade atípica ou o cuidado continuado de familiares. Essa pluralidade interna constituiu um pilar epistemológico do trabalho. Quem vivencia a alteridade e enfrenta barreiras em sua própria história chega à sala de AEE com um olhar desprovido de preconceitos e pautado em empatia real. Essa bagagem pessoal permitiu compreender as demandas dos alunos não de forma assistencialista, mas como expressão legítima da diversidade humana. Os resultados indicam que a aproximação entre universidade e escola gerou reflexos diretos na aprendizagem dos alunos e na identidade docente dos bolsistas. Houve a superação do modelo médico-patologizante mediante a confecção de recursos adaptados como jogos multissensoriais, pranchas visuais e materiais táticos , fundamentados na Zona de Desenvolvimento Proximal e na psicogênese da escrita. Observou-se o fortalecimento da escuta empática e da capacidade de mediação no cotidiano escolar. A presença de um grupo docente diverso ressignificou as trajetórias dos próprios universitários, mostrando que a pluralidade enriquece o fazer pedagógico e reafirma que garantir equidade significa oferecer os suportes necessários para que cada sujeito construa seu percurso com dignidade e pertencimento.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A Diversidade Que Educa: Trajetórias Singulares, Práxis Inclusiva e a Aprendizagem da Docência no Pibid. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122453. Acesso em: 24 out. 2026.