Desenvolvendo a Consciência Fonológica Através da História "O Tupi que Você Fala"

Autores

  • Milaine Duarte Ferreira Rodales
  • Jenifer Duarte da Costa Moraes
  • Patricia dos Santos Moura

Palavras-chave:

Literatura, Infantil, Alfabetização, Letramento

Resumo

Compreende-se por consciência fonológica o conjunto de habilidades que permite à criança perceber, compreender e manipular as unidades sonoras da língua, sendo ela capaz de segmentar unidades maiores em menores (Piccoli; Camini, 2012). Esse conjunto de habilidades é necessário para que o aprendiz avance em sua compreensão das propriedades do sistema de escrita alfabética e no domínio das relações som-grafia. Deve-se iniciar o desenvolvimento da consciência fonológica ainda na educação infantil, visto que muitas crianças apresentam defasagens ao concluírem o ciclo de alfabetização (que compreende o período do 1º ao 3º ano), ainda com dificuldades para aprender a ler e a escrever. Quando a escola proporciona a experiência de reflexão sobre as palavras e seus sons, sílabas e rimas através de textos lidos, amplia as oportunidades de todas as crianças desenvolverem uma atitude curiosa de análise das palavras que falam e escutam, pois esta reflexão é menos evidenciada entre crianças de camadas populares causando um apartheid educacional. Nesta perspectiva, foram desenvolvidas atividades durante uma tarde em uma turma de 20 alunos de educação infantil de uma escola municipal de Jaguarão, através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). Tais atividades tinham como objetivo promover o desenvolvimento da consciência fonológica e da apropriação do sistema de escrita alfabética, estimulando as crianças a relacionarem imagens, sons e letras por meio da formação de palavras com letras móveis, de forma lúdica e significativa, além de ampliar o conhecimento sobre a cultura indígena e sua influência na língua portuguesa. Após a realização das atividades permanentes (chamada oral, chamada coletiva: quem somos? quantos somos? calendário do tempo coletivo e individual), sorteio da mochila viajante (que refere-se ao projeto identidade e inclusão), recitar o alfabeto e exploração da palavra do dia, a bolsista vestiu o avental e a cartola e pegou o mascote (feito de caixa de papelão) e fez a motivação prévia para a contação de história dizendo para as crianças: estou sentindo um cheirinho... e as crianças respondem: cheirinho da leitura e já ficaram curiosos para saber qual livro iria sair de dentro do mascote para que pudessem fazer a exploração da capa e de seus elementos e poderem dar seus palpites sobre o tema. Neste dia, a bolsista começou perguntando à turma se eles sabiam que muitas das palavras que falamos diariamente já existem há muito tempo e que são de origem indígena, sendo que muitas delas vieram da língua tupi. Logo em seguida, retirou de dentro do mascote o livro O Tupi Que Você Fala, mostrando a capa, seguida da apresentação do título e da identificação do autor e do ilustrador da obra e posteriormente iniciou a leitura. À medida que a leitura do livro era realizada pela bolsista, algumas crianças já iam observando que o texto era composto por palavras que apresentavam o mesmo som no final das palavras. Nessa perspectiva, foi explicado e explorado com a utilização do quadro branco, que toda a vez que isso ocorre, forma-se a rima. Em seguida, as crianças foram organizadas em círculo e para elas foi apresentada a caixa do Tupi-Guarani. Na sequência, foi detalhada a dinâmica da atividade, visto que nela haviam imagens referentes à leitura realizada anteriormente. Quando a bolsista começasse a cantar a música Passa a caixa nessa roda, sem a roda desmanchar, quando a caixa parar, você vai ter que falar, as crianças deveriam ir passando a caixa para o colega do lado e ao término da música, quem estivesse com a caixa em mãos, retirava uma imagem dizendo o que representava e fazia a exploração da palavra em relação à quantidade de sílabas (as crianças fazem a separação batendo palmas), a letra inicial e final e uma rima. Após a realização da atividade por todos da turma, a bolsista separou as crianças em duplas e distribuiu as imagens trabalhadas anteriormente juntamente com letras móveis para que as crianças levantassem hipóteses em relação à linguagem escrita, realizando registros de palavras, por meio da escrita espontânea. A prática foi bem aceita por todos sendo que perguntavam se poderiam montar mais palavras, havendo trocas entre as duplas. As atividades propostas despertaram o interesse das crianças em relação a formação das palavras, bem como a identificação das rimas, favorecendo o desenvolvimento da consciência fonológica, proporcionando experiências significativas de aprendizagem. Além disso, a utilização do livro O Tupi Que Você Fala como recurso pedagógico, permitiu trabalhar a descoberta linguística através da revelação de que falamos tupi diariamente, promovendo o respeito à diversidade.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Desenvolvendo a Consciência Fonológica Através da História "O Tupi que Você Fala". Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122447. Acesso em: 29 out. 2026.