Entre o Apoio e a Autonomia: Percepções dos Monitores Sobre a Experiência nas Monitorias

Autores

  • Alfredo Monçon Acosta Junior
  • Camila Porto de Oliveira
  • Fábio Ronei Rodrigues Padilha
  • Elizangela Dias Pereira

Palavras-chave:

mediação, formação, responsabilidade

Resumo

O presente trabalho apresenta reflexões construídas a partir da experiência de seis discentes do curso de Matemática - Licenciatura da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Bagé, que vêm atuando no projeto de monitoria de Matemática. A partir do contato com os estudantes atendidos e das discussões realizadas entre os próprios monitores, surgiram questionamentos acerca dos limites, das possibilidades e das responsabilidades atribuídas à função de monitor. Inicialmente foi observado que parte dos estudantes procuravam as monitorias ao se depararem com obstáculos em seu processo de aprendizagem, esperando que o monitor retomasse conteúdos desde seus fundamentos, assumindo assim a posição de um segundo professor, embora essa postura do monitor até seja possível em alguns momentos, notou-se que a maioria dos discentes não retornava para dar continuidade aos estudos. Entendendo que a aprendizagem é um processo contínuo, é inviável exigir que um monitor, em um atendimento de menos de duas horas, faça com que o aluno compreenda todo o conteúdo que não conseguiu assimilar ao longo do semestre. Embora essa atuação pudesse parecer responder às dificuldades apresentadas, a experiência evidenciou a necessidade de reconhecer até que ponto o auxílio oferecido pelo monitor favorece a aprendizagem e a partir de quando passa a assumir uma parcela excessiva da responsabilidade que cabe ao próprio estudante. A partir dessa percepção, o grupo passou a questionar não apenas o que um monitor é capaz de fazer, mas, sobretudo, aquilo que efetivamente lhe cabe fazer enquanto integrante de um processo formativo que não tenciona substituir os docentes regentes em seus devidos componentes. Com isto, a monitoria passou a ser entendida como uma prática de mediação, cuja finalidade não se limita à resolução de dúvidas ou à revisão de conteúdos, mas contribuir para que o estudante desenvolva maior autonomia diante da própria estruturação de conhecimento, reconhecendo suas dificuldades, participando ativamente da formulação de estratégias para superá-las e compreendendo as consequências de suas escolhas no percurso acadêmico. Essa percepção desloca o foco da quantidade de conteúdo trabalhado com os monitores, para a qualidade das interações estabelecidas durante os atendimentos, valorizando perguntas e estímulos à reflexão ao invés da simples busca por respostas. Dessa forma, também compreende-se que o auxílio oferecido pelo monitor é um suporte que deve ser ajustado às necessidades do estudante e, gradativamente, reduzido à medida que este adquire condições de conduzir o próprio aprendizado com maior independência. Assim a atuação do monitor não é entendida como uma reprodução da aula ou como uma forma de atendimento particular que revê aquilo que não foi compreendido em sala, mas como uma possibilidade de criar condições para que o estudante se aproprie novamente de seu processo de aprendizagem. Ao assumir essa perspectiva, a experiência da monitoria é tomada não apenas como espaço de apoio acadêmico, mas como um lugar de aprendizagem compartilhada, no qual diferentes trajetórias, experiências e maneiras de compreender o conhecimento podem se encontrar e produzir novos sentidos para ensinar e aprender. Essa compreensão aproxima a experiência do debate sobre territórios de saberes ao reconhecer que o conhecimento não se constitui apenas pela transmissão vertical de conteúdos, mas também pelas relações, pelas experiências acumuladas e pelos sujeitos que participam de sua construção. Nesse sentido, a valorização da voz dos estudantes e dos próprios monitores permite compreender a universidade como espaço no qual diferentes saberes podem dialogar, sem que isso implique apagar as responsabilidades específicas de cada participante do processo educativo. Espera-se, assim, contribuir para a reflexão sobre práticas de monitoria que ultrapassem a lógica da compensação de dificuldades pontuais e favoreçam uma relação mais consciente e participativa do estudante com sua formação, reconhecendo na mediação entre pares uma possibilidade de transformação das relações estabelecidas no processo educativo.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2026-10-02

Como Citar

Entre o Apoio e a Autonomia: Percepções dos Monitores Sobre a Experiência nas Monitorias. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122428. Acesso em: 2 nov. 2026.