Escutar para Cuidar: Uma Experiência de Promoção da Saúde Mental com Docentes
Palavras-chave:
Atenção, Primária, Saúde, Estratégia, Família, Extensão, UniversitáriaResumo
A presença de condições de trabalho desfavoráveis constitui um desafio relevante para a promoção da saúde mental dos trabalhadores, e entre os profissionais da educação essa realidade se agrava diante de uma rotina marcada pela sobrecarga de atividades, por exigências emocionais intensas e pela frequente extensão das demandas de trabalho para além do ambiente escolar. Apesar da relevância do tema, o cuidado com a saúde mental docente ainda permanece, muitas vezes, em segundo plano, o que evidencia a necessidade de ampliar espaços de escuta, acolhimento e reflexão nas próprias instituições de ensino. Nesse contexto, a Atenção Primária à Saúde, por meio da Estratégia Saúde da Família, apresenta-se como um espaço estratégico para o desenvolvimento de ações de promoção da saúde mental, considerando sua atuação territorial e sua capacidade de reconhecer as necessidades da população a partir de seus contextos de vida. A articulação entre serviços de saúde, instituições de ensino e universidade favorece uma abordagem integrada das demandas do território e possibilita aos estudantes de Medicina experiências formativas que ampliam a compreensão crítica sobre as relações entre território, condições de trabalho e processo saúde-doença. Assim, este trabalho tem como objetivo descrever e refletir sobre uma atividade extensionista desenvolvida com educadores de uma escola estadual, voltada à promoção da saúde mental e à valorização do cuidado no trabalho docente, buscando ainda discutir as contribuições dessa vivência para a formação acadêmica, crítica e humanizada dos estudantes de Medicina. Trata-se de um relato de experiência, de abordagem descritiva e qualitativa, fundamentado na narrativa escrita de acontecimentos e vivências, o que possibilita a análise dos aspectos subjetivos envolvidos e valoriza a escrita como instrumento de reflexão e compartilhamento de saberes. A atividade foi desenvolvida por discentes do curso de Medicina, no âmbito do componente curricular Saúde Coletiva II, em parceria com a equipe da Estratégia Saúde da Família do território adscrito, junto a educadores de uma escola pública estadual da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Participaram voluntariamente 22 docentes, em atividade realizada na manhã de 17 de junho de 2026, com duração aproximada de três horas, conduzida por meio de uma roda de conversa fundamentada na perspectiva dialógica e problematizadora de Paulo Freire. Os registros foram feitos em diário de campo e analisados sob perspectiva crítico-reflexiva, articulada à literatura sobre a temática. A roda de conversa, realizada na biblioteca da escola, constituiu um espaço de escuta, acolhimento e troca de experiências, no qual as docentes compartilharam livremente percepções e sentimentos relacionados ao cotidiano de trabalho, sem finalidade de pesquisa científica ou coleta formal de dados. Entre os relatos, destacaram-se manifestações de estresse, sobrecarga e exaustão mental, a interrupção de práticas de autocuidado, o início de acompanhamento psiquiátrico por parte de algumas participantes e a percepção de ausência de rede de apoio no contexto familiar. Em seguida, os discentes conduziram uma apresentação sobre promoção e cuidado em saúde mental no ambiente escolar, abordando estratégias de autocuidado e enfrentamento, a importância de construir redes de apoio, de realizar pausas ao longo do dia, de dissociar o valor pessoal do professor do desempenho da turma e de reconhecer os próprios limites, além de orientações sobre a Atenção Primária à Saúde como porta de entrada do Sistema Único de Saúde para o cuidado em saúde mental. A atividade favoreceu a identificação e a expressão de questões relacionadas à saúde mental docente, especialmente as associadas à sobrecarga, ao estresse e à exaustão emocional, além de proporcionar espaços de escuta e reflexão coletiva sobre possibilidades de cuidado. As participantes avaliaram positivamente a experiência, destacando a escassez de espaços institucionais voltados à escuta e manifestando o desejo de que iniciativas semelhantes ocorram com maior frequência. Os resultados reforçam o potencial do diálogo entre pares como elemento de proteção e promoção à saúde mental no cotidiano escolar, evidenciando a relevância de ampliar espaços institucionais de escuta e cuidado, bem como o valor formativo dessas vivências para a construção de uma prática médica crítica, territorial e humanizada.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Escutar para Cuidar: Uma Experiência de Promoção da Saúde Mental com Docentes. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122411. Acesso em: 7 nov. 2026.