Desenvolvimento de Preparações Cosméticas Adequadas Aos Princípios Veganos no Âmbito do Ensino da Cosmetologia

Autores

  • Renata Teles da Rosa
  • Maria Eugenia Lima Cardoso
  • Eduardo Andre Bender
  • Leticia Marques Colome

Palavras-chave:

vegano, cosméticos, reformulação

Resumo

No âmbito da indústria cosmética atual, existe uma crescente demanda por produtos veganos. Nesse contexto, a busca dos consumidores por cosméticos livres de matérias-primas de origem animal e não testadas em animais impulsiona empresas cosméticas no desenvolvimento e na adaptação de formulações capazes de empregar veículos, ativos, emolientes, agentes de consistência e emulsificantes que assegurem características físico-químicas e sensoriais adequadas, sem comprometer os princípios que caracterizam os produtos veganos. Diante disso, o objetivo deste trabalho foi desenvolver formulações cosméticas veganas, por meio da substituição racional de matérias-primas de origem animal por alternativas de origem vegetal ou biotecnológica, visando à obtenção de formulações que atendam aos princípios veganos e mantenham características físico-químicas, sensoriais, de aplicabilidade e desempenho adequadas às suas respectivas finalidades. Além disso, o trabalho busca contribuir para a elaboração de um material didático destinado à capacitação de estudantes de Farmácia no desenvolvimento de formulações cosméticas veganas. Inicialmente, foi feita a seleção dos grupos de formulações a serem desenvolvidas ou modificadas, priorizando produtos de uso cotidiano e de ampla utilização pelos consumidores. Matérias-primas de origem animal ou com restrição aos produtos veganos foram identificadas e substituídas por alternativas permitidas para este tipo de produto, sendo selecionadas três formulações para a apresentação no presente trabalho: sabonete em barra, creme nutritivo e lip balm. No creme nutritivo, a lanolina (derivada das glândulas sebáceas da ovelha), que frequentemente é empregada como dermoprotetor e emoliente, deu lugar a manteiga de karité, que desempenha função hidratante,emoliente, oclusiva e anti-inflamatória; a cera de abelha, que contribui para a viscosidade da formulação, foi substituída por cera de cana-de-açúcar, matéria-prima vegetal responsável por estruturar componentes oleosos. Ademais, no lip balm, a cera de farelo de arroz foi utilizada como alternativa à cera de abelha amarela que desempenha importante papel estrutural na matriz lipídica. Além disso, no sabonete em barra, o sebo bovino, que contribui para propriedades sensoriais e de consistência, foi substituído pela manteiga de tucumã, que contém elevado nível de ácidos graxos saponificáveis e alta concentração de ácido láurico. Logo, o creme nutritivo pode apresentar maior espalhabilidade, emoliência e condicionamento devido a presença da manteiga de karité, reduzindo a sensação de ressecamento da derme; já a cera de cana-de-açúcar pode contribuir para estruturação da fase oleosa e estabilidade do sistema, enquanto a incorporação da cera de farelo de arroz pode conferir ao lip balm potencial oclusivo mais adequado em comparação à formulação contendo cera de abelha, com formação de uma barreira lipídica sobre a superfície cutânea, além de atividades antioxidante e anti-inflamatória. Quanto ao sabonete em barra, a substituição do sebo bovino pela manteiga de tucumã pode resultar em formação de espuma mais densa e macia, evidenciando desempenho superior da matéria-prima vegetal quanto à capacidade espumante, o que é vantajoso para o sensorial do produto. Por fim, as reformulações apresentadas representam adequações à proposta vegana sem comprometer a funcionalidade e, em determinados aspectos, agregando características funcionais e sensoriais superiores aos produtos. Dessa forma, a utilização de matérias-primas vegetais viabilizou não só a eliminação de componentes de origem animal, como também a incorporação de qualidades de interesse cosmético, evidenciando que a organização, além de uma questão ética, está associada a características potencialmente mais atrativas ao consumidor. Na perspectiva do ensino da Cosmetologia, as novas formulações representam ganho para o estudante nos sentidos técnico, científico e de percepção do mercado, ampliando suas habilidades para a futura profissão.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Desenvolvimento de Preparações Cosméticas Adequadas Aos Princípios Veganos no Âmbito do Ensino da Cosmetologia. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122409. Acesso em: 31 out. 2026.