Monitoria de Enfermagem nas áreas da Saúde da Mulher e Materno-infantil

Autores

  • Anna Julia Brandes Scherer
  • Fabiana Falcão Santos
  • Lisie Alende Prates

Palavras-chave:

Educação, Enfermagem, Aprendizagem, baseada, experiência, Cuidados

Resumo

A formação em Enfermagem requer estratégias pedagógicas que favoreçam a articulação entre conhecimentos teóricos e situações vivenciadas nos serviços de saúde, possibilitando o desenvolvimento de competências técnicas, relacionais, éticas e comunicacionais necessárias ao cuidado integral. Nesse contexto, a monitoria acadêmica, associada às metodologias ativas de ensino-aprendizagem, pode constituir importante espaço para o exercício do raciocínio clínico, da tomada de decisão e da segurança na realização de procedimentos. Entre essas metodologias, a simulação clínica permite aproximar os estudantes de situações representativas da prática profissional em ambiente protegido, favorecendo a participação ativa, a reflexão e a integração entre conhecimentos, habilidades e atitudes. Este trabalho objetiva relatar a experiência de utilização da simulação clínica em atividade vinculada ao projeto de ensino intitulado Monitoria de enfermagem nas áreas da saúde da mulher e materno-infantil, desenvolvida com discentes do componente curricular Saúde Coletiva III, do curso de Enfermagem da Universidade Federal do Pampa, Campus Uruguaiana. A atividade ocorreu em abril de 2026, no contexto das ações de monitoria, e foi planejada a partir de uma situação clínica relacionada à consulta de enfermagem em saúde da mulher. O cenário apresentou uma paciente simulada, que procurava atendimento para realização do exame citopatológico do colo do útero e exame clínico das mamas. A paciente referiu nunca ter realizado o exame citopatológico, desconhecer o procedimento, apresentar corrimento vaginal esbranquiçado com odor leve e dispareunia, não possuir parceria sexual fixa e não utilizar preservativo, além de fazer uso de anticoncepcional oral há cinco anos. Durante o acolhimento, demonstrava ansiedade, tensão e medo relacionados ao procedimento, especialmente quanto à possibilidade de sentir dor e de receber resultados alterados. No exame clínico das mamas, o cenário previa ausência de alterações visíveis ou palpáveis. Durante a realização simulada do exame citopatológico, a paciente manifestava desconforto à introdução do espéculo, contração da musculatura pélvica e dor leve, exigindo dos estudantes uma abordagem cuidadosa, comunicação terapêutica e pausas durante o procedimento. Também estava prevista a identificação de corrimento vaginal discreto e esbranquiçado. A partir do cenário, os discentes foram estimulados a mobilizar conhecimentos previamente trabalhados no componente curricular e a desenvolver competências relacionadas ao acolhimento, estabelecimento de vínculo, comunicação, anamnese, avaliação das necessidades de saúde, execução dos exames, identificação de fatores de risco relacionados à saúde sexual e reprodutiva e orientação à usuária. A experiência possibilitou trabalhar o procedimento para além de sua dimensão técnica, destacando a necessidade de respeito à autonomia, privacidade, conforto e singularidade da mulher durante a consulta de enfermagem. A ansiedade, o medo e a dor apresentados pela paciente simulada favoreceram a problematização de condutas que poderiam ser adotadas pelo enfermeiro para tornar o exame mais confortável e humanizado, incluindo explicação prévia das etapas, obtenção da concordância da usuária, comunicação durante o procedimento, observação de manifestações verbais e não verbais de desconforto e interrupção ou realização de pausas quando necessário. O cenário também oportunizou a discussão acerca da prevenção das infecções sexualmente transmissíveis, do uso de preservativos, da investigação das queixas de corrimento e da importância de uma abordagem integral da saúde sexual e reprodutiva. Além disso, permitiu aos estudantes compreender que a consulta para realização do exame citopatológico constitui oportunidade para identificar necessidades que ultrapassam o procedimento inicialmente demandado e desenvolver ações de promoção da saúde, prevenção de agravos e educação em saúde. Conclui-se que a simulação clínica, inserida nas atividades de monitoria, configurou-se como estratégia pedagógica capaz de aproximar os estudantes de situações próprias da atuação do enfermeiro na atenção à saúde da mulher, articulando conhecimentos teóricos, habilidades procedimentais, raciocínio clínico, comunicação e cuidado humanizado. A experiência reforça a potencialidade da monitoria acadêmica como espaço complementar de aprendizagem e de utilização de metodologias ativas, contribuindo para o protagonismo discente e para a formação de profissionais mais preparados para prestar um cuidado integral, seguro, acolhedor e centrado nas necessidades das mulheres.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Monitoria de Enfermagem nas áreas da Saúde da Mulher e Materno-infantil. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122404. Acesso em: 29 out. 2026.