Racismo Alimentar e Formação Crítica: Reflexões de Um Grupo de Aprendizagem do Afirmasus
Palavras-chave:
Racismo, alimentar, Formação, saúde, InterseccionalidadeResumo
A formação em saúde exige o desenvolvimento de uma leitura crítica sobre as condições sociais, históricas e políticas que atravessam a alimentação e os processos de saúde, adoecimento e cuidado. Embora a alimentação seja frequentemente apresentada como resultado de escolhas individuais, desigualdades raciais, de gênero e de classe influenciam o acesso aos alimentos, a distribuição das responsabilidades alimentares e a valorização de diferentes práticas culturais. Este trabalho teve como objetivo relatar a experiência de um encontro formativo do grupo de aprendizagem do projeto Alimentando a Diversidade no SUS, vinculado ao Programa Nacional de Apoio à Permanência, Diversidade e Visibilidade para Discentes na Área da Saúde (AfirmaSUS) sobre racismo alimentar, gênero e cultura alimentar, destacando suas contribuições para a formação crítica dos estudantes. Trata-se de um relato de experiência de atividade formativa desenvolvida a partir da leitura orientada de referências acadêmicas e materiais de divulgação científica sobre desigualdades nos sistemas alimentares, insegurança alimentar, racismo alimentar e interseccionalidade. O encontro foi organizado em três eixos articulados: racismo alimentar, relações de gênero e cultura alimentar. A apresentação foi conduzida por dois estudantes do grupo de aprendizagem, com exposição inicial dos conceitos e posterior discussão coletiva a partir de perguntas disparadoras, que incluíram: Como raça, gênero e classe influenciam o acesso à alimentação?; Por que mulheres negras aparecem em maior situação de vulnerabilidade à insegurança alimentar?; Como o trabalho de cuidado e de preparo dos alimentos é distribuído nas famílias brasileiras?; Quais práticas alimentares são valorizadas ou deslegitimadas socialmente?; e De que maneira os sistemas alimentares podem reproduzir desigualdades e formas de racismo?. O roteiro utilizado propôs refletir sobre como raça, gênero e classe influenciam o acesso à alimentação, por que mulheres negras aparecem em maior vulnerabilidade à insegurança alimentar, como o trabalho de cuidado e de preparo dos alimentos é distribuído e quais práticas alimentares são valorizadas ou deslegitimadas socialmente. Durante a atividade, os estudantes relataram que não haviam tido contato anterior com o conceito de racismo alimentar, o que tornou o encontro uma oportunidade de introdução a uma temática pouco conhecida em sua formação. A discussão favoreceu o questionamento da ideia de que a alimentação depende exclusivamente de escolhas individuais e permitiu relacionar fome, insegurança alimentar e desigualdades estruturais. Também foram problematizadas as formas pelas quais determinados alimentos, corpos, saberes e modos de comer são hierarquizados, bem como a necessidade de considerar os contextos culturais e sociais na promoção da alimentação adequada e saudável. A participação do grupo foi marcada por perguntas, reflexões e compartilhamento de percepções, possibilitando a construção coletiva de sentidos sobre o tema. A atividade também favoreceu a identificação de dúvidas e de possíveis lacunas na formação anterior dos estudantes, indicando a relevância de retomar discussões sobre raça, gênero, classe e alimentação em outros momentos do percurso formativo. Esse processo contribuiu para ampliar o repertório teórico dos estudantes, fortalecer a capacidade de análise interseccional e estimular uma postura profissional mais atenta às relações de poder que atravessam as práticas de saúde e alimentação. Conclui-se que o encontro formativo possibilitou aproximar referências acadêmicas de situações concretas vivenciadas na sociedade, favorecendo o reconhecimento do racismo alimentar como questão de saúde, direitos e justiça social. A atividade reafirma a importância de espaços permanentes de formação no AfirmaSUS, nos quais os estudantes possam desenvolver pensamento crítico, compartilhar saberes e construir práticas profissionais comprometidas com a equidade, a diversidade e a transformação das desigualdades.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Racismo Alimentar e Formação Crítica: Reflexões de Um Grupo de Aprendizagem do Afirmasus. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122403. Acesso em: 24 out. 2026.