Jogos e Brincadeiras Tradicionais: Relatos das Famílias de Uma Escola do Campo

Autores

  • Miriam Raquel de Freitas Monteiro
  • Daniela Noronha da Silva
  • Inajara Rodrigues dos Santos
  • Diego de Matos Noronha
  • Loreanne dos Santos Silva
  • Marta Íris Camargo Messias da Silveira

Palavras-chave:

Jogos, tradicionais, Educação, Física, Escolar, Escola, campo

Resumo

O contexto contemporâneo é marcado pela presença crescente das tecnologias digitais no cotidiano infantil, especialmente por meio de celulares e outros dispositivos, cenário que convida à reflexão sobre a valorização dos jogos e das brincadeiras nas experiências das crianças e no ambiente escolar. Além de contribuírem para aspectos corporais, cognitivos, afetivos e sociais, essas práticas expressam formas de viver e interpretar o mundo, carregando histórias, valores, memórias e conhecimentos compartilhados socialmente. No contexto de uma escola do campo, o diálogo com as famílias possibilita reconhecer os saberes produzidos na comunidade e aproximá-los das práticas escolares. Este trabalho teve origem em uma atividade formativa desenvolvida no componente curricular Didática e Abordagens Pedagógicas da Educação Física Escolar, integrante da Especialização em Educação Física Escolar. A proposta buscou articular os conhecimentos construídos no espaço acadêmico às experiências de uma escola do campo, caracterizando-se como uma ação de ensino pelo seu caráter pedagógico e formativo. O estudo justifica-se pela importância de registrar as brincadeiras presentes na comunidade, fortalecer a aproximação entre escola e família e valorizar a identidade cultural local. Teve como objetivo analisar os jogos e as brincadeiras tradicionais presentes nas vivências das famílias de uma escola do campo, considerando sua transmissão entre gerações e sua relação com a valorização dos saberes culturais da comunidade. Caracterizou-se como um estudo de abordagem qualitativa, com apoio de dados quantitativos, de caráter descritivo e exploratório. Foi desenvolvido com famílias de estudantes matriculados do 1º ao 4º ano do Ensino Fundamental em uma escola do campo localizada no município de Uruguaiana, Rio Grande do Sul. Durante o recesso escolar de meio de ano, um questionário elaborado pelas pesquisadoras, composto por oito questões abertas e fechadas, foi encaminhado às famílias dos 33 estudantes matriculados nas turmas. O instrumento abordou os jogos e as brincadeiras vivenciados pelos familiares durante a infância, os espaços onde eram realizados, sua permanência no cotidiano das crianças, as formas de transmissão entre gerações e sua importância cultural. Ao todo, 27 famílias responderam ao questionário, correspondendo a 81,8% do público convidado. A participação foi voluntária, com preservação do anonimato e da confidencialidade das informações. As respostas fechadas foram analisadas por meio de frequências absolutas e relativas, enquanto as respostas abertas foram agrupadas por aproximação temática, considerando as recorrências e os sentidos atribuídos pelas famílias às práticas mencionadas. Os resultados evidenciaram que, entre os 27 familiares respondentes, o esconde-esconde foi citado por 18 (66,7%), o pega-pega por 14 (51,9%) e a pula-corda por 8 (29,6%). Como a questão permitia mais de uma resposta, os percentuais ultrapassam 100% quando somados. As brincadeiras eram realizadas principalmente nas ruas e nas residências, demonstrando sua presença nas experiências de infância e nos espaços de convivência familiar e comunitária. Em relação à transmissão dessas práticas, 22 participantes (81,5%) afirmaram ensinar ou vivenciar brincadeiras tradicionais com seus filhos, enquanto 5 (18,5%) responderam negativamente. Entre os 22 que mantêm essas práticas, o esconde-esconde foi mencionado por 12 (54,5%) e o pega-pega por 6 (27,3%). Pais, mães e avós foram apontados como importantes responsáveis pelo compartilhamento desses conhecimentos, evidenciando a transmissão de experiências entre diferentes gerações. As famílias reconheceram os jogos e as brincadeiras tradicionais como elementos da história e da cultura da comunidade, relacionados às memórias afetivas, às experiências da infância e ao convívio familiar. Também manifestaram o desejo de que as crianças utilizem mais os espaços externos para brincar e reduzam o tempo dedicado aos celulares e à televisão, apontando para a importância de equilibrar as experiências tecnológicas e as práticas coletivas de movimento, interação e convivência. Conclui-se que brincadeiras como esconde-esconde, pega-pega e pula-corda permanecem presentes nas memórias e nas práticas das famílias, sendo transmitidas principalmente por pais, mães e avós. A Educação Física Escolar pode contribuir para reconhecer e valorizar esses conhecimentos como manifestações da cultura corporal, aproximando escola, família e comunidade e favorecendo sua continuidade entre as diferentes gerações.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Jogos e Brincadeiras Tradicionais: Relatos das Famílias de Uma Escola do Campo. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122401. Acesso em: 28 out. 2026.