Entre o Brincar e o Aprender: Ludicidade na Formação de Uma Bolsista do Pibid
Palavras-chave:
Educação, Física, escolar, Formação, docente, LudicidadeResumo
A ludicidade ocupa um lugar relevante no processo educativo das crianças, especialmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental, período em que brincar, imaginar, interagir e movimentar-se constituem formas de conhecer o mundo. Nas aulas de Educação Física, valorizar a ludicidade significa reconhecer que as crianças aprendem e se expressam por meio do corpo e que as práticas pedagógicas podem ultrapassar propostas centradas exclusivamente na competição e no ensino técnico. Nessa perspectiva, jogos e brincadeiras não representam apenas recursos para tornar as aulas divertidas, mas experiências culturais e formativas que podem favorecer a participação, a criatividade e a ampliação do repertório corporal. Este trabalho tem como objetivo relatar e refletir sobre a presença da ludicidade nas aulas de Educação Física dos anos iniciais, considerando o yoga como possibilidade pedagógica para ampliar as experiências corporais das crianças e contribuir para a formação docente de uma bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). O estudo apresenta abordagem qualitativa e caracteriza-se como relato de experiência, construído a partir das vivências desenvolvidas em uma escola pública estadual de Uruguaiana/RS. As ações envolveram estudantes do 1º e do 5º ano do Ensino Fundamental e compreenderam observação do cotidiano escolar, planejamento e intervenções pedagógicas. As reflexões foram produzidas com base nas observações realizadas durante as aulas e nos diálogos informais com as crianças e os profissionais da escola, sem instrumentos formais de avaliação. As propostas buscaram aproximar as práticas corporais do universo infantil mediante brincadeiras, histórias, desafios corporais e atividades coletivas. Entre os conteúdos trabalhados, o yoga foi apresentado de forma laica, pedagógica e adequada às características das turmas. As atividades envolveram posturas adaptadas do hatha yoga inseridas em narrativas e brincadeiras, exercícios respiratórios e momentos de relaxamento, com a intenção de estimular a exploração corporal, a imaginação e a participação. O objetivo não foi avaliar efeitos terapêuticos nem atribuir à prática resultados sobre a saúde das crianças, mas proporcionar o contato com uma manifestação corporal diferente das modalidades esportivas mais conhecidas. Ao longo das intervenções, observou-se envolvimento das crianças com as histórias e os desafios propostos, especialmente quando as posturas eram relacionadas a animais, elementos da natureza e situações imaginárias. Essa organização favoreceu a experimentação dos movimentos sem estabelecer um padrão único de execução, permitindo que cada criança participasse conforme suas possibilidades. Foram observadas manifestações de curiosidade diante de uma prática pouco conhecida, com perguntas sobre os movimentos, os nomes das posturas e as formas de respiração. A experiência evidenciou que a apresentação de um conteúdo diferente não garante automaticamente a participação de todos. Foi necessário demonstrar os movimentos, adaptar orientações, respeitar os limites corporais e acolher crianças que inicialmente preferiam observar. A construção de um ambiente de confiança contribuiu para que parte desses estudantes se aproximasse das propostas e experimentasse os movimentos sem receio de errar. Nas conversas informais, crianças e profissionais mencionaram que as atividades eram divertidas e diferentes das experiências habituais. Essas manifestações foram compreendidas como percepções espontâneas sobre as aulas, e não como dados suficientes para comprovar mudanças no comportamento ou na concentração. A experiência também proporcionou reflexões relevantes para a formação da bolsista. O planejamento exigiu pesquisa sobre o conteúdo, seleção de atividades adequadas às faixas etárias e atenção à maneira de apresentar o yoga sem reduzi-lo a um conjunto de posturas. Durante as intervenções, tornou-se necessário observar as respostas das turmas, reorganizar atividades e compreender que a ludicidade não depende apenas do conteúdo, mas das relações, da linguagem e das possibilidades de criação oferecidas às crianças. Os resultados indicam que o yoga pode integrar propostas de Educação Física escolar como possibilidade de diversificação da cultura corporal, especialmente quando articulado às brincadeiras e desenvolvido com respeito às características dos estudantes. Também evidenciam que a escuta, o diálogo e a mediação docente são fundamentais para favorecer o envolvimento com práticas inicialmente desconhecidas. Conclui-se que as vivências no PIBID contribuíram para compreender a ludicidade como parte da experiência infantil e não somente como estratégia para despertar o interesse. A experiência ampliou a compreensão da bolsista sobre planejamento, adaptação e mediação pedagógica, reforçando a importância de uma Educação Física escolar diversificada, participativa e sensível às formas que as crianças aprendem e se expressam por meio do corpo.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Entre o Brincar e o Aprender: Ludicidade na Formação de Uma Bolsista do Pibid. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122400. Acesso em: 31 out. 2026.