Controle Postural na Prática: Uma Experiência de Ensino e Aprendizagem na Disciplina de Biomecânica
Palavras-chave:
Controle, postural, Biomecânica, Ensino-aprendizagemResumo
O controle postural envolve a capacidade de manter a estabilidade corporal, tarefa que envolve a regulação contínua da posição do centro de massa em relação à base de suporte. Esse processo depende também da integração de diferentes informações sensoriais provenientes de diferentes sistemas sensoriais, com destaque para a informação visual e para a atividade dos mecanorreceptores envolvidos na sensibilidade tátil e proprioceptiva dos membros inferiores. Essas informações são processadas pelo sistema nervoso central e integradas às respostas neuromusculares necessárias à manutenção da postura. O nível de controle voluntário dessa tarefa é bastante baixo, de modo que é uma tarefa considerada altamente automatizada. No componente curricular de biomecânica, discutimos esse tema em aula teórica e realizamos um experimento prático para que os estudantes percebam que tentar controlar voluntariamente a postura em pé não resulta em mais estabilidade. Neste estudo relatamos uma atividade de monitoria em biomecânica para uma aula sobre controle postural. No contexto desta aula, os estudantes eram instigados a responder a seguinte pergunta: Se durante a postura em pé você tentar voluntariamente contrair seus músculos para manter uma postura o mais estática possível, seu controle postural melhora?. Desenvolvemos essa atividade com estudantes do curso de fisioterapia da disciplina de Biomecânica. A turma de 24 estudantes foi organizada em quatro grupos de seis estudantes. Para avaliar o controle postural usamos uma plataforma de força (OR6-2000, AMTI Inc., Watertown, MA, EUA), posicionada ao nível do solo e registrando momentos e forças de reação do solo com taxa de amostragem de 100 Hz, o que permitiu o cálculo da velocidade de oscilação do centro de pressão (CoP) durante a postura em pé. A velocidade do CoP é um indicador válido do controle postural em pé. Seis estudantes (um de cada grupo) foram orientados a posicionar os pés sobre a plataforma, e 1) ficar em pé, em postural confortável, durante 30 segundos e 2) ficar em pé, tentando manter o corpo o mais parado possível, durante 30 segundos. A média ± desvio padrão da velocidade do CoP foi semelhante entre as condições de postura confortável (2,75 ± 0,70 cm/s) e postura o mais quieta possível (2,70 ± 0,42 cm/s). Um teste t para amostras pareadas não revelou diferença significativa entre as condições (t = 0,27, p = 0,800), com tamanho de efeito trivial (dz = 0,11), indicando pouca evidência descritiva de uma diferença relevante na velocidade do CoP entre as duas instruções posturais. Isso demonstrou para os estudantes que buscar uma maior estabilidade pela ativação voluntária de músculos buscando reduzir a oscilação postural não resulta em controle postural melhor do que o observado em uma postura em pé confortável. Os estudantes demonstraram boa compreensão das funções do software, acompanhando a aquisição dos dados, visualizando os registros da plataforma de força e interpretando os gráficos obtidos nas diferentes condições experimentais. O contato direto com os equipamentos e com os dados favoreceu a participação, a discussão dos resultados e a articulação entre os conceitos teóricos e as respostas observadas. Dessa forma, a experiência desenvolvida contribuiu para tornar o processo de ensino-aprendizagem mais ativo e contextualizado, favorecendo a articulação entre teoria e prática e ampliando o contato dos estudantes com procedimentos de avaliação biomecânica e análise de dados. A sistematização e divulgação dessa experiência possibilita a socialização de estratégias pedagógicas desenvolvidas no ensino de graduação, contribuindo para a difusão de práticas de ensino que aproximem os estudantes da pesquisa científica e das possibilidades de aplicação dos conhecimentos biomecânicos na prática clínica.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Controle Postural na Prática: Uma Experiência de Ensino e Aprendizagem na Disciplina de Biomecânica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122397. Acesso em: 22 out. 2026.