O Que Tem no Meu Xis? Uma Proposta Contextualizada para o Ensino de Bioquímica
Palavras-chave:
contextualização, aprendizagem, formação, docenteResumo
O ensino de Bioquímica no Ensino Médio envolve conceitos fundamentais para a compreensão dos processos que ocorrem no organismo, porém conteúdos como carboidratos, proteínas e lipídios muitas vezes são apresentados de forma fragmentada e pouco relacionada às experiências dos estudantes. Partindo da necessidade de aproximar esses conhecimentos da realidade da turma, foi desenvolvida a intervenção O que tem no meu xis? A Bioquímica do nosso lanche, no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Subprojeto Biologia, Campus São Gabriel. A atividade foi realizada com uma turma do 1º ano do Ensino Médio da Escola Estadual de Ensino Médio XV de Novembro, localizada no município de São Gabriel, Rio Grande do Sul. A proposta utilizou o xis gaúcho, alimento conhecido e presente na cultura regional, como ponto de partida para o estudo das macromoléculas e de suas funções no metabolismo e no funcionamento do organismo. O trabalho teve como objetivo relacionar os componentes de um alimento presente no cotidiano dos estudantes aos conhecimentos de Bioquímica desenvolvidos em sala de aula, buscando favorecer a compreensão dos conteúdos por meio da contextualização. A intervenção foi organizada a partir dos Três Momentos Pedagógicos iniciando pela problematização com a pergunta O que tem no meu xis?. A partir das respostas e dos conhecimentos prévios apresentados pela turma, foram retomados os conceitos relacionados às principais macromoléculas presentes nos alimentos e às funções que desempenham no organismo. Posteriormente, os estudantes foram organizados em seis grupos, sendo destinado a cada grupo um dos ingredientes que compõem o xis: alface, batata palha, carne, pão, queijo e tomate. Cada grupo realizou uma pesquisa sobre o ingrediente recebido, buscando identificar sua relação com as principais classes de macromoléculas, as características desses compostos e sua importância para o metabolismo e para o funcionamento do corpo humano. Durante essa etapa, o bolsista acompanhou os grupos, auxiliando na compreensão dos conceitos e na relação entre as informações pesquisadas e os conteúdos de Bioquímica. Após a pesquisa, os estudantes organizaram as informações encontradas sobre o ingrediente estudado, apresentando sua composição e as funções das macromoléculas relacionadas a ele escrito em folhas de ofício, que foram recortadas em fichas para a confecção do cartaz final. Ao final da atividade, as pesquisas de todos os grupos foram reunidas em um só cartaz com um desenho esquemático do xis gaúcho e setas onde cada ficha foi posta, com o cartaz final sendo fixado na sala de aula da respectiva turma, permanecendo como material de consulta e registro da intervenção. O desenvolvimento da proposta permitiu trabalhar conceitos de Bioquímica a partir de um elemento reconhecido pelos estudantes, deslocando o conteúdo de uma abordagem centrada apenas na definição e classificação das moléculas para uma situação em que esses conhecimentos puderam ser relacionados aos alimentos consumidos no cotidiano. A divisão da turma em grupos também favoreceu a pesquisa, a organização das informações, a escrita e a produção coletiva, atribuindo aos estudantes participação direta no desenvolvimento da atividade. A confecção dos cartazes possibilitou sistematizar o conhecimento pesquisado e transformar o resultado do trabalho dos grupos em um material produzido pela própria turma. Para o bolsista, a intervenção contribuiu para a formação docente ao possibilitar o planejamento, a mediação e a avaliação de uma atividade em que o conteúdo científico foi desenvolvido a partir da realidade escolar e da cultura local. A experiência permitiu observar a importância de considerar os conhecimentos prévios dos estudantes e de propor situações nas quais eles possam pesquisar, discutir e organizar os conceitos trabalhados, em vez de permanecerem apenas como receptores das informações apresentadas pelo professor. A proposta também demonstra que práticas pedagógicas contextualizadas podem ser desenvolvidas com recursos acessíveis à escola, utilizando pesquisa, trabalho coletivo e produção de materiais pelos próprios estudantes. Conclui-se que a utilização do xis gaúcho como elemento contextualizador constitui uma possibilidade para o ensino de Bioquímica, pois permite relacionar conhecimentos sobre macromoléculas e metabolismo à alimentação e à cultura regional. No âmbito do PIBID, a atividade também reforça a aproximação entre a formação inicial de professores e a escola pública, proporcionando ao bolsista experiências de planejamento e atuação docente e, aos estudantes da Educação Básica, diferentes formas de participação na construção do conhecimento científico.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
O Que Tem no Meu Xis? Uma Proposta Contextualizada para o Ensino de Bioquímica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122383. Acesso em: 5 nov. 2026.