Entre Músculos, Vasos e Notas: Dissecação na Recuperação do Processo de Ensino-aprendizagem em Anatomia

Autores

  • Alessandra Brum
  • Emillin Reis Bermudez
  • Julia Fagundes Franco
  • Ingrid Bete Palmeira
  • Maria Eduarda Rodrigues Costa
  • Paulo Souza Junior

Palavras-chave:

aprendizagem, ativa, ensino, prático, avaliação

Resumo

A dissecação anatômica é uma ferramenta ativa de aprendizagem que pode ampliar a compreensão tridimensional das estruturas, integrar conteúdos teóricos e práticos e estimular a autonomia, o trabalho em equipe e o raciocínio espacial. O objetivo deste trabalho foi avaliar o impacto de uma atividade extracurricular e facultativa de dissecação sobre o desempenho e a reprovação por nota de discentes de Anatomia dos Animais Domésticos I, do curso de Medicina Veterinária, voltado ao estudo do sistema musculoesquelético. Durante o primeiro semestre de 2026, os estudantes realizaram seis avaliações regulares: três teóricas e três práticas. Paralelamente, grupos de cinco a seis alunos puderam participar de uma atividade de dissecação, desenvolvida no turno da tarde, nos horários de monitoria, sob a supervisão de monitores do laboratório e de pós-graduandos. Cada grupo recebeu uma peça cadavérica correspondente a um segmento de membro de cão ou de ovino, fixada em solução de formaldeído e conservada em solução salina a 30%, e realizou sua dissecação progressivamente ao longo do semestre, buscando individualizar e preservar estruturas musculares, vasculares e demais elementos anatômicos pertinentes ao conteúdo da disciplina. Antes da terceira avaliação, os participantes foram avaliados em dez pontos: três referentes ao desempenho coletivo, considerando a qualidade da peça produzida e a preservação das estruturas, e sete referentes a perguntas individuais sobre a anatomia dissecada. A nota obtida substituiu a menor entre as seis avaliações regulares quando resultava em aumento da média. Os estudantes que, mesmo após essa substituição, não atingiram média 6,0 puderam realizar uma prova substitutiva ao final do semestre para substituir uma segunda nota baixa. Para a análise, foram considerados apenas os 47 discentes que realizaram as seis avaliações regulares, evitando a interferência de abandonos, faltas a provas ou reprovações por frequência. Os dados foram apresentados por números absolutos, proporções e para variáveis contínuas, média ± desvio padrão. As médias dos participantes antes e após a substituição foram comparadas pelo teste t pareado, após verificação da normalidade das diferenças pelo teste de Shapiro-Wilk, adotando-se nível de significância de 5%. Os dados foram analisados no software Graphpad Prism 8. Desses 47 estudantes, 42 (89,4%) participaram da atividade de dissecação. Em todos os participantes, a nota da atividade foi superior à menor obtida nas avaliações regulares tendo a média de 8,64 ± 1,00, o que resultou em aumento da média individual. A média dos participantes passou de 5,09± 1,83, considerando apenas as seis avaliações regulares, para 6,03 ± 1,63 após a substituição pela nota da dissecação, o que corresponde a um incremento médio de 0,93± 0,31 ponto (IC95%: 0,84-1,03) e a diferença foi estatisticamente significativa (p < 0,001). Entre os 42 participantes, 29 apresentavam média inferior a 6,0 antes da atividade. Considerando a situação final registrada, nove desses estudantes foram aprovados após a substituição pela nota da dissecação, sem necessidade de prova substitutiva, e outros nove foram aprovados após a combinação da dissecação com a prova substitutiva. Assim, 18 dos 29 participantes inicialmente abaixo da média (62,1%) concluíram o componente curricular aprovados. No conjunto dos 47 estudantes analisados, 31 (66,0%) apresentavam média inferior a 6,0 quando consideradas somente as seis avaliações regulares, enquanto ao final do semestre 12 (25,5%) permaneceram reprovados por nota; dos 19 estudantes que passaram de média regular inferior a 6,0 para aprovação final, 18 haviam participado da dissecação. Além do efeito sobre a média, a atividade proporcionou contato prolongado com peças anatômicas, repetição orientada da identificação de estruturas, integração entre teoria e prática, desenvolvimento de habilidades manuais e responsabilização coletiva pela qualidade da preparação. A dinâmica também ampliou a atuação formativa de monitores e pós-graduandos, que acompanharam os grupos, orientaram técnicas de dissecação, esclareceram dúvidas e exercitaram competências de ensino, comunicação e supervisão acadêmica. Conclui-se que a utilização da dissecação como atividade facultativa com possibilidade de substituição de nota constituiu uma estratégia de apoio à aprendizagem e à recuperação do desempenho, associada à redução expressiva da reprovação por nota entre os estudantes que completaram o processo avaliativo, ao mesmo tempo em que fortaleceu a formação prática dos graduandos e a experiência no ensino para os monitores e pós-graduandos.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Entre Músculos, Vasos e Notas: Dissecação na Recuperação do Processo de Ensino-aprendizagem em Anatomia. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122379. Acesso em: 28 out. 2026.