Modelos Didáticos Alternativos no Ensino de Anatomia Animal

Autores

  • Andre Ricardo de Matos Marcon
  • Isabel Martins Loureiro
  • Maria Eduarda Rodrigues Costa
  • Monique Togni Martins
  • Amarilis Díaz de Carvalho
  • Paulo Souza Junior

Palavras-chave:

tridimensional, porcelana, fria, inteligência, artificial

Resumo

Os materiais didáticos diversificados constituem importantes recursos complementares ao processo de ensino-aprendizagem em anatomia animal, especialmente por possibilitarem a representação tridimensional e a visualização de estruturas anatômicas de forma acessível e didática. Embora as peças cadavéricas sejam fundamentais, modelos confeccionados com diferentes materiais e tecnologias podem ampliar as possibilidades de abordagem e reduzir o uso de agentes químicos. Assim, o presente trabalho objetiva relatar a confecção de modelos anatômicos didáticos alternativos para complementar as estratégias de ensino-aprendizagem e ampliar as possibilidades de utilização desses recursos em atividades de extensão. Ao longo do primeiro semestre de 2026, foram confeccionados modelos artesanais em massa de biscuit (porcelana fria), com utilização de tinta acrílica para identificação e diferenciação das estruturas, incluindo um crânio equino com representação das glândulas salivares (parótida, mandibular e sublingual), do nervo infraorbitário e dos principais vasos superficiais; um modelo de intestino grosso equino, com diferenciação das regiões anatômicas; e um modelo de neurônio, com identificação e diferenciação cromática de suas principais estruturas. O biscuit também foi utilizado para restaurações de esqueletos empregados no ensino, incluindo as cartilagens costais, as costelas, porções diversas de crânios e patelas de espécimes caninos. Inicialmente, a massa de porcelana fria (biscuit) foi sovada até atingir maleabilidade adequada para a modelagem, utilizando papel-toalha como suporte estrutural para a confecção da base. A escultura e o detalhamento anatômico foram realizados com o auxílio de ferramentas específicas, como pincéis modeladores, boleadores e cortadores. O manuseio do material exigiu agilidade a fim de evitar o ressecamento precoce da massa, sendo aplicadas finas camadas de água com pincel para corrigir eventuais irregularidades superficiais. Após a confecção, as peças passaram por um período de secagem de 24 horas para posterior acabamento com tinta acrílica. Adicionalmente, a impressão 3D foi empregada na produção de modelos de estômago de ruminante, de neurônios e de encéfalos de diferentes espécies. Os modelos tridimensionais foram gerados por meio de uma ferramenta de inteligência artificial (Hunyuan3D) baseada em fotografias dos órgãos ou em arquivos de tomografia computadorizada das amostras. O arquivo gerado foi transferido via dispositivo USB para uma impressora 3D de tecnologia LCD/SLA (Anycubic® Photon Mono 4). A impressão foi realizada com resina fotopolimerizável sob luz UV. Após a impressão, as peças passaram por etapas sequenciais de pós-processamento: lavagem em álcool isopropílico por 2 a 5 minutos para remoção de resíduos não polimerizados; pós-cura, sob radiação ultravioleta (UV) para a completa solidificação do material; acabamento mecânico, com lixamento, para a correção de eventuais imperfeições superficiais; e pintura com tinta acrílica. Após um período de secagem de 12 horas da camada de tinta, a finalização das peças foi realizada com a aplicação de verniz fosco para proteção e acabamento estético. Como recurso complementar à representação anatômica, o modelo de estômago de ruminante foi inserido em um molde animal de brinquedo, possibilitando a visualização de sua localização e de suas relações topográficas na cavidade abdominal, com diferenciação por cores entre rúmen, retículo, omaso e abomaso. Os materiais confeccionados possibilitaram a representação e identificação de diferentes estruturas anatômicas, constituindo recursos didáticos complementares às peças cadavéricas. Além da aplicação nas atividades de ensino, a portabilidade, a facilidade de manipulação e de conservação dos modelos confeccionados ampliam seu potencial para ações de extensão, permitindo sua exposição em escolas, feiras e outras atividades de divulgação científica. Dessa forma, a confecção de modelos anatômicos com materiais artesanais e tecnologias de impressão 3D apresentou-se como estratégia complementar para o ensino de Anatomia Animal, contribuindo para diversificar as metodologias de ensino e ampliar o acesso à representação anatômica em diferentes contextos educacionais.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Modelos Didáticos Alternativos no Ensino de Anatomia Animal. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122378. Acesso em: 23 out. 2026.