Impactos da Mudanças Climáticas e Redução da Infiltração na Recarga do Aquífero Guarani

Autores

  • Maria Victoria Da Cunha Pereira Cruz
  • Alex Jacques da Costa

Palavras-chave:

mudanças, climáticas, uso, solo, sustentabilidade

Resumo

O Aquífero Guarani, reconhecido como uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo, ocupa cerca de 1,2 milhão de km² distribuídos entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com capacidade de armazenamento superior a 37 mil km³ de água. Sua relevância vai além do abastecimento humano, abrangendo a agricultura, a indústria e a manutenção dos ecossistemas, mas sua sustentabilidade depende do equilíbrio entre a recarga natural e a exploração crescente. Essa recarga ocorre principalmente pela infiltração da água das chuvas nas áreas de afloramento, processo condicionado tanto por fatores climáticos quanto pela preservação da cobertura vegetal. No entanto, mudanças nos padrões de precipitação e uso do solo têm comprometido essa dinâmica, colocando em risco a segurança hídrica regional. Relatórios recentes do IPCC indicam que a América do Sul enfrenta alterações significativas no regime de chuvas e temperatura, com aumento da frequência de estiagens e chuvas intensas em curtos períodos, dificultando a infiltração gradual da água e favorecendo o escoamento superficial. Em paralelo, a urbanização desordenada, o desmatamento e a agricultura intensiva agravam a impermeabilização dos solos, reduzindo a capacidade de recarga. Para compreender esses impactos, realizou-se uma revisão bibliográfica e documental em bases científicas nacionais e internacionais, como Scielo, ScienceDirect e Google Acadêmico, priorizando estudos publicados entre 2000 e 2025. Também foram consultados relatórios técnicos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, do IPCC e do Projeto Aquífero Guarani. A metodologia adotada foi qualitativa, com foco na identificação de padrões, riscos e propostas de manejo sustentável. Os resultados indicam que áreas do Cone Sul apresentam redução na precipitação anual, intensificação de eventos extremos e diminuição expressiva da recarga em regiões como o oeste do Paraná e o Mato Grosso do Sul, onde a substituição da vegetação nativa e o uso agrícola intensivo ampliam a impermeabilização. Esse cenário ameaça a disponibilidade de água para consumo humano e irrigação agrícola, aumenta a pressão sobre mananciais superficiais e intensifica a possibilidade de conflitos pelo uso da água. Além dos impactos ambientais, há consequências sociais e econômicas relevantes, pois a limitação da oferta hídrica compromete tanto a qualidade de vida da população quanto a manutenção das atividades produtivas. Diante dessas vulnerabilidades, tornam-se indispensáveis medidas de mitigação e gestão sustentável, entre as quais se destacam a preservação das áreas de recarga, a recomposição da vegetação nativa, o uso de práticas agrícolas conservacionistas, como o plantio direto e o terraceamento, e a recuperação de matas ciliares. Também se faz necessária a ampliação de áreas de proteção ambiental, a regulamentação mais rigorosa do uso do solo e a adoção de políticas públicas integradas de gestão hídrica. Considerando que se trata de um aquífero transfronteiriço, a cooperação internacional entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai é fundamental para o estabelecimento de planos conjuntos de monitoramento, exploração sustentável e proteção. Assim, a análise realizada evidencia que o Aquífero Guarani, apesar de sua dimensão e relevância global, encontra-se vulnerável diante das mudanças climáticas e da expansão antrópica desordenada. A preservação desse patrimônio hídrico exige um esforço coletivo que integre ciência, política e sociedade, de forma a assegurar que essa reserva estratégica permaneça disponível para as atuais e futuras gerações.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Impactos da Mudanças Climáticas e Redução da Infiltração na Recarga do Aquífero Guarani. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122065. Acesso em: 16 maio. 2026.