IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO DE FASCIOLA HEPATICA EM BOVINOS CRIADOS EXTENSIVAMENTE

Autores

  • Lucas Rodrigues Machado
  • Viviane de Oliveira Machado
  • Eloíza Maria Arruda Silva
  • Ariane Silva dos Santos Vendruscolo
  • Anelise Afonso Martins
  • Helena Brocardo Comin

Palavras-chave:

sanidade, animal, produtividade, parasitologia

Resumo

A fasciolose, também conhecida como baratinha-do-fígado, é uma doença parasitária de grande importância sanitária e econômica, causada pelo trematódeo Fasciola hepática. Esse helminto apresenta como hospedeiros definitivos alguns animais domésticos, especialmente bovinos e ovinos, além do próprio ser humano. Sua transmissão está diretamente associada à presença de ambientes úmidos e à ocorrência do molusco do gênero Lymanea, que atua como hospedeiro intermediário. No Rio Grande Do Sul, caracterizado por extensas áreas de campos nativos, clima úmido e solos frequentemente encharcados, encontram-se condições ambientais favoráveis para manutenção e disseminação da doença. A criação extensiva de bovinos é uma das principais atividades econômicas e cultural do estado, destacando ainda mais a importância do diagnóstico de fasciolose, uma vez que a doença compromete a saúde animal, reduz a produtividade (ganho de peso, produção de leite e lã) e ocasiona perdas significativas devido à condenação de fígados em frigoríficos. Dessa forma, identificar o parasita é essencial para o desenvolvimento de estratégias de manejo sanitário, o que pode ser realizado através de técnicas parasitológicas das fezes dos animais por onde os ovos de Fasciola são eliminados na fase crônica da enfermidade. Diante disso, o trabalho teve o objetivo de demonstrar a importância do diagnóstico parasitológico de Fasciola hepática em bovinos criados extensivamente. Foram coletadas amostras de fezes de bovinos machos e fêmeas no período de março de 2024 a agosto de 2025 proveniente de propriedades particulares do município de Dom Pedrito, RS. As amostras fecais foram coletadas direto da ampola retal dos animais, identificadas, mantidas em caixas térmicas e encaminhadas ao Laboratório de microscopia e parasitologia da Unipampa, campus Dom Pedrito, as mesmas foram submetidas a análise parasitológica para detecção de ovos de Fasciola hepatica através da técnica de quatro tamises, onde utilizou-se telas metálicas de 100, 180, 200 e 250 malhas/polegada, com aberturas de 174, 96,87 e 65 µm, respectivamente e examinadas com o auxílio de estereomicroscópio. Foram analisados 431 bovinos, sendo destes 308 machos e 123 fêmeas. Os animais eram mantidos em sistema extensivo de criação, com alimentação de campo nativo e pastagens cultivadas. No exame foi possível verificar a presença de ovos de Fasciola hepatica em 37% das amostras avaliadas (158/431), sendo nos machos verificado em 29% (89 amostras) e nas fêmeas em 35,7% ( 44 das amostras). A prevalência de Fasciola hepatica em bovinos no Rio Grande do Sul é um desafio sanitário e econômico para a pecuária da região, especialmente no bioma Pampa, onde as condições ambientais favorecem o ciclo do parasita. Contudo, observa-se que muitos proprietários ainda não realizam exames laboratoriais como ferramenta de diagnóstico e prevenção, baseando-se apenas em alguns sinais clínicos ou em achados do abate. Essa frequência encontrada ainda pode ser maior uma vez que o parasita é eliminado nas fezes na fase crônica da enfermidade. A falta de monitoramento dificulta a detecção precoce, contribui para o aumento de casos da doença e limita a adoção de estratégias eficazes de controle. Portanto, é essencial conscientizar os produtores sobre a importância do diagnóstico coproparasitológico, aliado a práticas de manejo adequadas, visando reduzir as perdas produtivas e econômicas, garantindo o bem estar e sustentabilidade dos rebanhos bovinos no Estado.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO DE FASCIOLA HEPATICA EM BOVINOS CRIADOS EXTENSIVAMENTE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121931. Acesso em: 4 jun. 2026.